F1
24/05/2015 13:52

Rosberg ganha liderança após erro da Mercedes com Hamilton e repete Senna com vitória em Mônaco. Nasr pontua

De forma quase inacreditável, Nico Rosberg venceu o GP de Mônaco, que foi todo dominado por Lewis Hamilton. Mas a Mercedes errou de forma clamorosa ao chamar o britânico para fazer um pit-stop durante o período de safety-car no fim da corrida. Felipe Nasr terminou em nono lugar
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Sumaré

Inacreditável. Lewis Hamilton tinha uma vitória praticamente certa do GP de Mônaco. Líder de forma dominante durante praticamente toda a prova, o britânico foi chamado pela Mercedes para realizar um pit-stop adicional durante o período de safety-car gerado pela forte batida de Max Verstappen em Romain Grosjean. Foi um erro clamoroso da equipe campeã do mundo, que acabou proporcionando a vitória de Nico Rosberg neste domingo (24). Foi a terceira consecutiva do alemão no Principado, igualando Graham Hill, Alain Prost e Ayrton Senna, o último a alcançar tal feito. Sebastian Vettel terminou em segundo, enquanto Hamilton acabou tendo de se contentar com o terceiro lugar.

Ao fim da corrida, Niki Lauda, presidente não-executivo da Mercedes, se mostrou inconformado com o erro da equipe na tática de Hamilton. "Eu sinto muito. Vou pedir desculpas. Vamos analisar e entender como tomamos a decisão errada de chamá-lo aos boxes". O austríaco foi endossado por Toto Wolff, chefe da Mercedes. "Perdemos a corrida do Lewis com o erro. Pensamos que a diferença era diferente do que realmente era. Ele falou que tinha perdido a temperatura dos pneus, devíamos ter revisado e feito o julgamento correto. Pedimos desculpas. Jogamos fora a corrida dele", disse o dirigente à emissora Sky Sports.

Daniil Kvyat acabou terminando em quarto, seu melhor resultado na F1. O russo acabou sendo ultrapassado por Daniel Ricciardo, que ganhou sua posição após o período do safety-car, mas a Red Bull pediu que o australiano devolvesse a posição. Ricciardo finalizou em quinto, enquanto Kimi Räikkönen foi sexto. Sergio Pérez fez grande corrida pela Force India e garantiu um bom sétimo lugar. Destaque também para Jenson Button, que levou a McLaren aos primeiros pontos na retomada de casamento com a Honda. Oitavo lugar para o britânico, enquanto Fernando Alonso abandonou.

Felipe Nasr, em sua estreia correndo em Mônaco de F1, também conseguiu realizar uma bela prova. Sem se envolver em incidentes e com uma tocada madura, o jovem de 22 anos levou a Sauber novamente aos pontos depois de duas corridas longe do top-10. Beneficiado pelo abandono de Alonso, Nasr terminou a corrida em Monte Carlo em nono, enquanto Carlos Sainz Jr. foi décimo depois de ter largado em último. Felipe Massa não teve o mesmo bom desempenho do xará, acabou se envolvendo em um incidente na primeira volta e teve sua prova arruinada, terminando apenas em 15º.

Confira como foi o GP de Mônaco de F1: 

Boa parte da expectativa em torno do GP de Mônaco está sempre na tensa largada devido à curva Sainte Dévote, a primeira do lendário circuito de Monte Carlo. Apenas Nico Hülkenberg, Alonso, Valtteri Bottas, Will Stevens e Roberto Merhi largaram com pneus macios; os demais, com os supermacios. Ao apagar das luzes vermelhas, Hamilton manteve a liderança, seguido por Rosberg e Vettel. A primeira volta foi marcada por um incidente foi entre Alonso e Hülkenberg. O alemão tocou no carro da McLaren na entrada da Mirabeau e bateu no guard-rail, tendo de trocar a asa dianteira depois. Alonso acabou sendo punido em 5s pela direção de prova.

