F1
23/01/2017 16:47

Liberty Media abre nova era e determina saída de Ecclestone do comando da F1 após quase 40 anos

Bernard Charles Ecclestone foi o grande responsável por tornar a F1 um fenômeno de lucratividade, expandindo as fronteiras do esporte para países outrora inimagináveis. Mas a chegada do Liberty Media como novo dono da F1 traz uma nova era no espectro comercial e também esportivo. O conglomerado norte-americano de mídia, assim, encerra uma página da história da categoria, que se confunde com a história do próprio Bernie Ecclestone
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Sumaré
 


Definitivamente, a F1 viverá uma nova era em 2017. Dentro das pistas, a categoria que é considerada o ápice do automobilismo terá grandes mudanças com a adoção de um novo regulamento técnico, que promete entregar carros mais rápidos e agressivos e também busca tornar o esporte mais emocionante e imprevisível. Mas os rumos do Mundial não vão mudar apenas na esfera esportiva. Isso porque, depois de quase 40 anos, Bernie Ecclestone vai deixar o comando da F1. A confirmação foi feita pelo próprio dirigente de 86 anos em entrevista publicada pela revista alemã 'Auto Motor und Sport' nesta segunda-feira (23) e, horas depois, foi oficializada pela própria F1 por meio do seu site oficial. 
 
O britânico, que chegou a disputar provas da categoria, se notabilizou mesmo pelo seu tino para os negócios. Ex-chefe de equipe da Brabham, Ecclestone deu o pulo do gato e se tornou proprietário dos direitos de transmissão da F1 a partir de 1978, se tornando executivo-chefe da antiga FOCA (Associação dos Construtores da F1), adquirindo muita influência e poder. Mas tudo começou a mudar com a chegada do Liberty Media, gigante conglomerado norte-americano, como acionista majoritário da F1. E foi a empresa, que teve o aval da FIA para concretizar a compra da F1, quem determinou o começo de uma nova era no esporte, oficializada pelo próprio dirigente.

“Fui deposto hoje. Vou embora, isso é oficial. Não dirijo mais a empresa. Minha posição foi assumida por Chase Carey”, declarou Ecclestone em fala divulgada pela revista alemã ‘Auto Motor und Sport’. “Meus dias no escritório estão ficando um pouco mais calmos agora. Ainda tenho um monte de amigos na F1. E eu ainda tenho dinheiro suficiente para poder pagar uma visita a uma corrida”, acrescentou o britânico, que vai assumir uma função simbólica de presidente honorário.
 
“Minha nova posição é agora uma expressão americana. Uma espécie de presidente honorário. Vou assumir esse título sem saber ao certo o que significa”, disse.
 
Neste primeiro momento, o presidente do Liberty Media, Chase Carey, vai acumular a função de presidente com a de diretor-executivo (CEO) da F1.
 
As notícias a respeito do possível afastamento de Ecclestone da chefia da F1 começaram desde quando surgiram os primeiros rumores sobre a venda do esporte para o Liberty Media justamente pelas partes terem filosofias bem distintas sobre os rumos da categoria. 
Bernie Ecclestone sai de cena como o homem que revolucionou a F1 e a tornou uma potência comercial (Foto: Getty Images)
Empresário genial, sagaz e que se destacou por ser um homem incansável, com sede de trabalho e de dinheiro, Bernie, ao mesmo tempo, tem um perfil muito centralizador. Admirador do regime ditatorial, Ecclestone começou a perder terreno quando as equipes e a FIA passaram a ter um poder de decisão maior. Prova disso, por exemplo, foi a derrota de Bernie quanto ao regulamento dos motores híbridos turbo. O dirigente sempre se mostrou um crítico contumaz das novas unidades motrizes que passaram a vigorar a partir de 2014.
 
 

Com nova filosofia e uma estrutura renovada, o Liberty Media pretende descentralizar o comando da F1. De perfil ditatorial e com poder tanto nas esferas comercial como esportiva, Bernie Ecclestone sai de cena para ser substituído neste momento pelo presidente do Liberty Media, Chase Carey, hoje com 62 anos. E, conforme antecipou a emissora britânica Sky Sports, Sean Bratches, ex-executivo da ESPN, foi o escolhido pela empresa para chefiar os direitos comerciais da categoria aos 56 anos. 
 
