F1
17/02/2016 07:30

Análise: com poucas mudanças, F1 luta contra lógica para sair da mesmice em 2016

A esperança da maioria dos apaixonados pela F1 é que a temporada deste ano não tenha o prateado como cor predominante, mas com pouquíssimas mudanças nas regras, tudo aponta para uma nova supremacia da Mercedes. No entanto, tal perspectiva não significa que o Mundial de 2016 vai ser de todo desinteressante
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Sumaré

Depois de um longo inverno traduzido em muito trabalho e preparação nos bastidores, a F1 vai ‘pegar fogo’ a partir desta quarta-feira (17), quando a Red Bull vai lançar a pintura do seu novo carro para 2016. Dois dias depois, vai ser a vez de a Ferrari apresentar o carro com o qual vai tentar bater a Mercedes e, no domingo, a McLaren mostrará ao mundo o MP4-31 para apagar o vexame de 2015. Na segunda, dia do início da pré-temporada, muitas equipes — Haas, Manor, Red Bull, Williams, Toro Rosso e Mercedes — vão lançar seus respectivos modelos antes da abertura das atividades de pista no circuito Barcelona. Enfim, vão ser dias bem intensos para quem estava com saudades de ver os carros de F1 na pista.
 
Mas a pergunta que não quer calar é uma só: 2016 vai representar um novo ciclo de domínio da Mercedes na F1? Ou a Ferrari finalmente vai voltar ao topo do grid, posição que não ocupa desde 2007? Nos últimos meses, o mundo do esporte debateu com muito afinco sobre o atual momento da categoria, dominada pela cor prateada desde o começo da nova ‘Era Turbo’, a partir de 2014, com muitos fãs da F1 sonhando com o fim da supremacia da Mercedes. Entretanto, o regulamento quase intacto em relação ao ano passado não permite dizer, ainda, que vai haver uma mudança significativa na ordem de forças da F1.
A Mercedes deu as cartas na F1 nos últimos dois anos. E tem tudo para seguir dominando o esporte em 2016 (Foto: Getty Images)
Contudo, tal perspectiva não significa necessariamente que o Mundial de 2016 vai ser desinteressante. Ainda é difícil imaginar os efeitos da alteração do regulamento no que tange aos pneus. A partir deste ano, as equipes vão ter uma liberdade um pouco maior, podendo escolher entre três dos cinco compostos [uma das novidades é a adoção dos pneus ultramacios, restritos aos circuitos urbanos] de pista seca fabricados pela Pirelli para um fim de semana de GP. Entretanto, diante de algo ainda bastante confuso, é preciso ver como a ação vai corresponder na pista e como cada time vai poder tirar proveito disso.
 
Pouca coisa mudou em relação ao ano passado também em termos dos pilotos do grid. O grande destaque é a chegada da Haas, primeira equipe norte-americana da F1 em 30 anos. A escuderia, dona de um histórico vencedor na Nascar, trouxe de volta Esteban Gutiérrez, que ganhou uma nova e rara segunda chance na F1, além de ter contratado o talentoso Romain Grosjean, que construiu sua carreira na categoria correndo por Enstone, seja na Renault ou na Lotus.
 
A Renault, depois de uma longa novela envolvendo a compra da Lotus, está de volta ao Mundial e vai promover a estreia de Jolyon Palmer. O time também dispensou Pastor Maldonado — fora da F1 depois de cinco temporadas — para dar lugar a Kevin Magnussen. E a Manor, por sua vez, teve uma bela ‘forcinha’ da nova fornecedora de motores, a Mercedes, para contratar o promissor alemão Pascal Wehrlein. Mas o time é o único que ainda não fechou sua dupla de pilotos. Dupla que pode virar um quarteto, uma vez que considera revezar Will Stevens, Alexander Rossi e o ‘indonésio 75% rico' Rio Haryanto no segundo carro, diz o jornal finlandês 'Ilta Sanomat'.
 
