Motociclismo
04/12/2015 07:30

Conta-Giro: Em parceria com Estrella Galicia, Barros investe na formação e traça rota de brasileiros rumo ao exterior

Em parceria com a Estrella Galicia e a Honda, Alex Barros vem investindo na formação de pilotos e pavimentado o caminho de jovens brasileiros rumo às categorias do exterior. Em 2015, time chefiado pelo ex-piloto fez seu primeiro campeão na GPR 250, a categoria de base do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade: o goiano Brian David
Warm Up
JULIANA TESSER, de São Paulo


Principal nome da motovelocidade do Brasil, Alex Barros encerrou sua carreira de piloto, mas nem por isso se afastou das pistas. Hoje, o paulista se dedica a cuidar de sua própria equipe e, mais que isso, ao desenvolvimento de jovens pilotos, um projeto que conta com o apoio da Honda e da Estrella Galicia.
 
Por meio deste projeto, Alex busca abrir o caminho para pilotos brasileiros no exterior, uma rota um tanto dificultada nos últimos anos por conta da ausência de categorias de formação. Muito embora os resultados ainda não sejam de grande destaque, hoje já é possível ver pilotos oriundos da Honda Júnior Cup, categoria de base da Superbike Series, e da GPR 250, categoria de entrada do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, se arriscando em seletivas internacionais, como é o caso da Red Bull Rookies Cup.
 
Ainda assim, Barros encontrou uma maneira de encurtar o caminho de jovens brasileiros rumo à base espanhola, uma das mais fortes do mundo. Contando com o apoio Estrella Galicia, uma empresa com experiência na formação de jovens pilotos — basta ver o caso de Marc Márquez, Álex Márquez, Álex Rins e Fabio Quartararo —, Alex prepara crianças para um salto mais alto e já colhe frutos aqui e ali.
Time de Alex Barros conta com Diogo Moreira, Guilherme Brito, José Duarte e Brian David (Foto: Felipe Tesser)
A união com a Estrella passou pelas mãos de Emilio Alzamora, o mentor de Márquez, que, por coincidência, aproximou Alex da cervejeira espanhola justamente no momento em que o brasileiro preparava sua estrutura para competir na GPR 250.
 
Três anos após o início da aventura na categoria menor do Campeonato Brasileiro, a equipe de Alex chega ao primeiro título, conquistado por Brian David no último fim de semana. O piloto de Goiânia somou 151 pontos em seu caminho rumo à taça, sete a mais que Ton Kawakami, o segundo colocado na disputa.
 
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Alex contou que o título da GPR 250 tem um sabor diferente das quatro conquistas anteriores da GP 1000, já que envolve o preparo de jovens.
 
“É um título que eu queria muito. Eu queria muito”, frisou Alex. “Eu sei que a prioridade da equipe é o desenvolvimento dos pilotos, se desenvolverem para irem lá para fora, mas é lógico que a gente queria, porque foram dois anos na trave e neste a gente conseguiu”, recordou.
 
Em 2013, Meikon Kawakami ficou com o segundo posto na classificação, atrás de Pedro Sampaio. Ano passo, já correndo pela PRT, Meikon chegou ao título, deixando Lucas Torres com o vice-campeonato.
 
“O foco importante dentro deste projeto é o desenvolvimento dos pilotos, mas a gente também briga pelo título, que é uma consequência do bom trabalho”, explicou Barros. “E é um trabalho que é difícil, porque todo ano a gente tem pilotos novos. Não é como a categoria 1000, onde dá para renovar sempre com o mesmo piloto. Aqui, quando os pilotos ficam bons, eles sobem e a gente pega outros novos, então a gente está sempre desenvolvendo pilotos. Para nós, é um desafio muito grande brigar pelo título”, seguiu. 
 
