Nascar
26/12/2016 06:00

Temporada 2016 da Nascar tem Chase equilibrado e campanha histórica do heptacampeão Johnson

Jimmie Johnson, Joey Logano, Kyle Busch e Carl Edwards foram para a final do Chase em completo equilíbrio. Foi uma decisão que fez justiça a uma temporada tão surpreendente quanto disputada. O GRANDE PRÊMIO recorda o desenrolar do ano
Warm Up
VITOR FAZIO, de Porto Alegre

A temporada 2016 da Nascar foi marcante. Não que 2015 não tenha reservado um ano especial, mas este ano aparenta ter mudado a disposição das cartas na mesa da categoria. Grandes nomes enfrentaram dificuldades, enquanto jovens pilotos – além de um certo hexacampeão – conseguiam encontrar alguma forma de sucesso que esperava as expectativas.
 
Do começo ao fim, tivemos surpresas. Da marcante edição da Daytona 500 até a imprevisível decisão do Chase, foi um ano que prendeu atenção do público. Nada mais justo do que o GRANDE PRÊMIO recordar todas as 36 corridas, dando sequência às retrospectivas da temporada do automobilismo.
 
A temporada começou em 21 de fevereiro, justamente com a famosa corrida de Daytona. O treino classificatório reservou uma surpresa: Chase Elliott, logo em sua primeira volta rápida no #24, superou Matt Kenseth e levou a pole-position. Claro, não é tão absurdo se considerarmos a velocidade da Hendrick em superspeedways, mas chama atenção – o novato chegou chegando.
 
Pena que isso não serviu para nada. Na corrida, Elliott rodou e destruiu a frente do carro. Foi um dos acasos que permitiu o domínio dos carros de ponta da Toyota – os quatro da Joe Gibbs, além de Martin Truex Jr – sempre na frente, o grupo parecia se revezar na liderança antes do esperado caos da última volta – que começou com Matt Kenseth em primeiro.
 
Acontece que abrir a última volta em primeiro não significa absolutamente nada. Denny Hamlin ganhou muita força na reta oposta e partiu para a ofensiva na curva 3. Aí foi só encaixar uma ultrapassagem sobre Kenseth, que quase perdeu controle do carro e ficou para trás. Enquanto isso, Truex veio por baixo para derrubar Hamlin.
Chegada histórica em Daytona (Foto: Reprodução/TV)

Os dois saíram da curva 4 emparelhados. Truex parecia ter mais velocidade para o que havia virado uma corrida de dragsters. Mas o jogo virou: pequenos toques com Hamlin limaram a vantagem, permitindo uma vitória marcante do #11 por apenas 0s01 – menor vantagem da história da prova. Belo jeito de abrir o ano, não?
 
Na semana seguinte, todos estavam em Atlanta, palco da segunda prova do ano. Era uma corrida importante: o novo pacote aerodinâmico da categoria, com muito menos downforce, estava estreando e prometendo surpresas. Não que a novidade fosse virar o grid de cabeça para baixo, mas era um elemento interessante.
 
De fato, os vencedores das provas seguintes variaram bastante. Jimmie Johnson levou Atlanta, etapa marcada pela grande competitividade entre os líderes. Brad Keselowski venceu em Las Vegas, em um confronto mais direto entre Penske e Joe Gibbs. Phoenix ficou com Kevin Harvick – não é surpresa nenhuma, mas o photo-finish colocou a corrida como um dos pontos altos do ano. Foi só em Fontana que tivemos um vencedor diferente – novamente Johnson, que vivia um início de ano de altos e baixos.
 
As quatro primeiras corridas do ano tiveram vencedores de quatro equipes diferentes, portanto. Além disso, quatro vencedores que tiveram que brigar muito duro para alcançar alguma vantagem sobre os adversários. O tal pacote estava caindo na graça do povo ao melhorar a qualidade das corridas.
 
Mas aí Kyle Busch acordou. Não que isso tenha sido suficiente para acabar com a graça do campeonato, mas certamente mudou o panorama. O #18 encabeçou uma reação da Joe Gibbs, que parecia ter o melhor carro – mas sofria para vencer com mais frequência. Pois o campeão regente foi lá e venceu tanto em Martinsville quanto no Texas. Quem também encaixou duas seguidas foi Carl Edwards, que levou a melhor tanto em Bristol quanto em Richmond.
 
