F1
15/11/2016 15:19

Depois de 35 anos no comando, Ron Dennis confirma renúncia e deixa presidência do Grupo McLaren

Por vontade dos acionistas, Ron Dennis precisou deixar a presidência do Grupo McLaren. O dirigente inglês estava à frente da tradicional equipe desde 1981. Sob sua liderança, foram dez Mundiais de Pilotos e sete entre os Construtores na F1
Warm Up
EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
 

O mandato de Ron Dennis como chefão da McLaren chegou ao fim. Aos 69 anos, o inglês se viu sem alternativa e teve de abrir mão do comando da tradicional equipe da F1 — e as empresas que formam o grupo McLaren —, onde ocupava o cargo de presidente e diretor-executivo. Dennis lutou até o fim para não ter de desistir do posto — chegou até mesmo a apelar junto à Alta Corte na semana passada —, mas acabou sem escolha. O dirigente foi afastado por uma decisão dos sócios da marca inglesa, após uma reunião nesta terça-feira (15). Ron vai seguir como membro do Conselho da empresa.

O icônico chefe britânico, um dos pilares dos grandes anos de Ayrton Senna na F1 entre 1988 e 1993, passou a ser o centro de muitas notícias a respeito do seu futuro na empresa nos últimos meses. E isso também foi reforçado pela informação de que consórcio não identificado chinês fez uma proposta para adquirir a McLaren pelo valor de £ 1,65 bilhão — pouco mais de R$ 7 bilhões, informou na última sexta-feira a emissora inglesa Sky Sports.
 
Na verdade, Dennis possui 25% das ações do Grupo McLaren, enquanto seu parceiro de longa data, o saudita Mansour Ojjeh, detém outros 25%. Os 50% restantes estão nas mãos do fundo de investimento barenita Mumtalakat. Entende-se que o estilo de autocrático de Dennis e sua pouca adaptação à um sistema de gestão moderna tenham sido os motivos pelos quais os acionistas pediram a saída do inglês.
 
O inglês se juntou à McLaren em 1980 e assumiu o controle total da equipe em 1981. O dirigente levou o time à um período de domínio na F1 na segunda parte dos anos oitenta e também no final dos anos noventa. Sob seu comando, a esquadra de Woking conquistou dez títulos de pilotos com Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna, Mika Häikkinen e Lewis Hamilton, além de sete Mundiais de Construtores.
Ron Dennis vai deixar o comando da McLaren (Foto: Getty Images)

No entanto, a McLaren atravessa tempos difíceis, especialmente depois da decisão de se juntar à Honda em 2015 - na nova era dos motores híbridos V6 turbo. Por conta da ineficiência das unidades de potência japonesas, o time inglês viveu seu pior campeonato na F1 no ano passado. Além disso, a equipe também sofreu perdas sérias de patrocinadores e ainda não conseguiu fechar com uma grande apoiadora.
 
O envolvimento de Ron com a F1 começou como mecânico aos 18 anos. O inglês deu seus primeiros passos na equipe Cooper, antes de ir para a Brabham dois anos mais tarde, em 1968. Depois de se aventurar na F3 e F3, onde criou a empresa Project Four, Ron voltou à F1 e iniciou os trabalhos com a McLaren em setembro de1980.
 
Um ano depois, a equipe se tornou a McLaren Internacional no que Dennis chamou de "uma aquisição inversa". 18 meses mais tarde, o britânico, com então 32 anos, tomou o controle majoritário da equipe. Manour Ojjeh se juntou a Ron como acionista em 1984 e vem sendo sócio desde então.

O Grupo McLaren, por sua vez, criou um Comitê Executivo para administrar a empresa em caráter provisório até que seja nomeado um novo diretor-executivo para substituir Dennis. Em comunicado, a equipe agradeceu os serviços prestados pelo dirigente. "Durante os últimos 35 anos, o papel de Ron no sucesso da McLaren foi colossal. Foram 17 campeonatos mundiais, o que o tornou um dos líderes mais bem-sucedidos da história da F1. Assim como o fundador da McLaren, Bruce McLaren, Ron também sempre será um grande nome do esporte. Mas agora, o Grupo busca um novo diretor, mas até que isso aconteça, foi criado um comitê para dirigir a empresa de forma provisória", afirmou o time em nota.

Confira o comunicado de Ron Dennis na íntegra:

Ron Dennis confirma que foi obrigado hoje a renunciar e deixar seus cargos de presidente e executivo-chefe do Grupo McLaren, tendo liderado e crescido com o negócio de forma criativa nos últimos 35 anos. Isto aconteceu por uma decisão dos acionistas majoritários, que agora o colocaram em um afastamento remunerado.

Dennis permanece no Conselho de Administração do Grupo e ainda como um acionista importante para a empresa. Ele pretende honrar seus compromissos com o Grupo, antes de lançar um novo fundo de investimento em tecnologia em 2017.

"Estou desapontado com a decisão dos principais acionistas da McLaren, que me forçaram a assumir uma licença remunerada, apesar das fortes advertências do restante da equipe sobre potenciais consequências dessas ações no negócio. Os motivos foram ilegítimos. O meu estilo de gestão é o mesmo que sempre foi e é aquele que permitiu à McLaren se tornar o que ela é hoje, uma equipe que venceu 20 campeonatos de F1 e que cresce em um negócio de £ 850 milhões (R$ 3,6 bilhões) por ano. Durante esse tempo, trabalhei de perto com uma série de colegas talentosos e que nos colocaram na vanguarda da tecnologia. E a eles sempre serei extremamente grato", disse Dennis.

"Em última análise, ficou claro para mim que, por meio deste processo, nem o grupo e nem a Mumtalakat compartilham da minha visão sobre a McLaren e seu verdadeiro potencial de crescimento. Mas a minha primeira preocupação é com o negócio que construí e com os 3.500 funcionários. Vou continuar a usar a minha participação significativa nas empresas para proteger os interesses e os valores da McLaren, ajudando a moldar o seu futuro".

"Além disso, pretendo lançar um novo fundo de investimento em tecnologia depois que meus compromissos contratuais com a McLaren estiverem encerrados. Isso vai capitalizar a minha experiência, os meus recursos financeiros, juntamente com o investimento externo para prosseguir as muitas oportunidades comerciais que me foram oferecidas nos últimos anos, mas que foram impossíveis de serem aceitas, por conta de negócios já existentes", concluiu.
 
Atualmente, a equipe está na sexta colocação no Mundial de Construtores, com 75 pontos, e tem em seus cockpits dois campeões: Fernando Alonso e Jenson Button.

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