F1
11/03/2017 04:00

Ferrari desponta como nova equipe a ser batida e mexe com Mercedes. E Massa dá esperança à Williams

A pré-temporada da F1 promete chacoalhar o campeonato – pelo menos no início. A Ferrari está pelo menos no mesmo nível da Mercedes, e pode-se dizer que está à frente pelo que apresentou não só pelos tempos como pela confiabilidade. A Williams também deu um grande salto em relação a 2016. Na outra ponta, a McLaren é uma tragédia em tons de laranja
Warm Up
VICTOR MARTINS, de São Paulo
EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba

Em 2016, a Ferrari foi dona da melhor marca da pré-temporada e deixou no ar a esperança de combater a Mercedes de frente a partir de Melbourne. Só que a performance foi apenas uma ilusão quando o campeonato começou para a valer. A equipe italiana não só estava muito longe, estava pouco competitiva em relação até a Red Bull, que acabou a entrando na briga mais tarde. A esquadra alemã, por sua vez, desfilou como quis e não teve concorrência. Agora, porém, o roteiro parece muito diferente. E mais realista.
 
O que se viu em Barcelona nas duas últimas semanas foi uma Ferrari verdadeiramente forte. O time vermelho, tantas vezes criticado por enfiar os pés pelas mãos na hora de entrar soluções rápidas para seus problemas, mudou de postura. Apostou nos talentos da casa, especialmente depois da saída de James Allison, e viu sua SF70H nascer bem e pronta para a luta.
 
É cedo? É. Pode ser precipitado? Pode. Mas se é para indicar algo ao menos verossímil, a Ferrari passou a Mercedes. Isso é notável nos dias 7 e 8. Sebastian Vettel foi o mais rápido ontem tirando o pé claramente no último trecho, setor 3 da pista, ali no trecho da chicane que leva à reta principal; Kimi Räikkönen tirou o recorde da mão do companheiro com pneus piores: o alemão girou com ultramacios e o finlandês, supermacios. Ficar em silêncio fez bem ao grupo de Maranello. Falaram pouco, trabalharam muito.
 
E talvez esteja aí o segredo ferrarista. De fato, a mudança de postura e de comportamento trabalharam a favor dos italianos. O campeão de 2007, mais quieto do que nunca agora e com o aval da chefia, foi o homem mais rápido dos oito dias de atividades na Catalunha. Na sexta-feira última, Kimi alcançou a marca de 1min18s634 depois de 111 voltas - seria até mais, não fosse uma rodada já na parte final dos trabalhos. Por isso, deixou a impressão de que a Ferrari realmente tem mais performance do mostrou - algo observado também por Lewis Hamilton. Vettel se coloca logo atrás da tabela geral, com 1min19s024 - registro feito na quinta-feira, depois de 156 voltas. Percebe-se aí também uma característica semelhante à da rival Mercedes: a confiabilidade.
Dez anos depois de seu único título, Räikkönen tenta novamente a glória. E parece ter uma Ferrari rápida para isso 

Acesse o Shop Puma e veja os produtos Ferrari #FasterTogether #Puma
Diante do desempenho apresentado pelos recrutas de Maranello, a Mercedes obviamente vai achar alguma solução no intervalo de duas semanas até o GP da Austrália. Mas já se percebe que a tricampeã não está nadando de braçada quando se começa a testar uma série de elementos que até então lhe eram desnecessários. Exemplo é a asa dupla-T, além da própria barbatana na parte traseira. A verdade é que a esquadra chefiada por Toto Wolff testou diferentes peças aerodinâmicas, trouxe atualizações de todo o tipo, mas não conseguiu imprimir um ritmo tão veloz quanto da rival italiana. 
 
Niki Lauda, que não costuma blefar, já fala em ano difícil e chegou a admitir que os novos elementos do carro não funcionaram como esperado. Hamilton já soltou que a Ferrari está pelo menos no mesmo nível. É outro que não costuma também camuflar a situação. Valtteri Bottas parece ter se encaixado bem no time, mas também não vai sair cuspindo abelhas afro-descendentes. A Mercedes vai ter achar um meio segundo aí para brincar de igual para igual.
 
De positivo para os atuais campeões, está a confiabilidade. A equipe não sofreu nenhum grave problema durante as atividades. Foi apenas um contratempo elétrico, no fim da primeira semana. Algo solucionado rapidamente. De qualquer forma, a Mercedes encerrar os testes com expressivos 5.000 km rodados no circuito de Montmeló. 
Valtteri Bottas foi o melhor entre os pilotos da Mercedes (Foto: Mercedes)

A Red Bull é a grande incógnita até agora. É natural dela fazer o papel de marketing para qualquer lado. Max Verstappen e Daniel Ricciardo andaram à sombra, pouco falaram, mas indicam que o RB13 até pode ter nascido bem, mas não está à altura dos dois primeiros. Ainda há o que se buscar do novo motor Renault que dá alguma dor de cabeça à equipe de fábrica e também à Toro Rosso. Neste caso, fica mais uma aposta do que propriamente uma certeza, quase que jogar no Barcelona depois de tomar 4 a 0 do PSG: na primeira parte da temporada: é a quarta força do momento. Atrás da Williams.
 