Aliás, já estava ficando claro que a Joe Gibbs tinha plenas condições de manter o domínio por mais alguns meses. Depois da vitória de Keselowski em Talladega – uma corrida bem louca, diga-se de passagem –, veio outro triunfo de Kyle Busch no Kansas e o primeiro de Matt Kenseth em Bristol. Para deixar claro quem mandava no pedaço, Truex – que corre na Furniture Row, mas tem o mesmo material da Joe Gibbs – levou uma vitória arrasadora nas 600 Milhas de Charlotte após liderar 98% das voltas. Em outras palavras, sete triunfos da Toyota em oito provas.
 
É evidente que a concorrência, em uma situação tão chata, tentaria reagir. Era necessário: grandes nomes – Kurt Busch, Joey Logano, Chase Elliott e Dale Earnhardt Jr. – ainda não haviam vencido em 2016. Isso significava que suas presenças no Chase ainda estavam em aberto – prováveis, mas incertas. Aliás, a segunda metade da temporada regular foi um mar de incerteza para aqueles que se arriscavam ao atravessar um ano sem triunfos.
Martin Truex Jr. dominou em Charlotte como poucas vezes se viu (Foto: Reprodução/Twitter)
Kurt resolveu seus problemas já em Pocono, corrida realizada na segunda-feira que sucedeu um domingo extremamente chuvoso. Logano, até então apenas na sombra do companheiro Keselowski, dominou e venceu em Michigan, já na semana seguinte.
 
Mas o maior vencedor do ano ainda estava por vir.
 
Tony Stewart vinha vivendo uma temporada levemente infernal. Depois de se arrebentar em um acidente de buggy na pré-temporada, o tricampeão perdeu as oito primeiras provas de 2016. Era triste de se ver, levando em conta que era a última temporada de Tony na Nascar. Ao regressar ao #14, já estava claro que a presença no Chase só seria possível através de vitória. E quem acompanhou as temporadas recentes de Stewart sabe que essa seria uma missão muito, muito difícil.
 
Se a vitória viesse, havia de vir em um circuito misto. Primeiro que Stewart tem um belo histórico neles, segundo que eles costumam ter surpresas, de um jeito ou de outro. Sonoma estava logo ali.
 
Apostando em uma estratégia arriscada – trocar pneus em um ciclo de bandeira verde, torcendo por uma amarela em seguida – Tony conseguiu saltar do meio do pelotão para a liderança, quase um passe de mágica. O problema passava a ser outro: segurar Hamlin com pneus mais gastos.
 
Stewart vinha controlando a situação com certa tranquilidade. Hamlin não estava sendo excessivamente agressivo, talvez poupando material para um bote certeiro – que só veio na metade da última volta: Denny mergulhou e assumiu a liderança. Isso até o próprio #11 errar sozinho, perder a tangência da última curva e entregar a vitória para um incrédulo Tony. Era a redenção de alguém que superava seus demônios, de alguém que colocava um pé e meio no Chase – faltava confirmar a posição entre os 30 primeiros, o que veio com certa facilidade.
Tony Stewart, o vencedor em Sonoma (Foto: Nascar)
Assim, a busca pelas últimas vagas no Chase se desenhava de forma interessante. As últimas cinco vagas em aberto estavam nas mãos de Elliott, Dale Jr., Newman, Dillon e McMurray. Os dois primeiros pareciam nomes quase certos, enquanto os três últimos ainda precisavam bater de frente com caras como Kahne, Blaney, Allmendinger e Larson.
 
As corridas seguintes não foram cruciais para os rumos do campeonato – Keselowski levou Daytona e Kentucky, Kenseth venceu em New Hampshire. A pontuação, por sua vez, indicava mudanças na classificação para os playoffs.
 
Para começo de conversa, Dale Jr. estava fora de combate. Por conta de uma concussão sofrida na corrida de Michigan, o titular do #88 ficaria de molho pelo resto do ano. Uma decisão dura, mas necessária. Alex Bowman e Jeff Gordon – ele mesmo – estavam de volta para preencher o espaço em branco até o fim de 2016.
 
Isso significou mais uma vaga em aberto no Chase, mesmo que de um jeito incômodo como esse. Bom para Kyle Larson, que entrou no grupo dos 16 após um bom resultado em Indianápolis, etapa vencida pelo xará Kyle Busch.
 
Em Pocono, o jogo viraria novamente. Em mais uma etapa disputada na segunda-feira – agora por conta da forte neblina – o acaso reinou. A pista deixou de ter condições de corrida justamente no fim de um ciclo de pits. O novato Chris Buescher, que retardava seu pit ao máximo, tirou a sorte grande: a neblina voltou com muita força quando o #34 liderava. Assim, a prova foi encerrada, e Buescher foi declarado vencedor.
 
