Rali
14/01/2017 11:43

Torres e Roldan confirmam vantagem e fazem história como primeiros campeões do Brasil e dos UTVs no Dakar

Leandro Torres e Lourival Roldan entraram na história por dois motivos: são os primeiros campeões brasileiros do Rali Dakar e os primeiros campeões dos UTVs. A dupla brasileira tinha o título nas mãos e apenas precisava terminar a etapa deste sábado. Fez isso, e chegou campeã a Buenos Aires
Warm Up
Redação GP, do Rio de Janeiro

Pela primeira vez na história do Rali Dakar, o Brasil tem representantes campeões. Leandro Torres e Lourival Roldan confirmaram o que já estava bem encaminhado nos últimos dias e chegaram a Buenos Aires na manhã deste sábado (14) campeões entre os UTVs. E foi uma vitória com autoridade: com vantagem de quase cinco horas para os vice-campeões.
 
Na etapa final, entre Río Cuarto e Buenos Aires, passaram em terceiro, 4min11s atrás do líder, o UTV #378 de Maganov Ravil. Ainda era muito pouco e muito tarde para atrapalhar quem havia ampliado a já imensa vantagem após vencer na última especial longa na sexta-feira. 
 
No final das contas, Torres/Roldan terminaram o Dakar exatas 4h42min34s à frente do UTV comandado pelo chinês Wang Fujiang. A dupla brasileira sai com  primeiro título da classe dos UTVs, realizada pela primeira vez. O noviciado da categoria fica evidente pelos abandonos: 50% dos oito inscritos ficou pelo caminho. 

"Fantástico. É fantástico. Um sonho, um sonho completo. Ano passado a gente veio ao Dakar para saber o quão difícil seria essa odisseia. Esse ano, planejamos tudo para colocar mais agressividade na mesma equipe, o mesmo carro, e o sonho está completo. Somos os primeiros campeões dos UTVs", disse Torres com os olhos marejados e acompanhado pelos sorrisos de Roldan.
Leandro Torres e Lourival Roldan durante Rali Dakar (Foto: Victor Eleuterio)
À rede de TV brasileira Fox Sports, Torres falou mais. "A gente nem sabe direito onde está ainda. Fisicamente, sabemos, mas a cabeça está no mundo da lua. Muita gente no Brasil torcendo pela gente, realmente é um marco, o Brasil nunca ganhou uma categoria, mas tem totais condições de ter mais gente aqui. Acho que a maior vitória não é nem minha, nem do Lourival, acho que é de todos nós", afirmou. 
 
"Todos gostam de rali no Brasil, e os apaixonados sempre nos incentivaram direta e indiretamente. Então a gente deixa aqui um legado para que mais pessoas tomem essa atitude que a gente tomou. Eu não sou garoto, o Lourival, com esses cabelos brancos, também não. O brasileiro é diferente. Quando quer, consegue", seguiu.
 
Já Lourival apenas fez questão de destacar a certeza que sempre teve de que seria campeão. "Eu falei há algum tempo que só faltava ser campeão e falei nas outras entrevistas que esse ano seríamos campeões, está gravado", se gabou. "E está aí a prova. Obrigado a todo mundo que acompanho, a gente estava com vocês, não estava sozinho. O pessoal que estava na estrada olhando, nós acenávamos para pegar a energia positiva do pessoal que estava torcendo. Obrigado, pessoal. Brasil campeão!", encerrou Roldan.

Maganov Ravil e Kirill Shubin, dupla russa, cruzou a linha de chegada na terceira colocação, mais de seis horas atrás dos brasileiros. O quarto lugar, último dentre os que chegaram, ficou com Mao Ruijin e Sebastien Delaunay, 23h30min atrasados -- sim, quase um dia inteiro.

Torres, 45, e Roldan, 58, disputaram o Dakar um ano atrás com um UTV, mas o veículo competia na classe carros. Neste ano, sempre se mantiveram na primeira parte da curta tabela, mas foi após a quinta especial, entre Tupiza e Oururo, na Bolívia, que tomaram a ponta. Contaram, na oportunidade, com problemas de Mao Ruijin e Sébastien Delaunay. Ruijin liderava por 2h02min09s, mas levou quase 6h na etapa seguinte. Torres acelerou, então, chegando a Oruro com 2h34min04s. 
BRUNO SENNA FALA DA CARREIRA, DO FUTURO E DA VOLTA DE MASSA
Daí em diante, a distância dos brasileiros para o resto do pelotão jamais ficou abaixo de 1h35min. Caiu para tanto em Uyuni, mas voltou a subir quando o novo vice-líder, Li Dongsheng, abandonou a disputa por problemas em San Juan. Aquele dia da décima etapa começou como um pesadelo para Torres e Roldan, que bateram numa pedra e precisaram parar para realizar reparos. Chegaram a perder a liderança e, naturalmente, parecia que o título tinha ficado pelo caminho. Mas o estágio problemático se estendeu para mais gente, devolvendo e ampliando a vantagem dos dois.

Apesar de terem tido seus problemas durante as duas semanas do rali, Torres e Roldan conseguiram evitar falhas graves - algo que seus rivais simplesmente não puderam fazer. Santiago Navarro logo saiu, Ruijin teve seguidos problemas e terminou a competição mais de 23 horas atrás dos campeões e Dongsheng ficou pelo caminho na nona etapa. Como o 13 vezes campeão Stéphane Peterhansel pode dizer facilmente, não ter problemas terminais é parte de se tornar campeão.
Dupla brasileira celebra vitória no Dakar (Foto: Victor Eleuterio/Vipcomm)
Rali Dakar, classificação geral, UTVs:

1 351 LEANDRO TORRES
LORIVAL ROLDAN
BRA XTREMEPLUS
POLARIS
54:01:50  
2 386 WANG FUJIANG
LI WEI
CHI XTREMEPLUS
POLARIS
58:44:24 04:42:34
3 378 MAGANOV RAVIL
KIRILL SHUBIN
RUS XTREMEPLUS
POLARIS
60:07:25 06:05:35
4 342 MAO RUIJIN
SEBASTIEN DELAUNAY
CHI XTREMEPLUS
POLARIS
77:31:57 23:30:07



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