Massa também levou azar. O brasileiro, que já não vinha tendo um grande fim de semana, se envolveu em um enrosco na primeira volta e teve seu pneu dianteiro direito danificado, ficando bem para trás em relação aos seus oponentes. Restou a Felipe ir aos boxes para fazer a troca e também colocar um novo aerofólio, mas suas chances de conquistar um bom resultado, no caso, somar pontos, já tinham ido por água abaixo.
Lewis Hamilton mantém a liderança da corrida após a largada em Mônaco (Foto: AP)

Lá na frente, Hamilton tentava abrir vantagem perante Rosberg. Com seis voltas completadas, o britânico tinha pouco mais de 2s de frente em relação ao seu companheiro de equipe. Vettel vinha em terceiro e tentava acompanhar o ritmo de corrida da Mercedes. Mais atrás, Pastor lutava com Verstappen pela oitava colocação e travava um grande duelo com o adolescente holandês. Depois de fazer uma bela ultrapassagem, o venezuelano vinha com esperança de finalmente pontuar na temporada, mas depois se envolveu em um incidente com o piloto da Toro Rosso e levou a pior, tendo de abandonar novamente uma corrida em 2015. Maré de azar enorme para o sul-americano.

Alheio à disputa pelo pódio, ao menos nas primeiras voltas, Kvyat fazia bela corrida e estava à frente de Ricciardo — vencendo temporariamente o duelo interno da Red Bull —, com Räikkönen vindo apenas em sexto lugar. Pérez era outro que tinha bom ritmo de prova e seguia em sétimo lugar, andando à frente de Verstappen. As McLaren pareciam com muito potencial para finalmente chegar aos pontos em 2015, com Button em nono e Alonso fechando o top-10, ainda que o bicampeão do mundo tivesse prevista uma punição para cumprir. Nasr vinha logo atrás, em 11º.

Com os carros mais distantes uns dos outros e as diferenças mais ou menos consolidadas, o GP de Mônaco era uma corrida sem grandes emoções, muito mais baseada em táticas do que em disputas dentro da pista. Bottas, por exemplo, antecipou seu pit-stop e colocou pneus supermacios na 16ª volta, não precisando mais realizar nenhuma parada. A vantagem de Hamilton para Rosberg seguia relativamente confortável, enquanto Vettel tentava se aproximar do compatriota na luta pelo segundo lugar, mas o fato é que não havia nenhuma perspectiva para ultrapassagem.

Muito mais lentos, os carros da Manor Marussia ficavam para trás e eram os primeiros retardatários da prova. Mais um desafio para os líderes do GP de Mônaco, uma vez que o fator tráfego sempre acaba influindo nos rumos da disputa. Outro desafio era entender o rendimento dos pneus, uma vez que os compostos macios rendiam melhor em comparação ao supermacios, teoricamente mais rápidos.

Depois de se queixar via rádio de problemas nos freios do seu W06 Hybrid, Hamilton informou que tudo estava novamente de volta ao normal. E assim, o britânico acelerava ao limite para abrir vantagem em relação a Rosberg. Com 25 voltas já completadas, o bicampeão tinha mais de 4s de frente para Nico, mesmo tendo de lidar com o tráfego intenso na pista. Lewis, definitivamente, parecia ter a corrida na mão em Mônaco.

Em comparação com Hamilton, Rosberg negociou bem mal suas ultrapassagens no tráfego. Não à toa, a diferença subiu em mais de 2s, avançando para pouco mais de 6s. Lewis seguia voando na pista antes de parar, marcava 1min19s748, então melhor volta da corrida, enfiando 9s de vantagem para Rosberg na volta 31. Vettel seguia na cola do alemão da Mercedes e não o deixava escapar. Mais atrás, Kvyat, então quarto colocado, foi o primeiro dos ponteiros a fazer seu pit-stop, como também fizera Verstappen. Mas o holandês levou azar na colocação da roda traseira direita, perdendo mais de 30s nos boxes, arruinando suas chances de chegar aos pontos. Assim, Nasr alcançava a zona de pontuação em Mônaco.

