F1
03/07/2015 08:00

Conta-giro: A fila anda, mas quem é o próximo brasileiro com chances de entrar no Mundial de F1?

Felipe Nasr conseguiu aliar bons resultados na base a um patrocínio forte para ingressar no Mundial de F1 em 2015. Mas, depois de sua chegada à principal categoria do planeta, quem é o próximo brasileiro da fila? É o que o GRANDE PRÊMIO trata agora
Warm Up
RENAN DO COUTO, de São Paulo
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Depois de dois anos contando apenas com Felipe Massa, a chegada de Felipe Nasr em 2015 deixou o Brasil outra vez representado por dois pilotos no grid do Mundial de F1.
 
E o desempenho da dupla de Felipes no primeiro semestre foi bom, o que leva a crer que, ao menos por mais um ano ou dois, eles terão alguma estabilidade. Massa vem de um pódio no GP da Áustria e está em sexto no campeonato – é seu melhor início de ano desde 2010. Nasr foi quinto na estreia na Austrália e ocupa o 11º posto com o não mais que mediano carro da Sauber.
 
Mas o que vem depois? É aí que reside a dúvida não só de quem acompanha o automobilismo, mas também de quem está no meio. Não é nem da busca pelo novo Ayrton Senna que estamos falando, mas da procura pelo próximo piloto brasileiro com chances reais de estrear na F1 – o que dificilmente acontecerá antes de 2017.
Há algumas semanas, Massa tocou no assunto mostrando preocupação. “O Nasr é mais jovem e está aqui para aprender e tentar permanecer o máximo possível na F1. Espero que possa ter uma longa carreira na F1 e que possa lutar por vitórias e títulos. Tomara que possa fazê-lo porque, no momento, não vejo outro nome”, avaliou o piloto da equipe Williams.
 
Na sequência, ele citou dois que talvez possam chegar ao campeonato no futuro, ambos com sobrenomes campeões: “Talvez o Pietro Fittipaldi, que corre na F3 Europeia, e o Pedro Piquet, que corre no Brasil, mas é um campeonato desastroso, espero que ele venha à Europa”.
 
O resumo do pensamento de Massa, compartilhado por várias outras pessoas, é: a fila anda, mas é difícil saber, hoje, onde ela começa.
Em Melbourne, no mês de março, Felipe Nasr chegou em quinto para garantir a melhor estreia de um brasileiro na história da F1 (Foto: Getty Images)
De onde vêm os pilotos?
 
Nas últimas duas temporadas, pilotos formados em quatro categorias diferentes chegaram à F1: GP2, World Series, F3 Europeia e GP3. Teoricamente – afinal, os últimos três campeões não conseguiram o acesso –, a GP2 é a principal delas.
 
“Eu seria o próximo”, diz André Negrão, 23, o único brasileiro no grid da GP2, em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. O piloto de 23 anos, que disputou três temporadas na World Series e está em sua segunda na GP2, concorda que a ordem da fila não está clara. Ele citou falta de incentivo ao esporte no país e a própria condição financeira da F1 como fatores que atrapalham. “Do jeito que está a F1 hoje, é complicado. Não é só ter talento, é preciso ter um grande patrocinador por trás para poder ajudar. Infelizmente, o Brasil está em uma fase ruim, mas nada impede de ter novos pilotos na F1. Pedro Piquet, o filho e o neto do Fittipaldi, eu, o Fantin.”
 
Este ‘primeiro escalão’ ainda inclui outros quatro pilotos. Na World Series, são mais dois: Pietro Fantin, 24, em seu terceiro ano e provavelmente último ano na categoria, e Bruno Bonifácio, 20, que estreia em 2015. E, na F3 Europeia, correm Pietro Fittipaldi, 19, e Sérgio Sette Câmara, 17. Na GP3, não há brasileiros.
Bruno Bonifácio teve bons anos na F-Abarth, na F-Renault Alps e até mesmo na F-Renault Europeia, mas ainda não emendou bons resultados na World Series (Foto: Prema)
“Hoje, meu objetivo é ser piloto profissional. A F1 é o sonho, claro, nunca diga nunca. Mas eu olho também para o DTM, a LMP1, que são categorias fortes com pilotos profissionais”, comenta Bonifácio ao GP. Quinto colocado na F-Renault Europeia em 2014, ele tem a intenção de permanecer na World Series por mais uma temporada.

