Outras
25/12/2016 05:00

Derani ganha força no endurance com vitórias em Daytona e Sebring. E Sette Câmara vive 2016 irregular

Representantes de duas modalidades opostas do esporte a motor, os jovens brasileiros Pipo Derani e Sérgio Sette Câmara viveram um 2016 também distinto, mas com destaques positivos em provas importantes em suas categorias
Warm Up
EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
JULIANA TESSER, de São Paulo
 
A temporada 2016 viu dois jovens brasileiros tentarem a afirmação em categorias que podem ser colocadas como opostas do esporte a motor. Enquanto um preferiu abrir mão dos monopostos e mergulhou de cabeça no mundo dos protótipos e do endurance, o outro segue nos campeonatos de base, cujo o único objetivo é alcançar a F1. O ano foi cheio para Pipo Derani, 23, e Sérgio Sette Câmara, 18.
 
O primeiro esteve envolvido durante a temporada com as provas de longa duração, competindo no Mundial de Endurance, o Blancpain Series e o campeonato norte-americano de endurance – o IMSA, o WeatherTech SportsCar. A verdade é que o paulista optou por abandonar as séries de fórmula para se dedicar aos protótipos. E a decisão parece ser mais do acertada. Depois de um 2015 de muitas experiências, Derani provou a adaptação rápida aos carros e foi colecionando bons resultados ao longo da temporada, vencendo corridas tradicionais, o que agora coloca seu nome em destaque para novas oportunidades a partir do próximo ano.
Pipo Derani foi destaque no WEC (Foto: Drew Gibson)
Pilotando o Ligier-Nissan da Extreme Speed na classe LMP2 do WEC e ao lado Ryan Dalziel e Chris Cumming, Pipo obteve como melhor resultado um sexto lugar logo na estreia, nas 6h de Silverstone, na Inglaterra. Nas tradicionais 24 Horas de Le Mans, o brasileiro e os companheiros saíram de um bom 14º lugar, mas terminaram a prova apenas em 42º. No fim, Derani e os colegas terminaram o campeonato com a quarta colocação, com 116 pontos.
 

Derani também ganhou a chance de andar com a McLaren nas 24 Horas de Spa-Francorchamps, dividindo o modelo da famosa equipe da F1 com Bruno Senna e Duncan Tappy. A prova, é bem verdade, se mostrou mais complicada que esperado. O trio enfrentou diversos problemas mecânicos durante a corrida, mas, ainda assim, conseguiu completar a prova com a 40ª posição.
 
Só que o melhor rendimento do piloto de São Paulo pode ser visto mesmo no IMSA nos Estados Unidos. Guiando o Ligier #2 da equipe Tequila Patrón ESM - a mesma do WEC, Pipo brilhou com atuações consistentes, especialmente nos turnos finais das provas que venceu. O jovem disputou apenas quatro etapas do campeonato: Daytona, Sebring, Watkins Glen e Petit Le Mans. E a performance fez o time concluir a temporada na 12º colocação da tabela, com 128 pontos.
 
Foi ao pódio em três delas, fez uma pole e saiu vitorioso em duas — nas duas mais importantes e realizadas ainda no início do ano: as 24 horas de Daytona e as 12 de Sebring, algo que nenhum brasileiro havia conseguindo. Em Road Atlanta, o jovem ainda cruzou a linha de chegada com em uma sólida segunda posição.
 
O desempenho impressionou pela maturidade e resistência apresentadas pelo então estreante, que foi o responsável por conduz o carro na parte final de ambas as corridas. Na tradicional pista da Flórida, Derani andou ao lado de Ed Brown, Johannes van Overbeek e Scott Sharp e levou a melhor em disputa com o #10, que tinha em seu quarteto Rubens Barrichello. O paulista classificou na segunda colocação e foi quem fez o stint final, chegando com 26s1 de vantagem para Max Angelelli, que comandou o #10 na parte final da prova, em últimas voltas de grande tensão.
Pipo Derani testou pela Toyota (Foto: Jakob Ebrey)
“Esta é minha primeira corrida nos Estados Unidos, minha primeira disputa das 24 Horas de Daytona. Tivemos um alarme da temperatura do câmbio e da direção assistida, e isso nos deu um pouco de medo. Talvez tenha sido só um sensor, meu engenheiro me manteve tranquilo, mas nos últimos 30 minutos deu um pouco de medo”. Foi o que Pipo disse após o triunfo.
 

