F1
22/12/2016 05:00

Grid da temporada 2017 reflete ‘efeito Rosberg’ com volta de Massa. E F1 tem só três vagas reais em aberto

Nico Rosberg não só chocou o mundo com a decisão de se retirar das pistas após a conquista do título mundial, mas também bagunçou o grid para a temporada 2017 na F1, forçando a Mercedes a buscar alternativas no mercado de pilotos. E a procura da equipe prateada acabou também gerando a chance de Felipe Massa voltar ao campeonato
Warm Up
EVELYN GUIMARÃES, de Leipzig
 

Quando a temporada 2016 terminou em Abu Dhabi, coroando Nico Rosberg como novo campeão, o grid da F1 para o campeonato do próximo ano já estava praticamente fechado. As vagas mais importantes estavam devidamente preenchidas, enquanto os lugares no pelotão intermediário foram acertados nas corridas finais. A dúvida pairava – e ainda paira – sob as duas menores equipes: Sauber e Manor. Na verdade, são três cockpits vazios – um no time suíço, o outro posto já é de Marcus Ericsson, e dois na escuderia inglesa.
 
Mas a expectativa é de que as vagas restantes só sejam anunciadas em 2017, dada a concorrência intensa. Pascal Wehrlein, Felipe Nasr, Esteban Gutiérrez e Rio Haryanto são os pilotos que lutam bravamente por esses postos derradeiros, mas um acerto ainda vai demorar nesta altura do ano. 
 
Só que um fator acabou bagunçando todo esse cenário de quase definição. E esse fator atende por Rosberg. O alemão chocou o mundo do esporte apenas cinco dias depois de ganhar a tão sonhada taça na F1. Rosberg usou as redes sociais e a festa da premiação da FIA para anunciar que havia decidido largar a vida de piloto e, por consequência, a Mercedes. O anúncio caiu como uma bomba, dada a importância da vaga que Nico estava deixando para trás. E em um momento em que os grandes nomes já estavam devidamente fechados com seus times.
 
Mesmo desapontada e quase irritada com a manobra do campeão, a esquadra prateada teve a frieza de colocar todos os nomes possíveis sobre a mesa. Os dois pilotos da Red Bull e Sebastian Vettel foram cortados de cara, mas Fernando Alonso chegou a ser considerado. Nico Hülkenberg também, Carlos Sainz e até Esteban Ocon.
Nico Rosberg mudou muita coisa no grid ao anunciar a aposentadoria (Foto: AFP)

No fim, a equipe alemã acabou reduzindo a lista a dois pilotos: Wehrlein, que seria a escolha natural, dada a posição de reserva do time e membro do programa de jovens competidores, e Valtteri Bottas, que é a opção pela experiência, diante de um 2017 que vai promover uma mudança drástica nos regulamentos técnicos da F1 e em que a Mercedes segue com o objetivo de continuar o domínio que vem impondo há três temporadas.
 
Só que a contratação de Bottas se mostra complexa. O finlandês possui contrato com a Williams e é considerado um líder dentro do time, especialmente para o próximo ano, dentro das alterações nas regras e no fato de que a equipe também precisa de alguém experiente, já que terá no outro cockpit o novato Lance Stroll. 
 
Assim, a esquadra chefiada por Claire Williams foi atrás de Felipe Massa tão logo a atual campeã demonstrou interesse no nórdico – a ida de Valtteri para Stuttgart também promover benefícios para o time inglês termos de motores. 
 
E como revelou o GRANDE PRÊMIO nesta terça-feira (20), Massa de fato decidiu aceitar a oferta da Williams de retornar ao grid. Entende-se apenas que Massa tenha imposta uma cláusula no acordo: a que invalida sua volta caso Bottas não seja o escolhido da Mercedes.
 
Isso porque Wehrlein segue no páreo, ainda que de forma enfraquecida. A verdade é que a esquadra alemã decidiu adiar o anúncio de sua decisão. E deixou claro que só vai se pronunciar sobre o novo colega de Lewis Hamilton em janeiro de 2017.

Portanto, apesar do cenário, a F1 vai entrar o próximo com apenas três vagas realmente em aberto. Já que o cobiçado cockpit prata tem uma disputa bem mais restrita. 
Felipe Massa ganhou muita festa da Williams, mas pode voltar ao grid (Foto: Williams)
O embaralhado pelotão do meio
 

Enquanto as três grandes equipes não tiveram problemas e bem dramas para renovar com suas duplas ou confirmá-las – apesar de agora a Mercedes se ver em apuros para achar um substituto para Rosberg -, a grande diversão durante a temporada foi entender o quebra-cabeças que se formou no pelotão intermediário.
 