E o mestre Alex não esconde o orgulho de seus pupilos. Exultante com a conquista de Brian, o mentor elogiou a postura do garoto de 13 anos, que além de obter bons resultados na pista, também de dedicou a transmitir seus conhecimentos aos caçulas do time: Diogo Moreira e Guilherme Brito.
Brian David disputou o título com Ton Kawakami (Foto: Rodrigo Ruiz)
“A gente está muito feliz, porque o Brian mostrou durante o ano inteiro ser o piloto mais rápido da categoria. A atitude que ele tem, primeiro pelos números — quatro vitórias, cinco poles, acho que ele fez recordes em todas as pistas —, a maturidade com que ele enfrentou todas as etapas, todos os treinos, a inteligência que ele teve de ter uma visão de corrida, também o companheirismo de equipe em ajudar os seus amigos pilotos, seus companheiros de equipe, em ajudar a crescer também os menores que estão entrando agora, então ele é um piloto que, além de fazer um trabalho bem feito, ajudou também os outros pilotos a melhorarem o desempenho deles”, elogiou. “Isso que o Brian fez durante o ano ajudou muito os dois meninos a crescerem, continuarem crescendo e eles passarem esse conhecimento depois para os outros que entram menores. É um trabalho que é muito gratificante. Eu gosto muito de trabalhar com criança e poder ver o crescimento deles se formando como pessoas e como grandes pilotos também”, frisou.
 
O jovem campeão, no entanto, não é o único a merecer elogios do chefe. A Estrella Galicia 0,0 by Alex Barros viveu um bom ano, com seus quatro pilotos aparecendo no top-5 da classificação.
 
Além do título de David, a escuderia viu Brito conquistar o terceiro posto, com 46 pontos de atraso para o líder. Moreira, que conquistou seu primeiro pódio na categoria na última etapa do ano — um segundo lugar em Curitiba — aparece logo atrás, com José Duarte, que foi desclassificado na última corrida por conta de um incidente com Ton Kawakami, fechando o rol dos cinco melhores na GPR.
 
“Todos os pilotos andaram bem”, comentou Alex. “Foi excelente. Os meninos se comportaram, cresceram, estão melhorando a cada etapa. Este pódio do Dioguinho no final — ele era o único que não tinha um pódio na equipe — foi importante para ele também, pois isso vai dar mais confiança para ele enfrentar o próximo ano”, continuou.
 
“O Guilherme também fez um ano inteligente. É um menino que fez 13 anos agora”, falou. “O Duarte também, apesar de ter tido essa infelicidade na última corrida, é um piloto que vem a dois anos se desenvolvendo e crescendo, e ele agora vai subir de categoria”, anunciou.
Projeto de Alex Barros tem apoio da Honda e da Estrella Galicia (Foto: Felipe Tesser)
Agora campeão, Brian já tem destino certo na Europa, se juntando ao time de Alzamora na Pré-Moto3. Antes dele, entretanto, o time de Alex deixou outro piloto sob os cuidados do renomado espanhol: Lucas Torres.
 
Estreando em uma categoria internacional, Lucas conseguiu pontuar nas duas etapas finais da temporada e fechou o ano com o 24º posto na classificação, 119 pontos atrás de Alonso Lopez Gonzalez, seu companheiro no School Team Estrella Galicia 0,0 e campeão de 2015.
 
“Ele foi bem. O Lucas está com uma idade um pouco elevada, mas se a gente não mandasse ele esse ano, ele estaria fora da idade, porque a Pré-Moto3 é uma categoria de média de 12 a 14 anos”, disse Alex. “O Lucas fez 17 anos agora, então está com uma idade bastante elevada para a categoria, apesar de ser um menino que corre só há três anos. É muito pouco”, opinou. 
 
“E o desenvolvimento e o crescimento que ele teve foi muito grande”, sublinhou. “Ele se desenvolveu muito. Isso foi bom também para a gente entender o nível dos nossos pilotos aqui no Brasil. Hoje o Brian, comparando com o Lucas Torres de um ano atrás, é um piloto mais completo. A ideia nossa é que a cada ano a gente possa melhorar os nossos pilotos para irem lá para fora, para que o piloto do ano que vem seja melhor que o Brian deste ano e assim por diante. A gente tenta a cada ano diminuir esse gap que tem entre os nossos pilotos na parte técnica com os pilotos estrangeiros. Esse é o trabalho da equipe, é o desafio dela”, destacou.
 
