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30/12/2016 06:00

F3 Brasil sofre com crise, Marcas coroa veterano como campeão e MB Challenge vive desfecho surpreendente em 2016

Na esteira da Stock Car e do Brasileiro de Turismo, a F3 Brasil, criada para desenvolver jovens talentos nos monopostos, sofreu com a crise, e o resultado foi um grid bastante abaixo das expectativas. O Brasileiro de Marcas coroou Nonô Figueiredo como campeão, mas viu a saída da Honda ao fim do ano. E o Mercedes-Benz Challenge teve uma temporada pra lá de equilibrada, mas com um desfecho surpreendente
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Sumaré
 
Dentre as competições promovidas e organizadas pela Vicar, fazendo parte do ‘guarda-chuva’ de categorias, com a Stock Car como carro-chefe e o Brasileiro de Turismo como categoria de acesso, a F3 Brasil, o Brasileiro de Marcas e o Mercedes-Benz Challenge viveram momentos distintos na temporada 2016. 
 
A mais rápida e principal categoria de monopostos do automobilismo nacional foi previsível com o título de Matheus Iorio, mas enfrentou muitas dificuldades em razão da crise, que fez com o que o grid chegasse a um mínimo de seis carros no grid. O Brasileiro de Marcas, ao contrário, foi bastante equilibrado e teve o campeão decidido apenas na última corrida, surpreendendo demais com a conquista do veterano piloto Nonô Figueiredo. 
 
E a classe dos gentlemen-drivers foi competitiva como normalmente é, mas teve um desfecho surpreendente no último domingo em interlagos, sobretudo na classe CLA AMG Cup, quando Luiz Carlos Ribeiro, mesmo sem uma vitória na temporada, chegou ao título. Na C 250 Cup, Peter Michel Gottschalk, o ‘Tubarão’, garantiu o bicampeonato, não antes sem muito drama até receber a bandeirada final.
 
 
Domínio de Iorio e crise marcam 2016 na F3 Brasil
 
O ano foi todo de Matheus Iorio na categoria mais rápida do automobilismo brasileiro. Mas quem começou a temporada vencendo a primeira corrida de 2016, realizada no Velopark, foi Carlos Cunha Filho, enquanto Iorio abandonou. Mas depois disso, o dono do carro #34 manteve a supremacia da Cesário nos dois últimos anos na F3 com Pedro Piquet e varreu a concorrência. 
 
Nas outras 15 corridas do campeonato, Iorio somou pontos em todas, conquistando nada menos do que dez vitórias e quatro segundos lugares. Com tamanha força, o título só poderia vir por antecipação. E a taça veio na penúltima etapa, realizada em Goiânia. A F3 Brasil foi a única categoria do ‘guarda-chuva’ da Vicar a ter seu título definido por antecedência, enquanto todos os demais certames só definiram seus campeões somente em Interlagos.
É campeão! Matheus Iorio enfim conquista o título da F3 Brasil (Foto: Marcus Cicarello)
Além de Cunha, que só correu até a etapa de Londrina e depois optou por mudar o foco da sua carreira, seguindo para a Europa, venceram provas na F3 Brasil Guilherme Samaia, o vice-campeão da temporada 2016, com três triunfos; Christian Hahn, que diante de uma pista molhada foi o primeiro a ver a bandeira quadriculada na segunda corrida da etapa de Goiânia; e Artur Fortunato, que surpreendeu ao triunfar na última corrida do ano, em São Paulo.
 
No entanto, a crise econômica e a grande diferença de performance da Cesário para as outras equipes provocou um triste efeito no grid da F3 Brasil. No Velopark, por exemplo, nada menos que 15 pilotos alinharam no grid, sendo apenas dois da categoria Light: Pedro Caland e Renan Pietrowski. Mas esse número só foi caindo na sequência do campeonato: 14 em Santa Cruz do Sul, 13 em Cascavel e dez em São Paulo.