As outras oito equipes do Mundial mantiveram suas respectivas duplas para 2016, apostando na continuidade dos trabalhos deste último ano antes da revolução no regulamento técnico prometida para a próxima temporada.
 
 
Perspectiva de domínio da Mercedes
 
A mesma continuidade em termos de piloto na maioria das equipes também deve se repetir no que diz respeito aos novos carros, sobretudo na Mercedes. Apostando firme e forte no velho chavão ‘em time que se está ganhando não se mexe’, a equipe bicampeã do mundo teve contar com poucas mudanças visualmente significativas no W07, mas “com um ou dois conceitos interessantes”. Mas o motor, uma das grandes forças do time e que já assombrou o mundo da F1, sobretudo do GP da Itália em diante, vem ainda mais forte: fala-se, inclusive, em uma unidade de potência acima dos 900 cv.
 
Sem muito o que inventar diante de um regulamento quase imutável, cabe à Mercedes fazer o feijão com arroz para manter seu domínio na F1. Afinal, foram nada menos do que 32 vitórias em 38 GPs realizados nos últimos dois anos. E aí, prevalecendo a lógica, vai ser interessante ver como seus pilotos vão se comportar. Entre ‘tapas e beijos’, Lewis Hamilton e Nico Rosberg vêm protagonizando uma rivalidade meio fake nos últimos anos. Nada que se compare aos duelos entre Ayrton Senna e Alain Prost ou, para usar o exemplo mais recente, nem chega aos pés da efervescente treta entre o próprio Hamilton e Fernando Alonso em 2007, na McLaren.
Resta saber como Hamilton e Rosberg vão lidar com a possibilidade de um novo confronto neste ano (Foto: Getty Images)
Mas vale ficar de olho no que Rosberg vai fazer para finalmente assumir a posição de protagonista na F1. Sua grande performance no fim da temporada passada, quando emendou três vitórias e seis poles nas últimas etapas de 2015 deve ser relativizada: Hamilton já havia conquistado o tricampeonato e nitidamente estava louco para curtir umas férias. Com o placar zerado em 2016, obviamente Lewis não vai abaixar a guarda e lutará como nunca para igualar Sebastian Vettel e chegar a um histórico tetracampeonato mundial.
 
 
A Ferrari como desafiante real
 
Não é exagero dizer que a Ferrari entra em 2016 sob pressão. Afinal, desde quando Kimi Räikkönen conquistou o título mundial em 2007 que a escuderia de Maranello não sabe o que é soltar o grito de campeã. Sergio Marchionne, ávido por uma nova conquista, chegou a afirmar que “seria uma tragédia” ver a Ferrari passar dez anos sem um título. De fato, um jejum de tamanha envergadura não condiz com a história do maior e mais importante time da F1.
 
E Marchionne parece sentir o peso da pressão em suas declarações. Ainda no Natal, o executivo cobrou da Ferrari o status de “equipe a ser batida” logo na abertura da temporada, na Austrália. Um discurso um tanto ousado e até freado por Vettel, que foi claro: “O mais importante é terminar a temporada na frente".
Vettel resgatou a autoestima perdida em Maranello. Mas sua missão agora é ainda mais dura: levar a Ferrari de volta ao topo (Foto: AP)
De olho no topo, a Ferrari não mediu esforços e milhões de euros para finalmente ser uma oponente de verdade da Mercedes. Da equipe alemã, os italianos contrataram Jock Clear, ex-engenheiro de Lewis Hamilton nos últimos anos. Sem falar de todo o projeto do novo carro, que para este ano vem com uma pintura retrô e uma faixa branca na tampa do motor, e na própria unidade de potência, talvez a grande chave para tentar bater a bicampeã do mundo.
 
Mas é uma missão pra lá de ingrata. Se a Mercedes conta com Hamilton no auge da forma e Rosberg louco para batê-lo, a Ferrari tem em Vettel seu grande nome para tentar acabar com a supremacia prateada. Seb teve um ano incrível em 2015 e resgatou a autoestima da Ferrari e de si próprio ao voltar a vencer três vezes. O tetracampeão vestiu de vez a camisa da equipe, como fizera o mestre Michael Schumacher na década passada e, incansável, vai buscar de todas as formas engrossar a disputa com Hamilton e Rosberg.
 