Por conta da idade, Torres agora volta a competir no Brasil, com Brian assumindo a vaga no time de Alzamora na Pré-Moto3.
Título de Brian David foi o primeiro da equipe de Alex na GPR 250 (Foto: Equipe Sanderson)
“O Lucas, como ele está fora da idade, ele voltou para o Brasil. A gente só tem uma vaga na equipe do Emilio e agora é o Brian que vai ocupar essa vaga”, disse Alex.
 
Questionado pelo GP sobre a qualidade da base brasileira, Barros apontou uma melhora no panorama e garantiu que os pilotos que está preparando ainda vão dar muito que falar.
 
“Ela está média. Mas temos ainda muito para melhorar”, respondeu. “Inclusive eu tenho alguns projetos desenhados para o futuro, mas, com o que nós temos hoje, por exemplo, eu estou muito feliz de como está indo. De como os pilotos estão se comportando e dos resultados que estamos alcançando. A gente só está no começo. Mas isso ainda vai dar muito... Você vai ver que esses pilotos hoje na equipe ainda vão dar muita história. Você vai ver o reflexo que vai dar isso”, assegurou. 
 
“Esse trabalho que está sendo feito agora, daqui três ou quatro anos, vai dar um reflexo muito grande. E outra, não vão ser todos os pilotos que vão dar certo, infelizmente. Eu gostaria que todos dessem certo, mas os pilotos também que não derem certo, vão ser grandíssimos pilotos aqui no Brasil”, considerou.
 
Quando os pilotos embarcam para o exterior, eles seguem ligados à equipe de Alex, mas com chances de subirem todos os degraus dentro do projeto da Estrella Galicia na Espanha. Graças a acordos com a Monlau de Alzamora e com a Marc VDS, a cervejeira espanhola está da base ao topo, da Pré-Moto3 até a MotoGP.
 
E o melhor: “Tudo financiado, tudo financiado, que é o mais importante. Os pilotos só têm de se preocupar em correr”. 
 
“E quando o piloto vai para fora, a gente tem um contrato de gestão de carreira dos pilotos. Que é o caso do Brian agora que ele vai para fora. Ele tem um contrato com a equipe, quando ele assume a posição do piloto que vai para a estrutura do Emílio, nós aqui do Brasil fazemos a administração da carreira dele”, relatou. “Por quê? Para não perder o piloto. Amanhã a gente investe num piloto de base três, quatro anos, aí chega uma empresa concorrente ou uma equipe concorrente querendo tirar o piloto, isso a gente evita, justamente para não ter prejuízo”.
 
Mas os pupilos de Barros não têm moleza, já que o ex-piloto cobra resultados. E na escola. “Tem que passar de ano. De vez em quando os pais me ligam e aí eu dou uns puxões de orelha neles. Aí melhora. Eu uso a moto como base de moeda de troca. É normal, isso faz parte e eu passei por isso também, eu sei como é que é”, contou rindo.
 
“As crianças crescem muito rápido. Quando eles chegam na equipe e quando eles vão embora da equipe, o crescimento é brutal. É muito grande. O legal de ver é o amadurecimento, o crescimento deles. E é como um todo. Eu não falo só do tempo por volta, não é isso. É o amadurecimento como ser humano, principalmente”, indicou. “O piloto não vive sem a pessoa, a pessoa vive sem o piloto, então primeiro a gente vê muito a questão do caráter. Ele tendo os princípios que nós buscamos, a gente trabalha depois ele como piloto profissional, que não é só andar rápido, é técnica de moto, é ser pontual, se vestir, saber falar, se comportar, ter responsabilidade, saber superar as dificuldades — que são várias —, saber aguentar pressão, saber se expressar, sorrir — mesmo na hora que as coisas estão difíceis —, saber lidar com as coisas difíceis, quando está em um momento difícil de tensão, então tudo isso faz parte do amadurecimento do piloto”, concluiu.

 

E se os carros de F1 forem como este que a McLaren desenhou?http://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/video-mclaren-apresenta-visao-de-f1-do-futuro-com-revolucionario-modelo-conceitual-mp4-x

Posted by Grande Prêmio on Quinta, 3 de dezembro de 2015
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