F1
10/09/2017 00:01

Na Garagem: Fittipaldi vence em Monza e conquista primeiro título mundial de F1

Uma vitória para a história. Há 45 anos, exatamente em 10 de setembro de 1972, Emerson Fittipaldi cruzava a linha de chegada do mítico circuito italiano com seu Lotus-Ford 72D #6 e se convertia no primeiro brasileiro campeão mundial na F1. Uma conquista épica e narrada com toda a emoção nas ondas do rádio pelo pai, o ‘Barão’ Wilson Fittipaldi
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Sumaré

“É o Brasil, ganhando o Campeonato Mundial de Automobilismo pela primeira vez na história. É o Emerson Fittipaldi, campeão mundial de Automobilismo, vai ingressar na reta de chegada. E atenção: aí vem o vencedor da competição! É o Brasil ganhando o Campeonato Mundial de Automobilismo! Venceu Emerson Fittipaldi! Venceu o Brasil, minha gente! Uma vitória incontestável do automobilismo brasileiro!”.
 
Foi assim que há exatos 45 anos, em 10 de setembro de 1972, o ‘Barão’ Wilson Fittipaldi — que perdeu a vida aos 93 anos, em 11 de março de 2013 — teve o privilégio de narrar, nas ondas da Rádio Jovem Pan, o primeiro título de um piloto brasileiro no Mundial de F1. Para o ‘Barão’, o momento vivido naquela tarde em Monza, Itália, era ainda mais feliz por uma peculiaridade: o primeiro brasileiro campeão do mundo era ninguém menos que seu filho, o jovem Emerson Fittipaldi, então com 25 anos.
 
Dá para analisar a conquista de Emerson sob dois prismas: a campanha até o título mundial e tudo o que veio depois. A jornada de Fittipaldi até à taça do mundo comprovou que foi o brasileiro o grande nome daquela temporada. 

 
Tirando os abandonos nos GPs da Argentina e da Alemanha, em todas as etapas até o GP da Itália Emerson chegou pelo menos ao pódio: vitórias na Espanha, Bélgica, Inglaterra e Áustria; segundo na África do Sul e França e terceiro lugar em Mônaco. Ao sair de Österreichring, Emerson tinha um total de 52 pontos, contra 27 de Jackie Stewart e de Denny Hulme. Jacky Ickx aparecia em quarto, com 25 tentos.
Largada do GP da Itália de 1972 (Foto: Lotus Cars)
Com o sistema de pontuação que descartava o pior resultado das seis primeiras corridas e das seis últimas, Fittipaldi chegava a Monza como virtual campeão, precisando somar apenas terminar em quarto lugar para faturar o título. Stewart e Hulme ainda tinham chances remotíssimas, mas teriam de contar com a sorte: vencer as três corridas restantes (Itália, Canadá e Estados Unidos) e Emerson zerar na tabela.
 
15 anos depois, Fittipaldi tinha a chance de ser o primeiro sul-americano depois do mítico Juan Manuel Fangio a conquistar um título mundial. E mais além, era o primeiro brasileiro da história com condições reais de alcançar o Olimpo do automobilismo.
 
Mas se engana quem imagina que a jornada de Emerson em Monza foi fácil. Muito ao contrário. Foi uma semana cercada de drama. Dois anos antes daquela etapa, a mesma Monza foi palco do trágico acidente que matou Jochen Rindt. Fittipaldi, com a conquista da vitória no GP dos EUA a bordo da Lotus, em Watkins Glen, deu a Rindt aquele que é o único título póstumo da história da F1. No entanto, temendo algum tipo de ação por parte da justiça italiana, Colin Chapman inscreveu a equipe com um nome diferente, chamado World Wide Racing, e levou apenas um carro para a Itália.
 