O mesmo não se pode dizer de Räikkönen. Muito longe dos bons tempos de McLaren, Ferrari — na década passada — ou mesmo na Lotus, em 2012 e 2013, Kimi teve dois anos bem apagados no seu retorno a Maranello. Ainda assim, a equipe apostou na sua experiência e lhe deu mais uma temporada de sobrevida na carreira. A Ferrari precisa do finlandês em grande forma para ter dois carros em condições de lutar contra a Mercedes. Resta saber como vai estar a motivação do ‘Homem de Gelo’ naquele que pode ser seu ano derradeiro na F1.
 
 
A luta pelo posto de terceira força da F1
 
Parece claro que, até mesmo pelo poderio financeiro muito superior às demais, Mercedes e Ferrari vão estar alguns degraus acima do resto do grid na F1, como foi no ano passado. A diferença da Ferrari, vice-campeã do mundo, para a Williams, terceira colocada, foi de enormes 171 pontos. Diante de uma configuração semelhante em 2016, nada aparenta que a diferença vá diminuir de forma drástica.
 
Mas a batalha pelo terceiro lugar tem tudo para ser bem interessante. A dona da posição nas duas últimas temporadas foi a Williams, que conta com a dupla de pilotos mais equilibrada do grid, formada por Felipe Massa e Valtteri Bottas, e o excelente motor Mercedes. Só que isso não basta.
 
A Williams vem sofrendo muito com a estabilidade do seu chassi, que não oferece a melhor performance para seus pilotos em condições mais exigentes de traçado ou mesmo na chuva. Em circuitos como Mônaco, Hungria e Cingapura, os últimos FW estiveram muito atrás em termos de desempenho. Rob Smedley, chefe de performance da Williams, endossou o discurso do diretor-técnico Pat Symonds e disse que o maior foco está no trabalho para melhorar o chassi.
Williams, Red Bull e Force India prometem uma briga boa pelo terceiro lugar na F1 em 2016 (Foto: Williams/LAT Photographic)

Só que esta prometida melhora tem de vir rápido, porque duas outras equipes aparecem com um grande potencial para desbancar a Williams do top-3 do Mundial de Construtores: Red Bull e Force India.
 
Pelo seu histórico vitorioso, a tetracampeã Red Bull jamais pode ser descartada, mesmo considerando o terrível ano de 2015, quando passou em branco no quesito vitórias — algo que não acontecia desde 2008. Mas o ponto forte dos taurinos é exatamente o ‘Calcanhar de Aquiles’ da Williams: o chassi. A temporada passada foi um verdadeiro calvário em razão das notórias deficiências do motor Renault, o que fez a cúpula da Red Bull até ameaçar deixar a F1 se não contasse com uma unidade de potência verdadeiramente competitiva para 2016. Muito barulho por nada. No fim das contas, ficou tudo como estava, ou quase: motor Renault, rebatizado com o nome da patrocinadora, a TAG Heuer.
 
Mas a esperança da Red Bull é que a nova unidade de potência construída em Viry-Châtillon seja melhor que a do ano passado — um dos casos em que vai ser difícil ser pior. E aí, se o conjunto chassi+motor encaixar, os competentes Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat vão ter condições de realizar um belo trabalho neste ano, como o próprio Ricciardo fez em 2014 ao vencer três corridas, ou como o jovem russo, que mostrou grande evolução no ano passado, seu primeiro pela Red Bull. Não é nada impossível.
 