Bonifácio crê que a baixa quantidade de pilotos nas principais categorias de base na Europa é um fator negativo. "São poucos brasileiros. Falta informação e muita gente não se prepara direito. Aqui, o buraco é mais embaixo. Apoio também falta, mas não 100%, pois tem gente que tem condições e que consegue o apoio", ressalta.
 
Já a dupla da F3 Europeia realmente sonha e fala com clareza que o foco é buscar uma vaga na elite do automobilismo. Mas, ao contrário do que fez o holandês Max Verstappen, não terão a chance de saltar diretamente para a F1 após apenas um ano de F3. Seus caminhos serão um pouco mais longos, provavelmente com a GP2 ou a World Series pela frente.
 
“Acho que depois do Nasr tem um ‘gap’, um espaço. Normalmente tinha muitos pilotos brasileiros um depois do outro. Agora, depois do Nasr, tem alguns na World Series, na GP2, mas não tantos como antes, e fica mais difícil”, fala ao GP o neto de Emerson Fittipaldi, que foi campeão da F-Renault Inglesa em 2014. “Tem alguns pilotos bons, da minha idade, que podem chegar, e eu quero ser um deles.”
Pietro Fittipaldi foi campeão da F-Renault Inglesa em 2014 e está na F3 Europeia em 2015 (Foto: site oficial)
“Meu sonho é chegar à F1, mas o mais importante é se profissionalizar no esporte para que eu possa fazer o que mais gosto por muitos anos da minha vida”, afirma o mineiro Sette Câmara ao GP. "Estamos no campeonato certo, e de momento tenho que concentrar em conseguir o máximo de experiência possível e também ter bons resultados."

Recentemente, na etapa de Spa-Francorchamps, ele anotou seu primeiro pódio na F3 Europeia. Ele é um pouco mais otimista com relação à geração de pilotos. “No início deste ano, alguns pilotos brasileiros do kart vieram para a Europa e estão correndo de fórmula, então penso que, nessa idade de 16, 17 anos, temos alguns pilotos com chances”, avalia.
 
Posições nos campeonatos até o momento
André Negrão – GP2 – 20º colocado, 3 pontos
Pietro Fantin – WS – 10º colocado, 26 pontos
Bruno Bonifácio – WS – 20º colocado, 1 ponto
Pietro Fittipaldi  - F3 Euro – 18º colocado, 16 pontos
Sérgio Sette Câmara – F3 Euro – 19º colocado, 15 pontos
Sette Câmara no pódio da F3 Europeia (Foto: Flávio Quick)
A questão da superlicença
 

Antes da resposta, um breve exercício para o leitor: dentro do novo sistema de pontuação criado pela FIA para a obtenção da superlicença, que distribui pesos diferentes para as categorias e exige um mínimo de 40 pontos para que o piloto esteja apto a entrar na F1, quem é o brasileiro melhor classificado? Detalhe: apenas os resultados dos últimos três anos são levados em conta.
 
Pensou bem? Achou estranho ser ele? Pois é ele mesmo: Helio Castroneves. A Indy também faz parte da tabela publicada pela FIA, e o veterano tem dois vices nas últimas duas temporadas e está em quarto em 2015, totalizando 70 pontos. Mas a F1 é uma página virada há mais de uma década na vida do piloto de 40 anos. Terceiro na F-Renault Alps em 2013, Bonifácio tem um ponto, e Negrão e Fantin ainda estão no zero.
 
Por outro lado, Pedro Piquet, por ser o atual campeão da F3 Brasil, tem dez pontos.
 
Luiz Razia, vice-campeão da GP2 em 2012, conta ao GP que considera “fantástico” este novo sistema da FIA. O baiano, que chegou a assinar com a Marussia para 2013, mas perdeu a vaga por questões financeiras, destaca que agora o piloto precisa não só de um bom patrocínio, mas também de resultados na base. “É um bom filtro, acho muito legal. Veio na hora errada, tinha de ter vindo antes, mas é bom para o futuro. O piloto tem que ter patrocínio e resultado, mais do que justo”, diz. No mesmo ano de 2013, estrearam na F1 Max Chilton e Giedo van der Garde, respectivamente na Marussia e na Caterham, pilotos que não atenderiam aos novos pré-requisitos da superlicença.