Novamente junto a Ed Brown, Johannes van Overbeek e Scott Sharp, Derani foi quem assumiu o carro para um stint final em Sebring. Em dez minutos, o brasileiro saiu do quarto posto para a liderança e recebeu a bandeira quadriculada. Foi a primeira vez, desde 1998, que o mesmo grupo vence Daytona e Sebring na mesma temporada.
 
"Foi sensacional! Inacreditável vencer Daytona e Sebring no mesmo ano", celebrou Derani depois de mais uma vitória. "Foi uma corrida extremamente difícil, começando no seco, depois no molhado e a paralisação com a bandeira vermelha. Também fiz um stint longo com pneus de pista seca na chuva e depois, no final, as duas últimas horas foram pura emoção", contou.
 
E assim Pipo descreveu seu 2016, que ainda teve um teste com o protótipo da Toyota na classe LMP1, no Bahrein, logo após o encerramento da temporada do WEC. “2016 foi um grande ano. Atingi objetivos pessoais e me tornei o primeiro piloto na história a vencer Daytona e Sebring na estreia. Se eu falar que 2016 não foi o melhor ano da minha carreira estaria mentindo”, disse ao GRANDE PRÊMIO.

Sette Câmara

Ao contrário de Pipo, Sette Câmara não teve um ano dos melhores. Apesar de ter começado 2016 com grandes expectativas, o mineiro de Belo Horizonte não conseguiu colher tantos bons frutos assim.
 
Anunciado no fim de 2015 como integrante do programa de jovens pilotos da Red Bull, Sérgio abriu a temporada cercado de expectativas, mas ele mesmo reconhece que os resultados ficaram aquém do esperado. Em sua segunda temporada completa na F3 Europeia, Sette Câmara conquistou dois pódios em 30 provas — um segundo lugar na corrida 2 de Pau e um terceiro na corrida 3 de Norisring —, teve cinco abandonos e 12 provas fora do top-10, somando um total de 117 pontos e fechando o ano com a 11ª colocação na classificação.
Sérgio Sette Câmara foi ao pódio em Macau (Foto: Volkswagen)
A busca por resultados foi dificultada por um relacionamento problemático com a equipe e também por falhas do carro, que teve diversas quebras ao longo do ano.
 

“Foi um ano abaixo da expectativa. Era meu segundo ano de F3, participando do programa de jovens pilotos da Red Bull, então a expectativa era a mais alta possível. Tive uma briga interna na equipe, briguei com meu engenheiro, acabei trocando de engenheiro no meio do campeonato, isso não também não é o mais ideal”, contou Sette Câmara em entrevista ao GRANDE PREMIUM. “Foi um ano muito fraco na F3 Europeia, eu não me dei bem com minha equipe, tive problemas mecânicos também. No começo do ano, eu estava andando no top-5, top-6, só que cometi alguns erros, mas o ritmo não era o esperado, eu não era o mais rápido”, continuou.
 
“O carro não parava de quebrar e, na F3 a penalização por quebra de motor é muito severa. São três provas, dez posições de punição. Fiz três poles, mas nunca larguei da frente. No final do ano, classifiquei em segundo e terceiro e não larguei. No final, foram dez corridas de 30, que eu tomei uma penalização desse tipo”, recordou.
 
 
O brasileiro Sérgio Sette Câmara foi escalado pela Toro Rosso para os testes coletivos em Silverstone (Foto: Toro Rosso)
O destaque de 2016, entretanto, ficou por conta da performance no GP de Macau, uma das mais tradicionais provas do calendário da F3. Em sua segunda participação, o mineiro correu pela Carlin e conquistou o terceiro posto, atrás apenas dos veteranos António Félix da Costa e Felix Rosenqvist.
 

“Foi a única corrida realmente boa, o clima na equipe era bem melhor”, disse Sérgio ao GP*. “Eu realmente curti correr pela primeira vez no ano, era outro ambiente. Curti tanto aquele final de semana que é assim que eu quero correr para o resto da minha vida”, comentou.
 
Mesmo com o ano irregular, Sette Câmara conseguiu dar um passo à frente na carreira. O piloto de BH fechou com a MP Motorsport e vai estrear na GP2 na temporada 2017. Embora a equipe não seja a mais forte da categoria de acesso à F1, é um time capaz de brigar por pódios com frequência.
 
“Meu plano é fazer dois anos na GP2, fazer essa temporada muito bem, conseguir bons resultados. Se fizer isso consigo estar no melhor carro para conquistar o título em 2018. Mas se eu andar bem, por que não? Eu não vejo motivo de não conseguir. A ideia é fazer dois anos de GP2 para chegar na F1 preparado, não gosto de ficar pensando no futuro”, disse Sérgio ao GP*


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