Motociclismo
12/06/2015 08:00

Conta-giro: Único brasileiro no Europeu de Superstock 600, Sampaio se vê como “um peixe num mar de tubarões”

Estreante no Campeonato Europeu de Superstock 600, Pedro Sampaio reconheceu que existe um déficit na base do motociclismo brasileiro e contou que se sentiu ‘um peixe em um mar de tubarões’ ao estrear na categoria de apoio ao Mundial de Superbike
Warm Up
JULIANA TESSER, de São Paulo
A base do motociclismo brasileiro está longe de ser a ideal, mas, ainda assim, já é possível ver alguns progressos resultantes das recém-criadas categorias destinadas a jovens pilotos, como a Honda Júnior Cup, da Superbike Series, e a GPR250, do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, por exemplo. 
 
Recentemente, Eric Granado deixou de ser o representante solitário do Brasil nas categorias mundo a fora e ganhou a companhia de Meikon Kawakami, que este ano disputa a Moriwaki 250 Júnior Cup; de Lucas Torres, que compete no CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade) de Pré-Moto3; e de Pedro Sampaio, que estreou no Europeu de Superstock 600. 
Pedro Sampaio faz sua primeira temporada na Superstock 600 (Foto: Divulgação)
Embora o salto para o exterior tenha sido possível, a caminhada é difícil para todos eles, uma vez que as categorias brasileiras não têm o mesmo nível de competitividade das demais. 
 
Aos 17 anos, Pedro Sampaio chegou ao Campeonato Europeu de Superstock 600 neste ano, vestindo as cores do Team Aspi, uma escuderia especializada na promoção de jovens pilotos que é da família do francês Matthieu Lussiana, campeão brasileiro na GP1000 no ano passado.
 
Ainda na Europa pouco após a etapa de Portimão, onde repetiu seu melhor resultado a bordo a Yamaha YZF R6 #28 — um 24º posto —, o piloto nascido em Bento Gonçalves, no Rio Grande Sul, conversou com o GRANDE PRÊMIO sobre essa nova fase da carreira e contou que ganhou sua primeira moto aos quatro anos.
 
“Ganhei minha primeira moto 50cc dos meus pais quando eu tinha quatro anos de idade e aos cinco anos já andava com ela. Aos oito anos comecei a andar em pistas de motovelocidade com uma 150cc”, contou Pedro. “Meus pais me incentivaram desde que eu me lembro como gente”, frisou.
 
Ainda disputando as categorias regionais do Rio Grande do Sul — onde foi campeão em 2008, 2009 (150cc), 2012 (CB300), 2013 e 2014 (GP600) —, Pedro chegou ao Campeonato Brasileiro e ficou com o vice-campeonato da GP600 em 2014, apenas 13 pontos atrás de Maximiliano Gerardo, o campeão da categoria.
 
“Ganhei muita experiência nesses curtos dois anos que fiz o Campeonato Brasileiro e me desenvolvi muito como piloto”, avaliou o #28. “Foram anos essenciais para eu chegar onde estou agora”, frisou.
 
 A chegada à categoria preliminar do Mundial de Superbike surgiu graças à parceria entre o Motoclube 36, fundado em Belo Horizonte em 2009 e que, em 2012, colocou Philippe Thiriet e Heber Pedrosa na Superstock 1000, e o Team Aspi.
 
“Estou aprendendo muita coisa nova aqui com os outros pilotos, com a minha equipe e com meu companheiro de equipe, o francês Matthieu Lussiana”, comentou o piloto de 17 anos. “Tenho a dificuldade de não conhecer nenhuma das pistas do calendário e praticamente não treino antes das corridas, o que tem dificultado bastante esse meu ano de estreia na categoria”, continuou.
 
“Mas estou tentando ter paciência e não me afobar esse ano, filtrar o máximo de conhecimento possível para tentar fazer uma temporada 2016 mais forte”, frisou.
Pedro foi o segundo colocado no brasileiro de GP600 em 2014 (Foto: Sérgio Sanderson/Grelak Comunicação)
Antes de chegar à Europa, Pedro disputou algumas etapas na Argentina e no Uruguai, mas a experiência no exterior não facilitou em nada a mudança para a Europa. Questionado pelo GP sobre o processo de adaptação na categoria europeia, o piloto foi claro: “Difícil”.
 