Quando a equipe inglesa, que trouxe de volta Felipe Massa para fazer dupla com o novato Lance Stroll, a impressão era de que a esquadra faria um papel similar ao do ano passado, tentando ser a melhor do resto. Na pista, com um Massa muito mais relaxado e despojado, mostrou-se que pode ser, no mínimo, a pior das grandes. O carro, acima de tudo, é confiável: anda, anda, anda, e não se encontra um problema. Ao andar em ritmo rápido, teve tempos interessantes. O único pormenor é o segundo piloto. Stroll vai demorar para engatar. OK, começou agora, tá pegando mão da coisa, mas só entenda a comparação com dois nomes jovens e recentes: Verstappen e Esteban Ocon. Deve resumir bem ou fazer com que se pense a respeito.
 
Aliás, o entusiasmo na Williams ficou bastante refletivo em uma análise feita por Rob Smedley, o chefe de desempenho da equipe. Ele já tem uma boa explicação também para o desempenho mais agressivo de Massa. “Os carros novos se parecem mais com os carros de 2008 e dos anos bem-sucedidos de Felipe.” Ao que parece, o tempo de Massa realmente ainda não acabou para a F1.
Felipe Massa voltou com tudo (Foto: Divulgação/Williams)
Das seis equipes restantes, há algumas claríssimas certezas e outras dúvidas por um olhar nem tão atento assim.
 
A não ser que a Honda ache uma nova pólvora, Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne não completam o GP da Austrália e, talvez, os seguintes. É espantoso ver como uma montadora erra a mão duas vezes na fabricação de um produto que deveria ser sua prima donna. Do primeiro ao último dia, o mesmo contratempo crônico de vazamento de combustível e falhas elétricas. O espanhol já sabe que já era, e por isso que não se furta em atacar publicamente a fábrica japonesa. O jovem belga arrisca a seguir o mesmo discurso, porém mais polidamente. A McLaren não conseguiu dar mais do que 11 voltas seguidas em oito dias. O motor beirou ser 30 km/h mais lento; quando a Honda liberou um pouco potência, foi 15 km/h. Fiasqueira total.
 
A Toro Rosso é belíssima. Dá gosto de olhar para o carro. Mas se não se achar com o Renault, há de dar as mãos com os laranjas. Ainda que em menor escala, não houve um dia em que Carlos Sainz e Daniil Kvyat puderam acelerar plenamente o que parece ser um modelo decente, que vem para incomodar o meio do pelotão. Talvez seja o máximo que dê para extrair neste momento.
 
Já se sabe que a Force India tem um problema de peso. Pedir para que seus pilotos, já magros, percam 2 kg até a Austrália é caso uma insanidade. Além de ser um carro esteticamente pavoroso, há alguns pontos a serem resolvidos. Pequenos, segundo o mexicano. No fim das contas, a Force India deve ser a quinta ou sexta força. Ainda assim, a equipe indiana mostrou confiabilidade, mas não a velocidade de 2016.
 
Tem ali a Renault. Há um paralelo com a Williams: a diferença entre os pilotos. Nico Hülkenberg vai carregar a equipe no colo e nas costas, alternadamente, três séries de 12, 40 segundos de descanso. O carro novo resolveu alguns dos problemas do ano passado, mas não é rápido o suficiente para dar o salto pretendido. O que conta a favor é a grana que a montadora vai despejar. A possibilidade de evolução é enorme, mas o motor ainda deixa a deseja. O começo, então, se desenha claudicante para que o fim do ano mostre algo parecido com o quinto lugar no grid entre os times.
Kevin Magnussen e a Haas - melhor que o esperado (Foto: Haas)

Quanto à Haas, há uma evolução evidente em relação a 2016. Os caras trabalharam neste carro há um ano, então não podia sair algo pelo menos confiável. Os tempos de Kevin Magnussen e Romain Grosjean ficaram sempre no meio do pelotão, o que indica uma possibilidade alta de briga por pontos aqui e ali, dependendo da confiabilidade de quem vem na frente.
 
E tem a Sauber. Que vai ser a última colocada do ano caso McLaren e Toro Rosso melhorem.

PADDOCK GP #68 ANALISA SEGUNDA SEMANA DE TESTES DA F1 EM BARCELONA

Últimas Notícias
quinta-feira, 30 de março de 2017
F1
quarta-feira, 29 de março de 2017
MotoGP
F1
F2
F1
F1
F1
F1
F1
F1
F1
Stock Car
Indy
F1
F1
Galerias de Imagens
Facebook