No campo esportivo, ninguém menos que Ross Brawn, nome que já vinha sendo ventilado há tempos, será o novo comandante esportivo da F1 depois de ter trabalhado como consultor do Liberty Media após a negociação que culminou com a compra da F1. Aos 62 anos, Brawn, com passagens de destaque pela Benetton, Ferrari e Mercedes, além de ter sido campeão mundial pela sua própria equipe em 2009, tem bom trânsito na F1 e tem um perfil mais flexível e mais aberto às novas tecnologias em relação a Bernie, estando assim bem alinhado ao discurso do Liberty Media.


“É fantástico voltar ao mundo da F1. Curti muito ter sido consultor do Liberty Media nos últimos meses e estou querendo muito trabalhar com Chase, Sean e toda a equipe da F1 para ajudar na evolução do esporte. Temos uma oportunidade quase sem precedentes para trabalhar juntos com as equipes e os promotores para tornar uma F1 melhor para eles e, o mais importante, para os fãs”, declarou Ross Brawn, que assume oficialmente como diretor-geral e esportivo da F1.
 
Sean Bratches, por sua vez, se notabilizou pela carreira de 27 anos na emissora norte-americana ESPN, trabalhando como vice-presidente de vendas e marketing, sendo um dos pilares para estabelecer o canal como referência global de esportes. 
Sean Bratches, Chase Carey e Ross Brawn: a nova cúpula da F1 (Foto: Divulgação/Twitter)
“Estou muito empolgado por me unir à F1 e contribuir para o crescimento contínuo desta extraordinária marca global e do esporte. A F1 é um dos poucos esportes verdadeiramente globais, e estou encorajado pelas múltiplas oportunidades para fazer crescer materialmente o negócio, trabalhando junto com os atuais e futuros patrocinadores, circuitos, donos dos direitos televisivos, bem como criar uma próxima geração digital e experiências de corridas para servir da melhor forma aos fãs da F1”, comentou.
 
O executivo recebeu as boas-vindas do novo chefe, Chase Carey. “Estou muito feliz por Sean se unir à F1. Sean foi uma força impulsora na construção da ESPN como uma das principais franquias esportivas do mundo. Sua experiência em vendas, marketing, mídias digitais e distribuição serão de grande valia ao passo em que vamos crescendo com a F1”, disse o novo presidente da categoria, sem se esquecer de Ross Brawn.
 
“Estou muito feliz por dar as boas-vindas a Ross de volta à F1. Em seus 40 anos no esporte, ele trouxe seu toque mágico a cada equipe com quem já trabalhou, tem conhecimentos técnicos sem precedentes, experiência e relações”, destacou.

Agora como presidente honorário da F1, Bernie Ecclestone não foi descartado pelo novo presidente da Formula One Group. “Estou muito ansioso para trabalhar com Ross e Sean, bem como os executivos-chave atuais, incluindo Duncan Llowarch como diretor-financeiro (CFO) e Sach Woodward Hill, nosso Conselho Geral, a FIA, Bernie e a Liberty, todos trabalhando juntos para fazer a F1 o melhor possível para as equipes, os promotores e os fãs pelos anos que virão.”
 
A mentalidade norte-americana do Liberty Media deve tornar a F1, de origem europeia, um evento ainda maior e ampliar seu alcance nas plataformas digitais, algo que Bernie Ecclestone sempre se opôs. Apenas nos últimos tempos, com muita defasagem para esportes como a MotoGP e a própria F-E, por exemplo, é que a F1 ‘acordou’ e passou a trabalhar nas redes sociais com uma eficiência maior, mas ainda precisa melhorar muito.
Chase Carey será o substituto de Ecclestone no comando global da F1 (Foto: AFP)
Um dos desejos do novo dono da F1 é fazer com que as equipes do grid também façam parte do controle acionário do esporte, também aumentando assim o poder de decisão dos rumos do esporte, algo que Bernie jamais concordou. Sem a influência do homem mais influente da história da F1, certamente o Liberty Media terá uma flexibilidade maior para impor sua nova filosofia e implementar, de vez, uma nova era na principal categoria do esporte a motor. 
 
Seja com novos formatos de competição, novos personagens e distribuição mais justa do dinheiro, a perspectiva indica uma F1 menos ‘engessada’ no futuro. Ganham os artistas do espetáculo, ganham as empresas que investem pesado no esporte, ganham também os fãs, que aguardam com expectativa pela nova era na F1 pós-Bernie Ecclestone, definitivamente fora do posto de patrão da categoria.

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