“O ritmo de pilotagem aqui é totalmente diferente do Brasil”, apontou. “Na minha categoria tem, normalmente, um grid de 40 pilotos e, desses 40 pilotos, todos são rápidos e com os tempos muito próximos”, sublinhou. 
 
“E as pistas também são bem diferentes. São todas técnicas e longas, o que adia ainda mais o processo de reconhecimento da pista quando você anda pela primeira vez”, relatou.
 
Além das diferenças em termos de competitividade, a estreia na categoria europeia também significou uma mudança de vida para o jovem de Bento Gonçalves, que passou a viver, ao menos em parte da temporada, na pequena Bénévent L'abbaye.
 
“Hoje eu moro em uma pequena cidade, uma vila, na verdade, — 800 habitantes — na França, a trezentos quilômetros ao sul de Paris”, contou. “Fico bastante tempo com a minha equipe, fazendo a mecânica das motos, e também bastante tempo dedicado ao preparo físico (andar de bicicleta, correr, fazer crossfit e etc.), o que, com o nível que o esporte está atingindo, fica cada vez mais importante”, seguiu.
 
O piloto, que já disputou as etapas de Aragão, Assen, Ímola e Portugal da Superstock      600, explanou que aprendeu bastante no Campeonato Brasileiro, mas admitiu que encontrou um ritmo bastante difícil na categoria estrangeira. 
 
“Aprendi muito no Campeonato Brasileiro, mas ainda falta muito para a motovelocidade brasileira ser equivalente à Europeia em questão de nível — tirando a categoria principal, GP1000, que está com um nível mais parecido com o da Europa”, opinou. “Admito que na minha primeira corrida me senti ‘um peixe num mar de tubarões’, mas agora já estou começando a me acostumar com o ritmo europeu e a cada corrida, diminuindo um pouco meu gap para os líderes”, detalhou.
 
 Em seu primeiro ano na categoria, Pedro traçou uma meta mais simples, mirando aprender e reduzir o atraso em relação ao líder. Depois de cinco provas, o brasileiro registrou sua menor diferença na primeira corrida de Aragão, quando recebeu a bandeirada com 52s281 de atraso para Toprak Razgatlioglu, o vencedor.
 
“Minha meta é tentar aprender o máximo possível e tentar diminuir a distância para zona de pontuação”, explicou.
 
Questionado sobre qual o objetivo para a carreira, Pedro revelou que não tem um plano específico, mas não se vê tão longe do Mundial.
Pedro Sampaio tem Matthieu Lussiana como companheiro de equipe (Foto: Divulgação)
“Creio que o campeonato mundial não está assim tão longe de mim. Hoje já estou competindo nas mesmas pistas e numa categoria de onde vieram vários campeões mundiais, como Sam Lowes, Michael van der Mark, entre outros”, falou. “Ainda estou longe do pelotão da frente, mas acho que se continuar persistindo, com dedicação, consigo chegar lá”, considerou.
 
O sonho, no entanto, esbarra na barreira financeira, um problema bastante presente nas mais diversas categorias do esporte a motor.
 
“Essa é a principal dificuldade que estou tendo para confirmar minha temporada 2016 no campeonato. Esse ano, tive que contar com muita ajuda dos meus pais para completar o dinheiro do patrocínio”, disse. “Na Europa é difícil achar gente que queira investir em brasileiros — o que é completamente normal se nos colocarmos no lugar deles — e a minha categoria não dá uma visibilidade tão grande para o Brasil por conta da transmissão da TV”, ponderou. 
 
“Mas não estou desanimado, bem pelo contrário. Acho que trabalhando bastante nesse tempo em que vou ficar no Brasil depois da corrida de Misano, podemos viabilizar minha temporada 2016”, completou. 
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