E depois de um ano incrível, a Force India também começa 2016 sonhando em avançar no grid. Obviamente, o discurso da cúpula do time de Silverstone é cauteloso, afinal, criar expectativas demais nesta época em que os carros sequer foram à pista é ser ousado demais. Mas, impulsionado pelo histórico quinto lugar no Mundial de Construtores de 2015, obtido depois de uma grande reação no segundo semestre com a especificação B do VJM08, não é de se duvidar que o novo carro seja ainda melhor, considerando também que haverá mais dinheiro em caixa neste ano.
 
Vale lembrar que a Force India começou 2015 atrasada, colocando na pré-temporada o carro do ano anterior, e mesmo a primeira versão do VJM08 não contava com todas as atualizações previstas, apesar do forte motor Mercedes. Mas a partir do GP da Bélgica, o time anglo-indiano pontuou em todas as nove corridas seguintes, feito só igualado pela Mercedes — com uma pontuação bem maior, obviamente. Mas com um bom carro, o melhor motor da F1 e a ótima dupla formada por Sergio Pérez e Nico Hülkenberg, a Force India desponta, sim, até mesmo para lutar de igual para igual com Williams e Red Bull pelo top-3 do Mundial. Vai ser uma briga boa.
 
 
As incógnitas: Renault e Toro Rosso
 
Depois de cinco anos de ausência como equipe de fábrica, a Renault está de volta ao grid da F1. A escuderia diamante põe de novo sua marca no Mundial num momento em que o mais importante é resgatar sua autoestima na categoria. Não é exagero dizer que a Renault foi humilhada pela Red Bull ao longo do ano passado devido aos problemas crônicos do seu motor. E Carlos Ghosn, presidente da montadora, nunca escondeu que jamais morreu de amores pela F1. Mas o brasileiro nascido em Porto Velho foi convencido a efetuar a compra da Lotus e voltar à F1 como equipe.
A Renault está de volta à F1 como equipe de fábrica (Foto: Getty Images)
Mas, ao menos nesta abertura do seu terceiro ciclo como time de fábrica no Mundial, a tarefa da Renault não vai ser das mais fáceis. Embora tenha um grande orçamento — estimado em € 300 milhões (R$ 1,3 bilhão) — por temporada, o time francês vai ter de lidar com dificuldades no seu novo RS16, cujo início do desenvolvimento foi feito ainda pela Lotus, que vivia às voltas com muitos problemas financeiros, e terá um grande ponto interrogação: como vai se comportar o novo motor Renault?
 

A grande carta na manga na fábrica de Viry-Châtillon atende pelo nome de Mario Illien. O guru dos motores foi contratado para supervisionar a concepção da nova unidade de potência da Renault, que sonha em apagar a má impressão deixada no ano passado e busca voltar aos tempos em que seus motores eram os melhores da F1, mais precisamente na década de 90. A dupla de pilotos é boa, porém com uma experiência acumulada de apenas uma temporada. A Renault dispensou Pastor Maldonado e contratou Kevin Magnussen, que vem como principal referência do time depois de ter disputado o Mundial de 2014 pela McLaren. Ao seu lado, o dinamarquês vai contar com Jolyon Palmer, que estreia na F1 após encarar 2015 como reserva da Lotus. O britânico é bom, mas, assim como Kevin, vai sofrer com a falta de ritmo de corrida.
 
Desta forma, a Renault deve retomar sua história na F1 como uma coadjuvante, assim como a Toro Rosso. O time de Faenza se destacou em 2015 por ter um chassi até mais equilibrado que o da matriz Red Bull. Fruto do trabalho de James Key, o STR10 só não entregou resultados melhores aos ótimos jovens Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. em razão dos inúmeros problemas do motor Renault. Só o espanhol abandonou nada menos que sete provas em 2015, todas por conta de problemas mecânicos.
 
Em teoria, 2016 começa diferente para a Toro Rosso, que volta a usar motor Ferrari. Contudo, até que os carros entrem na pista, vai ser difícil avaliar qual o potencial do novo STR11, que vai ser empurrado pela versão de 2015 da unidade de potência de Maranello. Com um desenvolvimento do motor bastante limitado, o ganho de confiabilidade adquirido nesta fase inicial do ano pode prejudicar muito os trabalhos da jovem dupla ao longo do campeonato. Mas se o novo chassi for tão eficiente quanto o do ano passado, o talento de Verstappen e Sainz pode compensar este déficit.
 
