F1
07/11/2014 21:00

‘Volume morto’: Novo asfalto de Interlagos torna pista mais rápida, mas impacto sobre pneus ainda é incógnita

O calor, a previsão de chuva, a superfície do novo asfalto e as bandeiras vermelhas: passadas as duas primeiras sessões de treinos livres para o GP do Brasil, ainda é difícil prever como os pneus vão se comportar no domingo
Warm Up, de Interlagos
RENAN DO COUTO, de Interlagos
Os carros estão surpreendentemente mais rápidos no recapeado Autódromo de Interlagos. O novo asfalto, aplicado neste segundo semestre, fez os carros de F1 mais velozes no circuito paulistano mesmo que, em 16 dos outros 17 traçados do calendário, eles tenham sido mais lentos ao longo da temporada devido à introdução dos motores V6 turbo.

No treino da tarde, Nico Rosberg cravou 1min23s123. Esse tempo superou em 0s3 o da última pole-position cravada com pista seca em Interlagos, em 2012. E a expectativa é que as marcas caiam ainda mais na sequência do fim de semana — desde que não chova.

Quem sabe até dê para buscar o recorde estabelecido por Rubens Barrichello em 2004: 1min10s646.
Fez muito calor em Interlagos nesta sexta-feira (Foto: Getty Images)
A estiagem anda tão feia em São Paulo que a aproximação do GP do Brasil era vista por alguns como bom sinal — afinal de contas, sempre chove quanto tem F1 na cidade, não é? Aí o que acontece? Chove granizo no centro da cidade enquanto Interlagos tem uma sexta-feira de sol a pino e temperaturas da pista giraram em torno de 55ºC. Daqui a pouco é o sistema Guarapiranga que entra no volume morto.

“Não faz tanto calor assim há dez anos”, comentou Paul Hembery, diretor-esportivo da Pirelli.

No início do primeiro treino livre, a pista se mostrou bastante suja. Algo que era esperado, pois esse é o primeiro evento no circuito desde o recapeamento. Aos poucos, isso melhorou, e a expectativa é que continue melhorando no piso molhado.

O calor, porém, trouxe consigo dois problemas: a formação de bolhas nos pneus e o surgimento de um óleo na pista. O primeiro é algo natural nessas circunstâncias. O segundo está relacionado ao fato de o asfalto ser novo — em uma explicação simples, é como se ele tivesse derretido um pouco da superfície da pista.

Em pista seca, isso não é problema. Entretanto, em caso de chuva, esse óleo fará com que o traçado fique ainda mais escorregadio do que ficaria apenas com a água. A mesma preocupação existia em Sochi.

“É algo temporário, cria um desafio, mas tenho certeza que, no próximo ano, não falaremos disso embora tenha mudado a natureza do circuito. Esse era um dos mais abrasivos”, disse Hembery.

A previsão do tempo para São Paulo indica máximas de 27ºC para o sábado e 23ºC para o domingo, sendo que somente para a tarde de domingo não se espera chuva. Se ela valer para Interlagos, é claro.

Para os pilotos, a mudança do asfalto foi positiva. Felipe Massa elogiou o trabalho que foi feito e o resultado final da reforma. “A pista tem um grip bem alto comparado com o que a gente estava acostumado”, falou. “Quando o asfalto é novo, ele evolui muito de um dia para o outro. Mas pode ser que chegue a 1min10s.”
Trabalho de recapeamento feito em Interlagos foi elogiado (Foto: Peter Fox / Getty Images)
Nico Rosberg e Fernando Alonso também falaram sobre o tema.

O alemão destacou a ausência de ondulações, mas alertou para o calor. “A pista está com um novo asfalto que ficou um tanto traiçoeiro. Está menos ondulada do que era, mas os pneus estão sofrendo com as altas temperaturas e o novo asfalto”, relatou.

O espanhol mencionou o risco de chuva: “O novo piso produziu muita aderência e foi extremamente difícil encaixar uma volta, pois o comportamento dos pneus mudava de curva para curva. O efeito que a chuva vai ter aqui é sempre um fator desconhecido, então é impossível fazer previsões. Esse seria o caso em Sochi também, mas não choveu lá, o que significa que precisamos ficar prontos para qualquer eventualidade”.

Ainda, será preciso desvendar no último treino livre de sábado — em caso de pista seca — como será o desgaste dos pneus. No segundo treino livre, as três bandeiras vermelhas interromperam os long-runs das equipes e atrapalharam a coleta de dados.

Dependendo de como for a sequência do fim de semana, as estratégias devem variar entre duas ou três paradas. Se as dúvidas persistirem, os pneus médios devem ser os preferidos das equipes na corrida.
O DOMINADOR E O BOMBEIRO

Foram outros 0s2 no treino livre 2 desta sexta-feira (7), e Nico Rosberg pode se gabar de um incomum domínio sobre Lewis Hamilton. O alemão voltou a pôr tempo sobre o inglês. O tempo exato de Rosberg foi de 1min12s123. Novamente, então, a Mercedes voltou a fazer dobradinha.

Fernando Alonso, sétimo, viu o seu motor explodir na Reta Oposta, o que deve fazer com que use uma unidade nova e perca dez posições no grid de largada do GP do Brasil. Alonso foi ao menos elegante com a equipe que vai deixar: ao ver o carro em chamas, tratou de caçar um extintor e dar uma de bombeiro.


Leia a reportagem completa dos treinos da F1 no GRANDE PRÊMIO.


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