E os brasileiros que hoje estão a um passo da F1 ainda não conseguiram aliar o que é fundamental, segundo ele. "Eu concordo plenamente com o que o Massa falou. Apesar de ter alguns pilotos na Europa, a gente fica meio que sem saber quais destes teriam as condições de poder ir subindo os degraus. Primeiro, por expressão de resultados. E pela parte financeira. Não vejo nenhum com um patrocínio como o que tem o Felipe Nasr", analisa.
Castroneves não é bem uma revelação do automobilismo brasileiro em busca de um lugar na F1 (Foto: IndyCar)
Dono de sete títulos brasileiros de kart e campeão da F3 Japonesa em 1991, e hoje trabalhando como ‘coach’ em diversas categorias de base na Europa, o ex-piloto Paulo Carcasci é outro que aprova o sistema, inclusive este trio da GP2 e da World Series. “Isso é excelente”, comenta.
 
Todavia, o sistema não é unanimidade. Há duas semanas, o tetracampeão Sebastian Vettel disse que esta é apenas mais uma regra criada para gerar confusão. Críticos também já destacaram que campeões não teriam entrado na categoria se esta regra estivesse em vigor, como Ayrton Senna, Michael Schumacher, Mika Häkkinen. Enquanto a regra valer, e com os pesos hoje estabelecidos pela FIA, os novos campeões terão de se ajustar.
 
Até quando é possível obter um salto de performance?
 
Para Negrão, este é o quinto ano competindo nas duas categorias que mais levaram pilotos à F1 na última década. Seu plano para o futuro, no momento, está em stand-by: ele aguarda mais informações a respeito da nova categoria que está sendo preparada pela FIA, a F2, que será a mais importante na escada para a F1 em termos de pontos para a obtenção da superlicença.
 
Essas cinco temporadas podem parecer tempo demais, porém, para os campeões, tem sido preciso esperar. O último a conquistar o título em seu ano de estreia foi Nico Hülkenberg, em 2009. O que faz o belga Stoffel Vandoorne, que domina a categoria em 2015 apenas em seu segundo ano, é exceção, e não a regra.
 
O próprio Razia é um exemplo de piloto que demorou para emplacar. Foram quatro anos de GP2, e só no último, o do vice, ele fechou entre os dez primeiros na classificação. “O calibre dos pilotos é muito igual. Você quase não vê diferença entre um e outro. Se eu fosse chefe de equipe, estaria de olho em quem ganha no primeiro ano. Isso é muito difícil hoje em dia. Houve casos, como o Nico Hülkenberg, um puta piloto”, fala. “Agora, não existe uma receita. Você precisa fazer o tempo necessário para amadurecer, ter resultado e mostrar o piloto que você é. O ideal, que eu acho, é dois anos. Um para adaptar, outro para ganhar. Para impressionar, é ganhar no primeiro ano, o que é muito difícil, e existem pilotos que ficam anos e impedem que o novato chegue e mostre de fato resultado.”
Negrão corre pela equipe Arden, de Christian Horner, na GP2 em 2015 (Foto: GP2 Media)
Negrão diz que a GP2 é uma categoria à qual é muito difícil se adaptar, devido à falta de treinos, e que, neste sentido, a World Series está muito à frente. Mas o apelo promocional de correr diante da F1 – e com maior exposição no Brasil – o levou a trocar de grid no início da temporada 2013.
 
“O problema é que na GP2 não tem treino e tem um pneu muito ruim, que é o Pirelli. Então você demora muito para pegar como que ele funciona, como gerenciar voltas rápidas. Pode dar uma volta rápida, outra não. Por isso que você vê caras como o Johnny Cecotto, sete anos na GP2, e mesmo assim nunca ganhou. Tudo bem, é fora do normal. Mas o Palmer, campeão no ano passado, fez quatro anos. O Nasr fez três. Quer dizer, ninguém consegue chegar e ser campeão. Poucos treinos, testes, é uma categoria que, para quem está tentando subir para a F1, é justamente o contrário”, fala. “Passei para a GP2 para aparecer mais no Brasil, por ser mais fácil conseguir patrocínio. Ajudou. Nada que seja ‘nossa senhora’, mas ajudou.”
 
Isso tudo que Negrão cita torna o custo-benefício da World Series, muito mais barata que a GP2, melhor, na visão de Bonifácio. “O custo-benefício é muito grande. A World Series é a categoria principal do fim de semana, então tem mais treinos. O tempo de pista é quase metade disso na GP2, a mesma coisa na GP3”, elogia.
 