Mas quando se imaginava que o cenário poderia melhorar, eis que em Londrina, na etapa de retomada da temporada após a pausa para os Jogos Olímpicos, apenas sete carros estiveram na pista para o primeiro treino livre. Em Goiânia, por exemplo, foram apenas seis competidores. A ponto de a própria F3 buscar em outras categorias pilotos para preencher o grid na Light: em Londrina, Lukas Moraes acelerou o carro da Cesário, enquanto Dennis Dirani voltou aos tempos de F3 correndo em Goiânia. No fim das contas, por pura falta de adversários, Caland terminou à frente e foi declarado campeão da classe Light.
A F3 Brasil enfrentou a crise e lutou para sobreviver em 2016 (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Durante a temporada, a Vicar acenou com soluções para tornar a categoria mais atraente e mais competitiva para pilotos e equipes, buscando um aumento no grid para 2017. Dentre as medidas, os carros tanto da classe principal como da Light passaram a usar o mesmo tipo de pneu, importado, fornecido pela Pirelli. Outra importante decisão deve ser a de equalização dos motores, e a forma sobre como tal procedimento será feito deverá ser definido em breve.
 
Em um ano marcado pelo título merecido de Iorio, a F3 Brasil encerra 2016 com a certeza de que deve se reinventar para sobreviver.
 
 
No Brasileiro de Marcas, a emoção predominou até o fim
 
Quando se analisa os números da temporada 2016 do Brasileiro de Marcas, nota-se o quanto a categoria foi equilibrada do início ao fim. Ao todo, em 16 corridas disputadas entre abril e dezembro, foram nada menos do que dez vencedores, sendo que nenhum piloto triunfou mais do que duas vezes. Jovens pilotos se destacaram, como Gabriel Casagrande, que foi pole em 11 provas do campeonato, e Guilherme Salas, que partiu duas vezes na posição de honra. O jovem de Jundiaí também brilhou com oito voltas mais rápidas e foi o piloto que mais liderou na temporada, sendo 40 voltas em três corridas. Sem falar também da presença de Luiz Razia, que chegou para deixar o grid do Brasileiro de Marcas ainda mais forte. 
 
Entretanto, na hora da decisão, valeu mesmo a liderança de um velho conhecido do automobilismo brasileiro.
 
Nonô Figueiredo, aos 45 anos, completou sua segunda temporada no Brasileiro de Marcas depois de ter deixado o grid da Stock Car, onde correu por quase duas décadas. No Marcas, Nonô fundou sua própria equipe, a Onze Motorsport, e tratou de acelerar o Chevrolet Cruze. O veterano cumpriu uma temporada muito madura em 2016, alcançando duas vitórias e também sendo o piloto que mais vezes subiu ao pódio: sete. A regularidade, no fim das contas, contou muito em favor de Figueiredo para a conquista da taça.
 
Além de Nonô, venceram corridas em 2016 Vicente Orige (2), Thiago Marques (2), Gustavo Martins (2), Gabriel Casagrande (2), Guilherme Salas (2), Carlos Souza, Daniel Kaefer, Felipe Tozzo e Fábio Carbone. Nonô, além do triunfo em Santa Cruz do Sul, subiu no topo do pódio justamente na corrida mais importante do ano, a última, que teve pontuação diferenciada, em Interlagos. O triunfo foi decisivo para a conquista do título da temporada.
O veterano campeão: Nonô Figueiredo faturou o título do Brasileiro de Marcas em 2016 (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Nonô fechou a temporada com 246 pontos, cinco a mais que Gustavo Martins, também veterano do Brasileiro de Marcas, que correu em 2016 pela equipe JLM com um Honda Civic. Vicente Orige, companheiro de equipe de Martins, foi o terceiro colocado, enquanto Guilherme Salas, um dos bons nomes do campeonato, fez a melhor campanha dentre os pilotos que correram de Renault Fluence. O piloto da Greco Competições foi o quarto colocado com 199 pontos, dez a mais que o cascavelense Daniel Kaefer, outro piloto da JLM Racing.
 
Na disputa das marcas, a Honda confirmou mais um título, terminando à frente de Renault, Chevrolet, Toyota e Ford. Entretanto, a campeã não vai defender sua conquista em 2017, uma vez que a montadora japonesa optou por deixar o Brasileiro de Marcas ao fim desta última temporada. Ainda assim, a categoria promete continuar muito competitiva e emocionante no ano que vem, quando terá todas as 16 provas sendo transmitidas ao vivo pelo canal Esporte Interativo.
 
 
Mercedes-Benz Challenge tem equilíbrio constante e desfecho dramático
 
A sexta temporada da história do Mercedes-Benz Challenge fez jus ao DNA da categoria dos gentlemen-drivers: muita emoção, competitividade, equilíbrio, boas doses de imprevisibilidade e boas corridas. A essência permaneceu a mesma em 2016, um ano que coroou um campeão sem vitórias ao mesmo tempo em que nada menos que seis pilotos subiram ao topo do pódio na CLA AMG Cup. Na C 250 Cup, a taça de campeão ficou com quem já estava: Peter Michel Gottschalk, o ‘Tubarão’, novo bicampeão da categoria.
 