Chris ainda precisava superar David Ragan e garantir o 30º lugar na classificação do campeonato. Foi uma missão difícil, mas alcançada. Assim, restavam quatro vagas em aberto no mata-mata. Detalhe: cinco pilotos – Elliott, Dillon, Newman, McMurray e Larson – tinham chances reais. Um ia sobrar.
 
Em Watkins Glen, Hamlin acabou com uma seca de vitórias que durava desde Daytona. Enquanto isso, Larson rodava após ser tocado por Allmendinger e ficava em situação bastante ruim no Chase. O #42 também bateu em Bristol, etapa vencida por Kevin Harvick.
 
Sorte de Larson que o mundo dá voltas. Kyle fez uma corrida muito boa em Michigan, dominou e venceu a primeira da carreira. Era outro plot-twist nos rumos do Chase: agora Elliott, Dillon, McMurray e Newman brigavam por três vagas. Ryan, que vinha em uma sequência de resultados fracos, precisava pontuar muito bem nas últimas duas provas da temporada regular. Era isso ou vencer.
 
A vitória não viria em Darlington – quem levou foi Truex. O oitavo lugar de Newman foi bom, mas não bom o suficiente – ainda seria necessário reverter um déficit de 20 pontos para McMurray em Richmond.
 
Que também não foi possível. Newman acabou batendo, vítima de um acidente de Tony Stewart. Enquanto Hamlin vencia a terceira do ano, o Chase acabava  formado de um jeito relativamente previsível. Elliott, Dillon e McMurray se juntaram aos vencedores Kyle Busch, Keselowski, Hamlin, Harvick, Truex, Edwards, Kenseth, Johnson, Logano, Larson, Stewart e Buescher.
Os pilotos do Chase (Foto: Nascar Media)
O Chase
 
Tudo começou em Chicagoland. A prova não foi particularmente agitada, mas os chasers tiveram sua dose de infelicidade. Harvick foi vítima de um pit stop com timing péssimo e ficou preso uma volta atrás dos líderes até o final, terminando em vigésimo. Larson, com um pneu problemático, caiu para 18º no fim. Estes dois, ao lado das zebras Buescher e Stewart, estavam na zona de eliminação – o que já não era mais problema para Truex, vencedor e classificado.
 
Harvick, que parece lidar muito bem com situações de pressão, partiu para New Hampshire já querendo repetir o que fez em 2015 – vencer na primeira fase e anular um resultado ruim. O #4 fez um trabalho hercúleo, tirou as Toyotas do caminho e levou a vitória ao fazer uma ultrapassagem certeira sobre Kenseth. Larson acompanhou Kevin na saída do buraco, abrindo caminho para a dupla Dillon e McMurray. Nessas alturas, Stewart só passaria através de reza. Buescher, só com macumba.
 
Acontece que a corrida seguinte seria em Dover, e essa é uma pista muito boa para surpresas. Johnson foi eliminado por lá em 2015, mesmo tendo acumulado uma vantagem de pontos muito boa. Parecia claro que alguém passaria por algo parecido em 2016 – só não se sabia quem. Pois foi Larson. Aquele que tinha ótimo retrospecto em ovais curtos teve problemas de bateria ainda no começo, perdeu três voltas e ficou apenas em 28º. McMurray, companheiro de Ganassi e beneficiário imediato, explodiu o motor e foi 40º - também conhecido como último. O presente de Natal de Dillon chegou cedo, e o #3 foi para a fase seguinte mesmo sem fazer corridas brilhantes. Stewart até chegou a sonhar com um avanço surpreendente, mas ficou por isso mesmo. Buescher completou sua saga da única forma possível: se arrastando e sem chamar atenção.
Kevin Harvick (Foto: Nascar Media)
Os poucos acidente na primeira fase foram todos recompensados em Charlotte. Em uma prova que premiou aqueles que chegassem inteiros ao final, Johnson venceu a primeira em sete meses. Não foi uma vitória por sorte – o #48 liderou a maioria das voltas e estava simplesmente rápido. A questão é que os concorrentes estavam facilitando a vida... Logano, Harvick, Elliott e Dillon bateram em uma única relargada, acabando em posições péssimas. Hamlin quebrou um motor. Assim, com tantos inconvenientes, a sequência da segunda fase do Chase havia virado um mistério.
 