O ‘segundo escalão’
 

Pensando no longo prazo, há uma lista um pouco maior de pilotos competindo em outras categorias de base na Europa, mas ainda um patamar abaixo – portanto, com uma estrada mais longa pela frente até a F1: Bruno Baptista (F-Renault Alps), Giuliano Raucci e João Vieira, (F4 Italiana), Henrique Baptista e Victor Baptista (F3 Open), Mauro Auricchio (F4 Alemã), Matheus Leist e Rafael Martins (F4 Inglesa) e Thiago Vivacqua (F-Renault Europeia).

Deste grupo, dois cujo talento Carcasci destacou foram Raucci e Leist.
 
Falta uma porta de saída para o kart
 
A lista cresce quando adicionados a ela os pilotos da F3 Brasil, mas o principal problema da formação dentro do país é a falta de uma porta de saída para o kart – um consenso dentro do automobilismo nacional.
 
Seria preciso existir uma classe intermediária entre o kart e a F3 Brasil, o que, em âmbito nacional, não há. Ao mesmo tanto, a distância é grande entre a F3 daqui e os campeonatos de fora, apesar da reestruturação realizada em 2014 e do subsequente aumento nos grids.
Pedro Piquet já foi campeão da F3 Brasil em 2014 e ficou nela neste ano para lutar pelo bi (Foto: Duda Bairros)
Mas, ainda antes disso, Carcasci pensa que um outro ajuste seria importante: derrubar a permissão para que pilotos de 15 anos possam estrear nos carros. É cedo demais. “O kart perdeu muito, a gente vive no kartódromo e sabe disso, e o automobilismo também. São poucos os garotos que andam de kart aos 17, 18 anos, e com o sonho de continuar a carreira. Nem no Brasil, nem na Europa. O kart perdeu uma grande quantidade de praticantes, e o automobilismo também: o moleque de 17 anos que não foi correr de carro porque não tem dinheiro, e não anda de kart também. O de 19 anos tem muito mais cabeça para andar de carro. O automobilismo ganharia muito se a FIA mudasse essa regra de novo”, acredita.
 
Já com relação ao hiato existente entre a base do Brasil e a da Europa, ele cita o caso de Matheus Leist – vice-campeão da Seletiva de Kart Petrobras em 2014 e na F3 Brasil Light em 2014. “Ele teve resultados médios na F3 e veio correr na F4, que normalmente tem os estreantes, os que vêm do kart na Europa, e venceu só uma corrida. Se tivesse ido andar na F3 Europeia, um passo só acima da F3 brasileira, estaria andando pra lá de 20º, com certeza”, opina.
 
Refazendo o caminho
 
Razia considera que percorreu uma trajetória adequada rumo à F1. Mas, se hoje fosse jovem outra vez e tivesse de preparar as malas para deixar o país para buscar o sonho de ser piloto, iria é atrás do visto norte-americano.
 
“Eu sairia direto para os Estados Unidos e faria a USF2000, a Mazda e a Indy Lights. Considero a Europa como uma pirataria, os caras tentam sugar o máximo de dinheiro. Tudo é muito caro e inacessível para quem quer criar carreira sem patrocínio, e os Estados Unidos são muito mais justos nessa parte”, diz.
Razia perdeu o título da GP2 para o italiano Davide Valsecchi, que também não entrou na F1 (Foto: GP2)
“Você investiria na USF2000, que custa US$ 80 mil e, se for campeão, correria de graça na ProMazda. Se fosse campeão, correria de graça na Indy Lights no ano seguinte. E mesmo que tivesse que repetir um ano, não seria grande problema. A Mazda custa US$ 200 mil, coisa que você não faz nada na Europa”, comenta. Hoje, um que está tentando percorrer este caminho é o paulista Victor Franzoni, que obteve bons resultados enquanto kartista e chegou a tentar a base na Europa, mas se mudou no ano passado para os EUA.
 
No fim da escada, está a Indy, que é mais cara. “Mas, se até lá você mostrar resultado, você teria uma chance, como vários outros pilotos. Tristan Vautier, Rafa Matos, Helio Castroneves, James Hinchcliffe, vários. E não posso citar, hoje em dia, campeão e vice da GP2 que foram para a F1, completa Razia.
 
