F1
16/03/2017 09:00

Na Haas, Grosjean quer provar que pode liderar equipe na busca por chance de realizar sonho de ser campeão

Romain Grosjean encontrou na bem-estruturada Haas uma forma de provar que pode liderar uma equipe na busca por uma vaga em time de ponta da F1 para realizar sonho de ser campeão. O francês, de 30 anos, aguarda ansioso um passo à frente da esquadra norte-americana em 2017
Warm Up
EVELYN GUIMARÃES, de Barcelona
 

Romain Grosjean é dono de uma carreira sólida na F1. Mas precisou dar muitos passos atrás para conseguir provar que tem condições de se colocar com um dos pilotos mais fortes do grid. O franco-suíço não viveu um início de carreira fácil no Mundial. Estreou pela Renault em meio ao escândalo envolvendo a batida proposital de Nelsinho Piquet em Cingapura um ano antes. E só pode andar naquela metade final de temporada. Não impressionou, e aí o jeito foi tentar encontrar um caminho alternativo que o levasse de volta ao grid mais cobiçado do mundo.
 
E novamente teve de provar que era digno. Assim, no ano que seguinte, Romain se tornou campeão da então Auto GP, fez provas pela GP2, correu em Le Mans e nas 24 Horas de Spa-Francorchamps. Mas ainda não era o suficiente. Em 2011, venceu a versão original e a asiática da GP2, quando enfim teve uma nova chance.
 
A Renault já havia se tornado Lotus, mas as ligações entre a marca e o piloto seguiram estreitas apesar da saída da montadora. E foi por aí que Romain conseguiu um lugar em 2012, correndo ao lado de Kimi Räikkönen. A equipe preta e dourada fez uma temporada mais do que decente. Venceu corridas com o finlandês, e Grosjean até foi ao pódio. Mas a impulsividade e a velocidade em demasia do francês testemunharam contra. O grande acidente em que se envolveu em Spa-Francorchamps naquele ano o deixou fora de uma corrida. E serviu de lição. “A gente sempre aprende com isso”, disse o piloto em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO em Barcelona, durante a pré-temporada da F1.
 
Mas o jovem conseguiu se encontrar. “Acho que o fim de 2012 foi muito difícil para mim, mas aquilo me tornou mais forte também. E me ajudou, no fim das contas. Cabe a nós achar o melhor caminho. Ouvir e ver aonde podemos ir e melhorar. Não há segredo”, completou. 
Romain Grosjean quer ser o líder da Haas (Foto: Haas)

Neste ponto da carreira, Grosjean já estava totalmente focado na F1. De início, o gaulês se dividia entre as corridas e um trabalho de meio período em um banco na Suíça. “Foi bom. Não havia qualquer problema. Eu tinha permissão para correr. Na verdade, esse trabalho só me ajudou”, contou.
 
Foram mais três temporadas na Lotus. Até que a equipe sucumbiu, e a Renault decidiu tomar de volta. Só que, desta vez, Romain não foi junto. O francês preferiu apostar as fichas em um projeto totalmente novo, nascido do zero. A Haas. Apesar do sucesso e da enorme estrutura que possui nos EUA, especialmente por conta da Nascar, a Haas da F1 é mais modesta, mas conta com um enorme apoio técnico da Ferrari. Grosjean era o primeiro da lista dos americanos e não escondeu a primeira boa impressão que teve ao chegar no time. 
 
A esquadra chefiada por Guenther Steiner se preparou muito bem. Esperou um ano para entrar na F1, escolheu com cuidado seus funcionários e suas parcerias. Grosjean trouxe engenheiros da antiga Lotus consigo e montou “um grupo realmente muito bom”. 
 
A Haas estreou nos pontos em Melbourne. E deixou a entender que estava na F1 para vencer. Pontuou bem na segunda etapa, mas acabou sofrendo também as consequências de um projeto vindo do zero. Ainda assim, o time de Gene Haas fechou a temporada na oitava colocação, à frente de Renault, Sauber e Manor.
 
“Acho que tive um ano bastante positivo em 2016. Tivemos alguns top-10 em algumas corridas. Top-5 uma vez e estivemos também no Q3 algumas vezes. Largamos muito bem na maioria das provas, mas não terminamos também bem assim. Mas aí já começamos cedo a trabalhar no carro 2017, que era algo que já esperávamos. No entanto, posso dizer que fiquei bastante contente com o que conseguimos neste primeiro ano”, explicou Romain ao GRANDE PRÊMIO.
 
“Na verdade, não somos uma equipe grande. Mas temos bons recursos para conseguir bons resultados. Temos pessoas inteligentes trabalhando aqui, além da parceria com a Ferrari, que é bastante importante. Aliás, o suporte da Ferrari é um ponto chave. Sem a Ferrari, nós não conseguiríamos tudo isso, porque não é só o motor, é caixa de câmbio e as suspensões, além de muitas outras peças do carro.” 
 
“E aqui, eu tentei ajudar a equipe o máximo que pude e ainda teve um grupo de engenheiros que me seguiu para esse novo desafio. Também tem a chegada de Kevin [Magnussen], que vem com a experiência de já ter pilotado pela McLaren e também pela Renault. E isso, com certeza, vai nos ajudar muito”, completou.
 
O desempenho e a forma como a equipe lidou com as dificuldades já animam Grosjean para 2017.  “Vim para uma equipe que começou do zero e tentei ajudá-los ao máximo. Agora vamos ver o que podemos conquistar nesse ano e, se formos bem, será legal ter essa sensação de fazer parte de tudo isso”, afirmou.
 
“Acho que estamos em uma posição melhor que a do ano passado e espero que isso se aplique na pista”, emendou Romain.
Romain Grosjean é casado e pai de dois filhos (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)

Mas o francês quer mais que isso. Aos 30 anos, Grosjean alimenta o sonho de ser campeão mundial, mas tem claro que, para isso, um carro certo é necessário. E só há uma maneira de conseguir esse carro: provando (uma vez mais) que é capaz de liderar um time em um campeonato todo. Por isso, esse é seu objetivo agora, diante de uma maior maturidade, também ajudada pelo fato de ter o apoio da família. Romain é casado e pai de dois filhos.
 
“Sem dúvida, tudo isso ajuda muito”, garantiu. “Eu sempre quis ser campeão do mundo e ainda quero. Esse é o meu sonho. Mas eu sei que, obviamente, preciso do carro certo para ser campeão. No entanto, até agora, estou realmente feliz e satisfeito com a minha carreira. Eu estive no pódio em algumas oportunidades. Tive momentos muito difíceis, mas também tive momentos muito bons. E aprendi com tudo isso. Agora é esperar e ver o que 2017 nos traz.”
 
Grosjean não esconde também o desejo de defender uma equipe de ponta. A Ferrari é uma delas – o nome do piloto já alvo de rumores por uma vaga em Maranello -, mas Romain apenas quer ter a certeza de ter feito tudo para conquistar o carro certo.
 
“Acho que a Ferrari é uma equipe dos sonhos de todos os pilotos. E eu me incluo nisso”, reconheceu. “Mas quando eles forem procurar um novo piloto, será o melhor e não necessariamente alguém que já esteja perto por uma parceria. Mas o melhor que posso fazer para tentar uma vaga na Ferrari ou em qualquer outra grande equipe é seguir trabalhando duro, é seguir melhorando, para provar que posso liderar um time e liderar uma campanha pelo campeonato. É isso”, encerrou.
 
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