F-E
28/12/2016 05:00

Feliz com 2016, Di Grassi comemora ano “melhor que o anterior” na F-E e crava: “Será a maior categoria do automobilismo”

Lucas Di Grassi fala com evidente carinho sobre o 2016 que teve. Não foi campeão da F-E ou do WEC, mas ficou com dois vice-campeonatos quando entende que seu equipamento não o permitiria tanto. Agora focado apenas na F-E, os resultados não o abalam. Pelo contrário: a expectativa para a chegada da Audi e o futuro do campeonato são os melhores
Warm Up
PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
 

Os resultados de 2016 de Lucas Di Grassi não são motivos para tristeza. Os títulos, claro, não vieram, mas o piloto da fábrica da Audi teve o grande ano de sua carreira. Vice-campeão na F-E, vice-campeão com seu trio no Mundial de Endurance, esteve acima do que seu equipamento permitia. E na F-E, especialmente, se destacou. Acompanhou Sébastien Buemi como um carrapato a ponto de perder o campeonato por dois pontos. E classificou 2016, batida na decisão inclusive, com positividade.
 
O GRANDE PRÊMIO conversou rapidamente com Di Grassi em Interlagos durante o domingo de decisão da temporada 2016 da Stock Car. Leve, Lucas não se segurou em dizer o quanto gostou de seu 2016. No balanço que fez do ano, afirmou que tirou o máximo que era possível dos carros que mais guiou.
 
"Acho que tanto na F-E quanto no WEC eu consegui extrair o máximo do equipamento. Fiz dois vices em dois campeonatos mundiais, isso é muito bom. Eu queria ganhar, fiz o impossível para ganhar, mas não dava", contou ao GP.  
 
"De fato, na F-E a gente tinha - e ainda tem - um equipamento inferior ao da Renault. E esse ano tem duas Renault. Foi um ano excelente. Como piloto eu poderia ter feito pouca coisa a mais por melhores resultados, mas como reputação foi bom. Fui eleito o melhor do mundo no WEC [em eleição do site norte-americano 'Motorsport.com'], foi uma surpresa. Estou bem satisfeito com o ano, é o reconhecimento do trabalho", seguiu.
Lucas Di Grassi (Foto: Reprodução/Twitter)
Di Grassi se posicionou também sobre a evolução da F-E em 2016. Desde a utilização dos trens de força, estreados ao final de 2015, até sua passagem na Groelândia, ele avalia como prova de que a F-E está em curso de se tornar a maior categoria do mundo.
 
"A F-E vai se tornar a principal categoria do automobilismo, agora é uma questão de quantos anos. Se você colocar uma data longa, tipo 50, 70 anos, em alguns países 20, o carro a combustão vai ser proibido. Então todos os carros serão elétricos, e a indústria precisa se envolver. Tem dois lados: o bom é que vai ser elétrico, o ruim é que vai ser autônomo. A tendência é a F-E crescer, ganhar espaço, chegar mais perto da F1. Eu acredito que já seja o segundo ou terceiro campeonato mais competitivo do mundo", avaliou.
 
"Veja gente como [Takuma] Sato, [Jacques] Villeneuve, o Pechito López, que é campeão do turismo, todos com muita dificuldade. A tendência é a competitividade só aumentar com as montadoras entrando. O primeiro ano era novidade, o segundo ano foi importante, melhor ainda. E me sinto muito lisonjeado de ter ajudado a criar a F-E e ter tido a visão do monoposto elétrico", falou.
 
A polêmica decisão do campeonato, com a batida de Lucas em Buemi, não tira o sono do piloto da Audi. Como ele já afirmou diversas vezes desde o acontecido, não premeditou uma pancada. E garante que a colisão, da forma como aconteceu, era prejudicial para si.
O polêmico incidente entre Di Grassi e Buemi (Foto: Reprodução/TV)

"O acidente para mim era muito ruim. Porque se a gente fosse disputar a melhor volta eu sabia que iria perder. Era muito mais fácil ele ganhar na melhor volta do que na pista em 30 voltas. Uma colisão, do ponto de vista estratégico, seria muito mais produtiva se fosse na segunda metade da prova, porque aí não daria para trocar de carro. Então não era a minha melhor opção, a gente já sabia. Tínhamos um potencial melhor de ganhar a corrida que fazer melhor volta", afirmou Lucas quando participou do Paddock GP #42.
 
"Foi uma decisão afoita de tentar passar o [Nicolas] Prost, de tomar mais risco. Não era o que a gente esperava. Mas para mim o campeonato foi perdido no México", explicou. O erro, como afirmou ao GP em entrevista dada há alguns meses, “foi do meu engenheiro, mas um erro por 1,5 kg num carro de 890 kg é um erro marginal, ele foi um pouco otimista.”
 
Depois da temporada passada ter escapado por entre os dedos, a segunda metade de 2016 trouxe uma nova chance. Segundo Di Grassi, um ano mais equilibrado, mas onde Buemi ainda tem um equipamento da Renault que sobra. Se ele não errar muito, será o campeão novamente.
 
"O ano passado a diferença ainda era maior, mas ele errou bastante e permitiu que eu chegasse na última rodada brigando mesmo com a desclassificação do México. Agora, se ele não errar, não tem um competidor. Dentro da mesma equipe ele tem um nível muito maior que o Prost, é um excelente piloto. E na outra equipe com motor Renault, o [Jean-Éric] Vergne não tem boa estrutura para brigar e o Ma Qing [Hua] não tem o nível do Vergne.
Ficou pouco feliz Di Grassi (Foto: Reprodução)
"Se ele não errar, o campeonato é dele para perder, assim como ele quase fez no ano passado. E eu vou estar lá, quando dá para chegar em segundo, chego; quando dá para ganhar, ganho; quando dá para ser quinto, sou quinto. Ele precisa decidir sobre o conflito do WEC e da F-E. Acho que se a Toyota não tiver disputando ele deve fazer F-E. Eu preciso trabalhar com o carro que eu tenho", encerrou.
 
Mas a grande mudança de sua equipe está sendo aguardada para o ano que se avizinha. A Audi ABT será oficialmente equipe de fábrica da Audi, não apenas uma parceira, a partir do segundo semestre de 2017. E vai mudar tudo.
 
"Já está mudando: engenharia, desenvolvimento do motor, orçamento, marketing. Sem isso, por enquanto, é impossível competir com a Renault. Nosso orçamento é metade do deles, é como colocar uma Force India contra uma Mercedes. Dá para brigar, como a Red Bull faz algumas corridas, mas é muto difícil”, afirmou.
 
A terceira temporada da F-E continua em Buenos Aires com a etapa de 18 de fevereiro.


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