 
A McLaren e um ano que só pode ser melhor
 
Diante de toda a expectativa gerada pela retomada da vitoriosa parceria entre McLaren e Honda, 2015 tinha tudo para ser um ano inesquecível. E foi, de certa forma, mas pelo aspecto negativo. Em quatro décadas, jamais a equipe havia feito uma temporada tão ruim quanto a do ano passado. Resultado de um motor ainda muito cru para a F1 que resultou em quebras e num sem número de punições no grid a Jenson Button e Fernando Alonso. Foram míseros 27 pontos (16 de Button e 11 de Alonso) e o nono lugar no Mundial de Construtores, só à frente da Manor, zerada.
 
Impossível, evidentemente, saber o quanto o novo motor da Honda melhorou, mas a promessa de Yasuhisa Arai, chefe esportivo da marca japonesa, é de que o problema crônico no sistema de reaproveitamento de energia esteja definitivamente corrigido, com o time, enfim, conseguindo avançar. A falta de potência causada pela deficiência do ERS foi a principal responsável por Alonso e Button virarem presas fáceis nos trechos de alta velocidade ao longo do ano passado, causando um considerável déficit de até 160 cv.
A esperança da McLaren é deixar no passado o vexame vivido em 2015 (Foto: Getty Images)
Apostando na experiência de Button e Alonso, a McLaren deixou o promissor Stoffel Vandoorne como reserva para 2016 e depositou sua confiança na dupla de campeões do mundo para sair do buraco. Além disso, outra novidade — embora não para tão já — é a chegada do novo diretor-executivo, Jost Capito, que vai trabalhar diretamente com Éric Boullier e vai se reportar a Ron Dennis. Capito, alemão de 57 anos, é um dos responsáveis pelo grande sucesso da Volkswagen, tricampeã do WRC.
 
De fato, a McLaren se mexeu, inconformada e incomodada com um ano que tinha tudo para ser inesquecível, mas que só vai poder mesmo ser lembrado como um ponto de virada, tal qual aconteceu com a Williams no começo da década, antes de o time de Grove voltar a ser uma das potências da F1. Se a McLaren vai ter o mesmo destino, é só o tempo que vai dizer, mas jamais se deve menosprezar a capacidade de trabalho de uma equipe 20 vezes campeã do mundo.
 
 
O que esperar de Sauber, Manor e Haas?
 

Se a luta pelo topo da F1 aponta para um desfecho mais ou menos previsível em 2016, não se pode dizer o mesmo do outro extremo do grid. No ano passado, sem a concorrência da Caterham, a Manor ocupou frequentemente as últimas posições e foi a única equipe a não marcar pontos na temporada. Mas é bem possível que tal quadro mude de forma significativa para este ano. Não apenas por que a Manor conta com um pacote técnico melhor e motores Mercedes, mas também pela estreia da Haas, uma espécie de Ferrari B, as duas com expectativa de lutar por pontos neste Mundial. Quanto à Sauber, tudo ainda é uma grande incógnita.
 
A equipe de Felipe Nasr e Marcus Ericsson vai começar atrás de todas as suas oponentes. O C35, carro com o qual vai disputar a temporada 2016, só vai ser apresentado em 1º de março e terá apenas quatro dias de testes em Barcelona antes de embarcar para a estreia em Melbourne. Um período muito curto para que seus pilotos possam entender o novo modelo e acumular uma quilometragem adequada nesta época.
A Haas chega à F1 com a expectativa de não fazer feio no seu ano de estreia (Foto: Getty Images)
O motor Ferrari é a grande arma da Sauber para não fazer feio em 2016, mas só motor razoável não é o suficiente. Em 2015, faltou dinheiro para um desenvolvimento adequado do carro, e isso se refletiu nos resultados obtidos por Nasr e Ericsson, sobretudo no segundo semestre do ano passado, quando as outras equipes cresceram e a Sauber estagnou.
 
