F1
03/03/2017 04:30

Mensagem após festa, noite no aeroporto e ‘cavada’ de ex-colega: os bastidores da volta de Massa à F1

A caminhada de Felipe Massa pelo pitlane de Interlagos, após o abandono no GP do Brasil, foi uma das grandes imagens da temporada de 2016. Aplaudido pela torcida nas arquibancadas e por membros de todas as equipes da F1, o brasileiro era reconhecido pela categoria em havia passado 14 anos de sua vida. Um desfile público, em que todos viam e viviam as emoções de um piloto que colocava um ponto final em sua trajetória
Warm Up, de Barcelona
THIAGO ARANTES, de Barcelona

A caminhada de Felipe Massa para voltar à F1 foi bem diferente. Os elogios públicos deram lugar a mensagens privadas. O apoio dos torcedores existiu, mas tinha de ser retribuído com silêncio. A empolgação teve de ser freada pela calma. Pouca gente viu e viveu as emoções intensas de um piloto que queria voltar. 
 
A história por trás da maior reviravolta do mercado de pilotos nos últimos meses começou no dia 2 de dezembro, quando Nico Rosberg usou as redes sociais para anunciar – menos de uma semana depois de conquistar o título mundial – que não continuaria na F1.
 
Enquanto Massa abria o Twitter para dar “boas vindas” ao companheiro no clube dos aposentados, Valtteri Bottas usava o telefone para outra coisa. O finlandês, que tinha contrato para ser companheiro de Lance Stroll na Williams, ligou imediatamente para Toto Wolff, chefe da Mercedes
 
A conversa foi rápida: “Você tem uma vaga na sua equipe. Eu quero ganhar corridas e títulos. Eu quero essa vaga”. Wolff, um dos responsáveis pelo gerenciamento da carreira de Bottas, gostou da ideia. Não respondeu nem que sim, nem que não. Mas passou a trabalhar para que a história fosse adiante. 
Felipe Massa quis se aposentar da F1, mas voltou em seguida (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Durante os dias seguintes, Massa passava seus dias de aposentado indo a eventos e sendo homenageado. Em 3 de dezembro, ele deu o pontapé inicial de Monaco 5 x 0 Bastia, pelo Campeonato Francês; no dia 4, em Londres, abraçou pessoalmente Nico Rosberg, na cerimônia de premiação da revista ‘Autosport’. O brasileiro ainda não sabia que seu futuro estava mudando. 
 
Uma semana depois, no dia 10 de dezembro, veio a despedida oficial da Williams. Na festa de Natal da equipe, um Massa emocionado e agradecido deu adeus aos companheiros, tirou uma foto com Frank Williams e encerrou seus laços com o time pelo qual havia corrido as últimas três temporadas. 
 
De volta a Mônaco, o agora ex-piloto de F1 retomou a vida social. Mas no dia 12, a tela do telefone mostrou uma mensagem. Era Claire Williams. “Está pronto para voltar da aposentadoria?”. Massa respondeu na mesma hora: “Precisamos conversar”. 
 
Os dois se falaram por telefone outras duas vezes, e a chefe-adjunta da equipe explicou brevemente o cenário. Naquele mesmo dia, Valtteri Bottas havia dito que tinha as portas abertas na Mercedes e queria ir embora. 
 
“Não é segredo nenhum que quebrar um contrato é tudo menos simples. Mas eu discuti a questão com Claire e disse que era uma chance imperdível na minha carreira. E que eu não podia deixar essa oportunidade passar”, contou o finlandês, relembrando a história durante a semana de testes em Barcelona. 
Felipe Massa ajuda a Williams a desenvolver o FW40 (Foto: Twitter)

Claire prometeu pensar. E, pensando, o nome de Massa foi o primeiro que veio à cabeça. Na segunda conversa por telefone, a chefe propôs: “Vamos falar pessoalmente?” No dia seguinte, 13 de dezembro, os dois se reuniram em Londres, no hotel do aeroporto de Heathrow. Foi um encontro longo, que também teve a presença do empresário Nicolas Todt. 
 
A Williams colocou sobre a mesa as ideias para a temporada – pacote técnico, ideias de desenvolvimento, orçamento... –, e Massa explicou as condições financeiras. O acordo não foi fechado naquele dia, mas estava bem encaminhado. Com a proposta em mãos, o brasileiro dormiu no hotel, dentro do terminal 5 do aeroporto britânico.
 
Naquela altura, as pessoas mais próximas do piloto já sabiam o que estava acontecendo. A mulher, Raffaela, não se opôs. O pai, Titonio, aconselhou: “Faça o que te fizer feliz”. Aos poucos, a história começou a circular. 
 
Na quarta-feira, um dia após a reunião, o diário francês ‘L’Équipe’ foi o primeiro a falar, com algum fundamento, sobre a negociação. No mesmo dia, Massa anunciou as férias com uma mensagem enigmática nas redes sociais. “Férias, momento de aproveitar e...”, escreveu, usando também um emoji indicativo de “estou pensando”. 
 
O post de Massa teve repercussão imediata. A maioria dos fãs pedia o retorno. O que, segundo o piloto, teve influência decisiva. “Foi até bom essa história sair na imprensa, porque daí eu vi que as pessoas queriam que eu voltasse. Esse apoio foi importante”, disse em Barcelona, durante os testes da pré-temporada, nesta semana. 
Felipe Massa durante os testes da F1 em Barcelona (Foto: AFP)

O GRANDE PRÊMIO confirmou no dia 17 de dezembro que a proposta havia sido feita, e que Massa daria uma resposta em breve. No dia 20, o contrato foi assinado pelo piloto no Brasil e enviado à Inglaterra. O acordo, de R$ 21 milhões por uma temporada, só dependia de uma coisa: a saída de Valtteri Bottas para a Mercedes. 
 
Com Massa sob contrato, a Williams não dificultou a saída do finlandês. As relações com a Mercedes são boas – a montadora é a fornecedora de motores do time – e o fato de ter um substituto acertado era o pré-requisito também para a rescisão. Na semana anterior ao Natal, Bottas interrompeu as férias na Finlândia para visitar a fábrica da Mercedes. 
 
Avisado sobre o andamento das negociações, Massa começou a preparar o retorno. Ainda de férias, nos Estados Unidos, deu início a uma preparação física que ele mesmo classificou como a mais intensa que teve na carreira. Na segunda semana do ano, tratou de ‘desenferrujar’ participando de uma corrida de kart na Flórida. Enquanto isso, na Europa, Bottas assinava contrato com a Mercedes. 
 
O anúncio oficial ainda demorou uma semana. No dia 16 de janeiro, a Williams confirmava o retorno do brasileiro e a saída de Bottas. No dia seguinte, o nórdico posou pela primeira vez como piloto da Mercedes. 

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