Arnaldo Diniz Filho foi, talvez, o grande nome da temporada na CLA AMG Cup. O paulista, que disputou a temporada 2016 pela Comark Racing, venceu duas provas, sendo a etapa de abertura em Curitiba e a corrida de 11 de setembro em Interlagos. Além de Arnaldo, venceram provas ao longo do ano os seguintes pilotos: Fernando Fortes, em Goiânia 1; Adriano Rabelo, em Tarumã e a grande final em São Paulo; Marcelo Hahn em Cascavel; Christian Mohr em Curitiba 2 e Betão Fonseca, que foi punido, perdeu a vitória na segunda etapa em Goiânia — depois do acidente com Diniz —, mas entrou com recurso e confirmou o triunfo.
Luiz Carlos Ribeiro, campeão do Mercedes-Benz Challenge mesmo sem vencer em 2016 (Foto: Fábio Davini/Vicar)
Como é possível ver, vários foram os vencedores ao longo de uma temporada marcada pelo grande equilíbrio. Sobressaiu quem se manteve regular durante todo o campeonato e conseguiu ficar livre dos problemas na maior parte de 2016. Aí, mesmo sem ter vencido nenhuma das oito provas do ano, levou a melhor o gaúcho Luiz Carlos Ribeiro. O piloto de 43 anos era o vice-líder do campeonato no fim de semana da última etapa do ano, em Interlagos. Mas em razão de uma lesão sofrida (fratura na clavícula) durante a corrida realizada um mês antes, em Goiânia, o líder Arnaldo Diniz surpreendeu e foi baixa na corrida decisiva. 
 
Assim, Ribeiro tinha uma grande missão: terminar à frente do terceiro colocado na classificação, Fernando Fortes. Durante boa parte da grande final, Fortes estava na frente e, depois de ter largado na pole, despontava rumo ao título. Mas um problema no pit-stop colocou tudo a perder. Fernando voltou em quinto, uma posição atrás de Ribeiro, situação que continuou até o fim da prova, encerrada em razão de um fortíssimo acidente com o luso João Lemos. A corrida foi vencida novamente pelo ‘Cearense Voador’ Rabelo.
 
Definitivamente, foi um título pra lá de improvável. A decisão da C 250 Cup, embora tivesse entregue um resultado previsível, também foi carregada de drama.
 
Diferente da CLA AMG Cup, a C 250 Cup teve uma disputa mais polarizada, na qual quatro carros venceram em 2016. Os experientes Marcos Paioli e Peter Gottschalk, que formaram novamente dupla no carro #111, conquistaram nada menos que três triunfos. ‘Tubarão’ venceu duas corridas, assim como o catarinense Cláudio Simão. Fábio Escorpioni, um dos grandes nomes do campeonato, triunfou em uma prova.
Peter Gottschalk pai e Marcos Paioli chamaram o campeão Peter filho para o alto do pódio (Foto: Fábio Davini)
Apesar de ter contato com o carro que mais venceu no ano, Paioli e Gottschalk enfrentaram dois problemas cruciais e que foram determinantes para a perda do título: a exclusão da etapa de setembro em São Paulo e, na prova seguinte, os problemas que fizeram o duo somar apenas seis pontos em Curitiba. Em uma categoria tão forte como o Mercedes-Benz Challenge, qualquer ponto perdido faz diferença. Regular durante toda a temporada, Peter Michel Gottschalk pontuou bem mesmo quando não venceu, e tal pontuação lhe deu condições para correr na grande final podendo chegar apenas em oitavo lugar.
 
E ‘Tubarão’ conquistou justamente o oitavo lugar. No sufoco, na base do drama, na raça, mas o bicampeonato veio. Peter Michel enfrentou inúmeros problemas em seu carro e parou nada menos que oito vezes. O piloto se arrastou e vinha lento, bem lento, com um só objetivo: completar a corrida. E Gottschalk acabou sendo salvo justamente porque só havia oito carros da C 250 Cup na pista depois do acidente de Lemos. No azar, o piloto teve muita sorte e conseguiu confirmar seu segundo título no Mercedes-Benz Challenge, fechando um ano de muita emoção e velocidade ao redor do Brasil.
 


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