F1
22/03/2016 10:15

Aliviado após susto, Alonso descreve grave acidente na Austrália e diz que se sentiu “como numa lavadora gigante”

Dois dias após o susto no GP da Austrália, Fernando Alonso avisa que vai estar ao volante do seu McLaren no Bahrein, na próxima semana. O bicampeão disse que esteve consciente durante todo o momento do acidente, garantiu estar “inteiro e quase recuperado” depois do susto e se divertiu ao lembrar da reação de seus pais depois de uma vídeo-chamada após a batida
Warm Up
Redação GP, de Sumaré



Neste segundo dia após ‘nascer de novo’, Fernando Alonso sabe que ainda vai guardar por muito tempo as lembranças do último 20 de março, quando sofreu o gravíssimo acidente no GP da Austrália, após se chocar com o carro de Esteban Gutiérrez a mais de 300 km/h, capotar e bater no muro. Por grande sorte, Alonso desceu do carro sem auxílio e, sem maiores dores ou complicações após tamanho impacto, garante que vai estar bem para voltar a acelerar seu McLaren MP4-31 na semana que vem no Bahrein, palco da segunda etapa da temporada 2016 da F1.
 
“Sim, estou inteiro e quase recuperado. Sinto um pouco de dor quando me encolhi no carro durante as capotagens. Não dói nada, tenho o corpo como se estivesse entrado numa lavadora gigante e me fizesse dar voltas e voltas, mas não tenho nenhuma marca e nem nada inchado ou nenhum grande hematoma. Dentro de dois ou três dias vou estar numa bicicleta ou fazendo alguma outra atividade”, declarou o bicampeão do mundo durante entrevista concedida à rádio espanhola ‘Cope’.
Fernando Alonso logo após acidente em Melbourne. O piloto ficou sem saber onde estava (Foto: Getty Images)
Alonso não se furtou a descrever os momentos de drama que viveu em Melbourne naquela volta 19. “Estive consciente o tempo todo. Quando toquei no carro de Esteban, já vi que havia uma roda solta pelos ares e que estava sem controle. Acerto contra o muro da esquerda, vejo o muro de  trás, vejo que está longe, mas que estou chegando com muita velocidade porque o impacto com Esteban foi de mais ou menos 312 km/h e digo: ‘Vai ser uma bela pancada e vou ver se não vou me machucar’.”
 
“É a primeira coisa que penso quando bati contra o muro, e logo o carro capota porque ele fica na brita. Vejo o céu, a brita, logo vejo o céu de novo porque você está capotando e batendo contra tudo o que tem no carro, o habitáculo. E apenas quando o carro para e você sequer sabe bem onde está no circuito, vi um espaço para sair porque estava de cabeça para baixo e disse: ‘Vou sair agora’. Então você não sabe muito bem onde está e nem se o carro estava parado. Ali, saí rápido”, continuou.
 
“Quando vi que o carro estava parando, tentei sair, e vi que havia óleo e gasolina porque os tubos haviam se rompido, havia muito líquido e me disse para sair logo dali. Você não sabe se o carro vai continuar rodando e se havia algum tipo de incêndio, por isso saí o quanto antes. Vi que estava tudo bem, que não tinha acontecido nada, só um pouco dolorido. Fiquei agradecido porque não aconteceu nada e que Esteban estava bem. Ele ficou com a melhor parte, mas é sempre importante saber que os dois pilotos estão bem”, acrescentou, Fernando, aliviado.
Esteban Gutiérrez ampara Fernando Alonso logo depois do acidente entre ambos em Melbourne (Foto: Getty Images)
Pouco depois, Alonso se preocupou em ligar para sua casa para tranquilizar sua família. Fernando se divertiu ao contar a reação curiosa dos seus pais com sua ligação do outro lado do mundo. 
 
“Não foi muito normal [risos]. Vou te contar, mas não foi muito normal. Quando passei pela checagem médica, cheguei ao paddock outra vez, cheguei à base da McLaren e antes de tirar o macacão, disse: ‘Deixe-me ligar para meus pais que eles estão bem preocupados’. Ligo para minha mãe com a câmera, fazendo uma vídeo-chamada, e vejo meu pai tranquilo no sofá da sala, com um cobertor, tomando um café e te digo. ‘Como estão? Preocupados?’”, lembrou.
 
“E ela me disse: ‘Sim, sim, mas não aconteceu nada... como já te vimos caminhando e saindo do carro... estamos vendo aqui a corrida’. Estavam super tranquilos e parecia que eles ficaram bravos porque eu os interrompi quando eles estavam vendo a corrida. Era cedo, acho que eles ainda estavam dormindo, e supondo que estava falando com meu pessoal no circuito, e ao me verem sair do carro, acho que eles ficaram bem tranquilos”, concluiu o piloto de 34 anos.
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