Durante o trajeto para Monza, o caminhão que levava esse carro despencou de uma ribanceira, danificando o chassi. A Lotus teve de correr contra o tempo para providenciar um carro reserva, que foi guiado por Emerson desde sexta-feira, quando se classificou em sexto no grid de largada.
Emerson Fittipaldi momentos antes de acelerar para a conquista do título de 1972 em Monza (Foto: Lotus Cars)
Mas como se costuma dizer, um problema chama outro. E Emerson ainda precisou se preocupar com um vazamento no tanque de combustível, solucionado em tempo recorde pelos mecânicos da Lotus. “Fui para o motorhome e falei ‘Deus, vai dar certo. Me acalma, vai dar certo’. O Chapman foi me chamar: ‘Está pronto o carro, vamos para a corrida’. Incrível”, conta Fittipaldi em entrevista à Revista WARM UP.
 
O reparo ficou pronto mesmo apenas meia hora antes da corrida. Um sufoco, mas Emerson tinha certeza de que o pior já tinha passado. Era largar, chegar pelo menos em sexto e comemorar a conquista do título.
 
Mas Fittipaldi foi além.
 
Na primeira volta, o brasileiro só estava atrás das Ferrari de Ickx e de Clay Regazzoni, enquanto Jackie Stewart sequer largou por conta de um problema de embreagem. Ou seja, um dos seus grandes rivais ficava pelo caminho. Ficar à frente de Hulme era fundamental para Emerson confirmar o título em Monza.
 
Na 14ª volta da prova, Ickx escapou da pista e permitiu a Regazzoni assumir a liderança. No entanto, duas voltas depois, o suíço se chocou com a March do também brasileiro José Carlos Pace, então retardatário, que havia perdido o controle do seu carro e estava atravessado na pista. Emerson subia para segundo, só atrás do piloto belga. O cenário já era amplamente favorável a Fittipaldi. Até que, na volta 46, Ickx encostava sua Ferrari #4 por conta de um problema na bateria. Caminho livre para o piloto assumir a liderança e seguir da melhor forma rumo à conquista do primeiro título brasileiro na F1.
Emerson viveu uma temporada praticamente perfeita em 1972 (Foto: Forix)
O triunfo foi marcado pela narração histórica do ‘Barão’ e pela efusiva comemoração de Colin Chapman, que dois anos antes chorava a morte de Rindt e conquistava um título em que pouco tinha para festejar. Para Emerson, a conquista era histórica sob vários prismas: o primeiro brasileiro da história a ser campeão mundial, o primeiro sul-americano em 15 anos e também o mais jovem piloto de todos os tempos à época a fazê-lo, com 25 anos, oito meses e 29 dias. Levou 34 anos para o recorde cair, quando Fernando Alonso faturou seu primeiro título com 24 anos, um mês e 27 dias, em 2005.
 
O que veio depois do primeiro título de Fittipaldi foi uma das histórias mais incríveis de um país na F1. Ao todo, o Brasil conquistou 101 vitórias, 126 poles, 293 pódios e nada menos que oito títulos mundiais, sendo dois no total com Emerson (1972 e 1974), três com Nelson Piquet (1981, 1983 e 1987) e outros três com Ayrton Senna (1988, 1990 e 1991). 
Emerson festeja a conquista do primeiro título brasileiro no Mundial de F1 (Foto: Reprodução)
 
No alto dos seus 70 anos, Emerson é o artífice de um grande legado para o Brasil na F1, na Indy, onde brilhou depois de deixar o Mundial — com duas vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis e o título em 1989 — e também é o patriarca de um clã dourado de muitas conquistas no automobilismo, em destaque o sobrinho Christian Fittipaldi, que até hoje acelera e é um dos grandes nomes da SportsCar norte-americana, e o neto Pietro Fittipaldi, hoje líder da temporada 2017 da World Series e sonhando em repetir os passos do avô na F1.
 
História, passado, presente, futuro... toda a história do automobilismo brasileiro se confunde um pouco com a de Emerson Fittipaldi. Nada seria exatamente como é hoje não fosse sua presença. E, por que não dizer, nada seria exatamente igual se não fosse por aquele 10 de setembro de 1972. Há 45 anos.
 
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