A Renault e a Force India, sem dúvida alguma, lideraram os rumores da ‘silly season’ da F1. Isso porque ambas queriam os mesmos pilotos. A montadora francesa nunca escondeu que havia decidido rápido demais por Jolyon Palmer e Kevin Magnussen para o retorno ao Mundial, então não esperou muito para tentar fechar com novos pilotos.
 
É bem verdade que Palmer vai seguir com o time em 2017, mas a escolha da dupla passou por muita gente até chegar em Nico Hülkenberg. Felipe Massa chegou a ser cogitado e Sergio Pérez também foi um nome que esteve presente nas negociações. Mas talvez tenha sido Carlos Sainz o competidor mais desejado pelos franceses. Mesmo prometendo benefícios, a montadora do losango não conseguiu convencer a Red Bull, dona do passe do espanhol, a cedê-lo. Por isso, os gauleses correram atrás do plano B.
 
No fim das contas, Pérez também optou por continuar com os indianos, optando por um caminho mais seguro. Hülkenberg, por sua vez, tinha de fato um contrato com a Force India, mas agora abrindo mão na última hora e, encantando com a chance de defender uma esquadra de fábrica, decidiu trocar o time de Vijay Mallya pela equipe francesa.
 
Aí o cockpit vaga na Force India foi decidido pela Mercedes. E escolheu Esteban Ocon para dividir o time com Pérez, causando enorme surpresa, já que o francês estreou na F1 apenas na metade da temporada e bateu o colega mais experiente Wehrlein pelo posto. O lugar com os indianos chegou a ser objeto de desejo de Felipe Nasr, mas o poder dos alemães falou mais alto.
 
Logo depois, a Haas também resolveu acertar sua vida e dispensou Esteban Gutiérrez, para promover Magnussen, que havia sido preterido na Renault. E ainda renovou com Romain Grosjean. Tudo isso já no penúltimo fim de semana de corrida do ano.
 
Neste meio tempo, a Red Bull não perdeu tempo e confirmou que Daniil Kvyat – que havia sido rebaixado – ao lado de Sainz para o próximo ano.
Esteban Ocon foi a grande surpresa do grid (Foto: Getty Images)
Restou falar então de McLaren e de Williams. A primeira optou por abrir mão dos serviços de Jenson Button e praticamente o obrigou a aceitar a aposentadoria. Para o lugar do inglês, que chegou a ser o sonho de consumo da equipe de Claire Williams, a esquadra de Woking promoveu o reserva Stoffel Vandoorne, que, em 2017, vai ser companheiro de Fernando Alonso.
 
A Williams, agora centro também das negociações que envolvem a Mercedes, fez mistério por boa parte do ano e só confirmou sua formação depois que o novato Lance Stroll completou 18 anos. O canadense, campeão da F3 Euro no ano passado e dono do título da GP3, fechou contrato com Grove e será o mais jovem piloto do grid. Stroll chegou bancado pelo pai, bem-sucedido empresário no ramo de moda. Inclusive, o pesado suporte financeiro ainda proporcionou ao jovem uma ampla preparação para a estreia. 
 
Bottas até aquele momento estava confirmado no time inglês.
Felipe Nasr ainda não sabe se vai seguir no grid (Foto: Sauber)
E a delicada situação de Nasr
 
Felipe Nasr foi o responsável pelos dois pontos da Sauber em 2016 com o nono lugar no GP do Brasil, depois de um desempenho bastante consistente na chuva. A atuação também serviu para colocar a equipe suíça na décima posição entre os Construtores, o que deve gerar ao time um ganho significativo em termos de premiação na F1. Mas a esquadra chefiada por Monisha Kaltenborn não deu pistas do que pretende fazer em 2017.
 
Marcus Ericsson, cujo os patrocinadores têm ligação com o grupo de investimento que adquiriu o time suíço, foi anunciado na última semana da temporada. Mas a Sauber não se pronunciou sobre Nasr ou qualquer outro piloto. A equipe segue analisando o mercado. Na verdade, a Mercedes iniciou uma negociação com a escuderia na tentativa de colocar Wehrlein no lugar de Felipe. Toto Wolff vê em Hilwil uma boa plataforma agora, especialmente por conta dos reforços técnicos após a compra pelo Longbow. 
 
Dessa forma, a situação do brasileiro é complicada, considerando também que o Banco do Brasil, principal patrocinador do piloto, decidiu encerrar o vínculo com a Sauber. Além do time, Felipe tem apenas a Manor como opção, mas a menor equipe do grid também está à espera do que a Mercedes vai decidir com relação a Rosberg.


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