Ainda sem parar para troca de pneus, Ricciardo seguia à frente de Räikkönen no duelo que valia a quarta colocação. Pérez ocupava o sexto posto, com Kvyat vindo logo atrás. Button finalmente parou para efetuar seu pit-stop na 37ª volta e seguia na zona de pontuação, assim como Alonso, mesmo depois de fazer sua parada e cumprir a punição pelo incidente com Hülkenberg. Nasr permanecia no top-10.
Massa teve problema no pneu no começo do GP de Mônaco (Foto: LAT Photographic)

Quando a corrida alcançou a metade das suas 78 voltas, a maioria dos pilotos realizou o pit-stop obrigatório, como Hamilton, Rosberg, Vettel, Ricciardo, Kimi e Pérez. Na prática, pouca coisa mudou nas colocações depois da troca de pneus, exceção feita a Räikkönen, que conseguiu ganhar a posição de Ricciardo devido ao melhor trabalho da Ferrari nos boxes em Monte Carlo. Lewis seguia confortável demais na liderança da corrida e apenas um grande erro ou um problema no seu carro lhe tiraria sua segunda vitória no GP de Mônaco.

Na volta 42, Massa realizou seu segundo pit-stop, agora para colocar pneus supermacios no seu FW37. Mas o brasileiro já estava uma volta atrás do líder Hamilton e à frente somente dos carros da Manor Marussia. Não havia qualquer perspectiva real de Felipe chegar aos pontos, diferente do seu xará Nasr, que passou a ocupar o nono lugar depois do abandono de Alonso, que encostou seu carro na área de escape da Sainte Dévote. Fernando foi outro piloto que viveu um terrível fim de semana em Mônaco.

O tráfego intenso em Mônaco gerou algumas situações curiosas e interessantes envolvendo Verstappen. Retardatário, porém com um ótimo ritmo de corrida, o talentoso holandês acompanhou Vettel, na esteira das bandeiras azuis, e conseguiu fazer boas ultrapassagens e ganhar posições importantes, passando Bottas e seu companheiro de Toro Rosso, Carlos Sainz Jr. O mais jovem piloto da história da F1 tentou fazer o mesmo com Grosjean, mas o franco-suíço impediu a manobra e manteve seu décimo lugar no GP de Mônaco, resistindo à pressão do adolescente. Era o único duelo de fato na corrida, que se aproximava do fim. Lá na frente, Hamilton era soberano e tinha mais de 17s de frente para Rosberg.

Mas a disputa entre Verstappen e Grosjean não terminou bem para o holandês, que bateu muito forte na entrada da Sainte Dévote. Grosjean acabou retardando a freada, e Max acabou batendo na Lotus e passou reto, acertando de frente e em cheio no soft-wall do trecho. O piloto acabou saindo do carro bem, mas a pancada fez com que a direção de prova acionasse o safety-car virtual e, segundos depois, o safety-car propriamente dito, para ajudar na retirada do STR10.
O acidente de Max Verstappen acabou mudando os rumos do GP de Mônaco deste domingo (Foto: Reprodução/Twitter)
Aí a prova mudou totalmente, já que Hamilton seguiu a orientação da equipe, que apostou em uma parada no fim, entrou nos boxes para colocar pneus supermacios, proporcionando a Rosberg ganhar a liderança da corrida, com Vettel assumindo o segundo lugar. Hamilton caiu para terceiro, mas com pneus mais novos e, teoricamente, mais rápidos. Lewis, via rádio, já reclamava com a equipe por ter perdido a corrida, cujo desfecho era imprevisível.

A relargada aconteceu na volta 71. Hamilton teria sete voltas para tentar brigar pela vitória, mas Rosberg disparou na frente, deixando a disputa entre Lewis e Vettel. Apesar do melhor rendimento dos pneus supermacios, o fato é que Sebastian defendia bem sua posição, não dando qualquer chance ao britânico, que acabou desistindo de lutar e acabar em terceiro, vendo seu principal oponente vencer novamente em Mônaco. Enquanto Rosberg festejava como nunca, Hamilton, cabisbaixo, mostrava enorme decepção com a decisão da Mercedes no fim da prova.

F1, GP de Mônaco, Monte Carlo, final:


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