A prova do Kansas, no final de semana seguinte, também teve um desenvolvimento interessante. Harvick, por exemplo, voltou a vencer para superar um resultado ruim. Em contrapartida, Keselowski bateu feio e se complicou de vez. Ao lado do #2, Elliott, Hamlin e Dillon iam para Talladega com a corda no pescoço. E olha que Talladega deve ser o pior lugar para se estar com a corda no pescoço.
 
Prova disso é Truex. O cidadão partiu para o superspeedway em situação relativamente tranquila, mas explodiu o motor e deu adeus ao campeonato. Mais algumas voltas e o mesmo aconteceu com Keselowski. Elliott, precisando de vitória, simplesmente não conseguia se firmar entre os líderes, o que resultou na eliminação. No combate direto entre Hamlin e Dillon, o melhor conjunto da Joe Gibbs acabou prevalecendo. O #11 foi terceiro em uma prova vencida por Logano.
 
A terceira fase começou com uma corrida também imprevisível. Martinsville, que em 2015 trouxe a última vitória de Gordon, voltou a premiar um carro da Hendrick. Johnson trilhou o caminho das pedras – incluindo um pneu problemático e uma quase pane-seca – para vencer a quarta corrida do ano. Era um resultado sensacional: o #48, que entrou no mata-mata como patinho feio, estava com a faca e o queijo na mão para ser heptacampeão.
Carl Edwards lidera pelotão no Texas (Foto: Nascar)
Enquanto isso, Edwards batia ao furar um pneu. Pelo rádio, avisou a equipe: “Vamos vencer no Texas”. Seria necessário.
 
Edwards não foi ao Texas como favorito. O carro #19 era rápido, mas não parecia sensacional. Ao longo da corrida, Carl se firmou em segundo, atrás do líder eliminado Truex. Era suficiente para, em uma bandeira amarela, tentar levar a ponta – justamente o que aconteceu, após um pit perfeito.
 
Na liderança, Edwards ia precisar segurar Truex, visivelmente mais veloz. Mas nem precisou: a chuva veio com força e a corrida, que já havia começado com atraso por conta do clima, foi encerrada no ato. De forma heroica, Carl já estava na final do Chase. Agora Kyle Busch, Logano, Kenseth, Hamlin, Harvick e Kurt Busch brigavam pelas últimas duas vagas na decisão em Homestead.
 
Esta briga seria em Phoenix. E podia muito bem ter um intruso: Alex Bowman, no #88 de Dale Jr., fez a pole e liderou o maior número de voltas. O problema é que justamente no final Bowman perdeu a liderança para Kenseth, que precisava vencer para avançar com tranquilidade.
 
A questão é que Bowman não tinha nada a perder. Podia ir para o tudo ou nada. Em uma relargada no fim da corrida, tomou uma linha mais agressiva. Além disso, Kenseth errou ao tangenciar a curva 1. A consequência foi um toque que acabou com a corrida dos dois – e com o campeonato de Matt, por tabela. Logano herdou a vitória, enquanto Kyle Busch levou a última vaga por conta da pontuação.
 
Com um quarteto desses, era muito difícil falar em favoritismo na etapa de Homestead. Kyle Busch, Edwards, Logano e Johnson tiveram, todos, um ano de altos e baixos. Nenhum dominou, nenhum ficou devendo. Todos partiram para a decisão por mérito e brigariam de igual para igual.
Jimmie Johnson, agora heptacampeão (Foto: Nascar Media)
Mas, mesmo no mundo do igual para igual, alguns sairiam em desvantagem. Os mecânicos de Johnson fizeram alterações ilegais no carro. Além de reverter as mudanças, o #48 precisou largar em último. Não faria muita diferença em uma corrida de 500 milhas, mas era um obstáculo.
 
Sem problemas, Johnson pintou entre os dez primeiros em seguida. Enquanto isso, Edwards dominava a corrida. Pouco mudou até as últimas voltas, na verdade. Salvo raros bons momentos de Logano, Carl tinha a prova sob controle.
 
Isso até a penúltima relargada. Larson liderava, Edwards era segundo. Carl não largou bem e precisou mudar de trajetória para sustentar a condição de campeão. Foi para a esquerda, fechou Logano e iniciou um grande acidente. Além do próprio #19, Keselowski, Truex e Kahne também ficaram pelo caminho.
 
Restando poucas voltas, apenas Logano, Johnson e Kyle Busch tinham chances. Joey tinha pneus novos, Jimmie estava na frente. Não só o #48 se sustentou à frente dos adversários, como também ultrapassou Larson e venceu a corrida mais importante do ano. O hepta, de Richard Petty e Dale Earnhardt, voltava a ser conquistado na Nascar.


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