Além disso, a Sauber tem contra si uma equipe totalmente nova, mas que tem a poderosa Ferrari como sua parceira. A Haas chega à F1 respaldada pela sua história de sucesso na Nascar e pela seriedade de Gene Haas e Guenther Steiner. Trata-se de um projeto ambicioso que tem como objetivo para seu ano de estreia figurar com frequência no pelotão intermediário. Não é nenhum devaneio sonhar com tal posição. Diferente da Sauber, o novo time norte-americano da F1 vai estrear seu carro na abertura da pré-temporada e terá oito dias para avaliar o funcionamento do modelo até a abertura do campeonato.
 
A Haas conta com um pacote confiável, compreendendo motor e câmbio desenvolvidos pela Ferrari. A questão diz respeito ao chassi, que está sendo desenvolvido em parceria com a Dallara, que teve uma última experiência bem ruim na F1 ao trabalhar na concepção do primeiro carro da HRT na F1, o F110, um projeto que foi sinônimo de fracasso. Mas tem em seu favor a experiência e o talento de Grosjean para ter um ano de estreia bem-sucedido. Sobre Gutiérrez, é preciso esperar. O mexicano teve dois anos bem ruins na F1 pela Sauber e tem uma chance de ouro para finalmente mostrar do que é capaz.
 
Assim como se espera uma Haas competitiva logo de cara, dá para esperar um panorama semelhante ao da Manor. No rol das piores equipes desde quando ingressou na F1, ainda como Virgin, em 2010, o time seguiu no fundo do grid quando virou Marussia e assim continuou até o ano passado, quando correu com um carro adaptado de 2014 e também com um motor Ferrari de especificação antiga.
 
Mas muita coisa parece ser diferente na Manor para 2016. A começar de cima, já que Graeme Lowdon e John Booth foram movidos para um surpreendente projeto da equipe no Mundial de Endurance na LMP2. Chegaram os ex-Ferrari Pat Fry e Nikolas Tombazis, reforçando o departamento técnico. Mas o principal reforço não veio de Maranello: trata-se do cobiçado motor Mercedes, tão desejado pela Red Bull, mas que ficou com a nanica Manor, time que sonha em crescer.
Nasr minimizou o atraso no lançamento do Sauber C35, previsto apenas para 1º de março (Foto: AP)
Toto Wolff chegou a falar nesta semana que não descarta fazer da Manor uma espécie de Mercedes B, trabalhando em uma parceria semelhante a de Ferrari e Haas. Por enquanto, é só uma possibilidade, mas a contratação de Pascal Wehrlein, reserva da Mercedes e mais jovem campeão da história do DTM como titular do time britânico mostra que a ligação com a fábrica alemã tem tudo para ser ainda mais estreita.
 
Mas o DNA de time pequeno ainda segue colado à Manor. Prova disso é que a equipe é a única, ao menos até o momento, que não fechou sua dupla para 2016. Enquanto Wehrlein está garantido, a escuderia cogita revezar três pilotos no segundo carro ao longo do campeonato. Em termos de dinheiro, talvez seja uma solução plausível, mas que não deve acrescentar muita coisa em termos de performance e mesmo sobre o crescimento do time em si. De qualquer forma, a expectativa é de que até a Manor tenha um ano melhor em 2016.
 
Sendo assim, algumas das perguntas começarão a ser respondidas a partir da próxima segunda-feira em Barcelona. Mas é sempre bom ter cautela com os resultados e tempos de volta que, na pré-temporada, nem sempre costumam refletir a realidade. De modo que só mesmo a partir do fim de semana do GP de abertura do Mundial, na Austrália, entre 18 e 20 de março, o fã da F1 vai ter uma real noção de como vai ser a dinâmica da categoria em 2016, prometendo ser bem mais agitada do que foi o modorrento ano passado.



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