O conselho que Nasr, 22, dá aos que vêm depois se resume, basicamente, em uma palavra: paciência. “Tudo tem de ser feito na hora certa, sem dar um passo maior que a perna. Hoje eu me sinto muito melhor preparado do que três, quatro anos atrás. Como piloto, como pessoa, no entendimento da parte técnica, mentalmente, fisicamente, então eu acho que estou chegando em uma idade muito boa na F1. Para essa molecada que começa agora, é ter paciência, ter calma e passar por todas essas fases”, declarou ao ser perguntado sobre o assunto pelo GP ainda no início do ano.
UMA QUESTÃO CÍCLICA?

Não são apenas os pilotos brasileiros que precisam responder perguntas a respeito do futuro no Mundial de F1. Há duas semanas, no fim de semana do GP da Áustria, os alemães também falaram a respeito de sua sucessão. E o tetracampeão Sebastian Vettel minimizou a questão. Hoje, o grid conta com ele, Nico Rosberg e Nico Hülkenberg, mas não há nenhum germânico se destacando nas categorias de base no momento. "É natural que tenha altos e baixos assim. Não quero falar nomes agora para não colocar pressão em ninguém, mas tem um ou dois. É verdade que é um número pequeno se comparado ao que havia dez anos atrás, mas é natural, ainda mais se você olhar o kart. A Alemanha tem hoje um dos principais campeonatos da Europa", avalia. (Foto: AP)
O momento de desistir da F1
 
Há 24 anos, na capa da edição da ‘Folha de S.Paulo’ que noticiava o tricampeonato de Ayrton Senna, um box chamava a atenção para três “meninos”: Rubens Barrichello, Christian Fittipaldi e Paulo Carcasci.
 
Os dois primeiros eventualmente ingressaram na F1. Carcasci, então campeão da F3 Japonesa, não. Ele já era mais velho que os outros dois, tinha 27 anos na época, mas conta que seu erro foi não ir atrás de uma chance: imaginou que, por seus resultados, a oportunidade apareceria. “E não é assim que acontece”, reconhece.
 
“Esse campeonato que venci tinha 53 carros e uns dez pilotos bem pagos para correr. Meu carro está no museu da Toyota. Para mim, foi fantástico. No outro ano, venci a primeira da F3000 em Fuji. Saiu na ‘Autosport’ inglesa uma matéria me chamando de ‘King Carcasci’. Ganhei do Ratzenberger, do Cheever, do Irvine, sei lá mais quem estava na pista. ‘Esse cara merece um lugar na F1’, eu imaginava. Nunca ninguém veio atrás, corri mais um ano de F3000 e desisti”, relata.
 
“Depois eu entendi o que fizeram os meus contemporâneos. Iam atrás e tinham empresários para vendê-los. Voltavam para a Europa constantemente, sempre posição na F1. E eu nunca fiz nada disso. Achava que ‘qualquer dia desses me liga o Ron Dennis ou o Eddie Jordan’”, admite.
 
A única chance foi aparecer anos depois, em 1995, na Pacific, convite feito por Bertrand Gachot. Mas seriam necessários US$ 300 mil para disputar duas provas. “Esse foi meu maior erro como piloto, não ter corrido atrás”, lamenta. “O piloto tem que se vender, não adianta guiar bem o carro.”
Neste ano, Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi tiveram bastante sucesso e chamaram a atenção correndo na F-E. Piquet foi o campeão (Foto: AP)
“Não há necessidade de ter brasileiro na F1”
 
Apesar de toda a importância da F1 para o automobilismo brasileiro, e do Brasil para a F1, hoje em dia não é mais necessário ter um piloto brasileiro na categoria máxima do esporte a motor. É o que pensa Luiz Razia.
 
O piloto, que vai disputar o Rali dos Sertões neste ano e está de olho em oportunidades de voltar ao automobilismo internacional, destaca que a pluralidade de categorias e de meios para acompanhá-la faz com que deixe de ser essencial que existam brasileiros no grid da F1.
 
“O Emerson abriu as portas, e a F1 é o sonho do piloto brasileiro. Mas hoje o público é muito mais diversificado, não existe mais o monopólio que existia no tempo do Senna, do Piquet. Hoje o público tem mais plataformas para seguir o automobilismo, tem gente que gosta de Nascar, de Indy, de Stock Car, de F-Truck, de tudo”, argumenta. “E o piloto, de uma forma geral, quer ser pago para fazer o que faz melhor. Todo piloto gostaria disso.”
 

CONTA-GIRO
E pra você, há alguma luz no fim do túnel verde e amarelo?

Posted by Grande Prêmio on Sexta, 3 de julho de 2015


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