Stock Car
18/04/2017 06:00

Novo chefão busca maior engajamento com público na Stock Car e se inspira na Nascar, F-E, UFC e até Mundial de Surfe

O mais novo dirigente do automobilismo brasileiro chega ao comando da Stock Car com a missão de tornar a principal categoria do esporte a motor nacional muito mais próxima do seu público. Oriundo da indústria do entretenimento, o paulista Rodrigo Mathias se inspira na F-E, Nascar e até na F1, mas também tem os olhos voltados para as experiências bem-sucedidas de outros esportes. Tudo para tornar formar novos ídolos na Stock Car
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Goiânia
 

Os ventos da mudança sopram na Stock Car em 2017. A principal categoria do automobilismo brasileiro está sob nova direção com a chegada do novo diretor da Vicar, Rodrigo Mathias, que assumiu o lugar até então ocupado por Maurício Slaviero. O paulista de apenas 31 anos encara sua nova missão com grande ansiedade e otimismo depois de uma passagem bem-sucedida de de dez anos como gerente de eventos do Grupo RBS, braço das Organizações Globo no Sul do Brasil. Oriundo da indústria do entretenimento, Mathias chega com um grande desafio na sua incursão pelo mundo do automobilismo: aproximar o público da Stock Car, das corridas e dos artistas do espetáculo, os pilotos.
 
Para cumprir com seu objetivo, Mathias sabe que é importante olhar para outros ‘cases’ de sucesso mundo afora, seja dentro das pistas, como a Nascar, ou no esporte como um todo. Um grande exemplo de interação com o público é a forma como a F-E inovou ao adotar o Fanboost, que engaja os fãs por meio das redes sociais e a eles permite influenciar na performance do seu piloto. A nova Stock Car terá seu Fanboost, ainda sem nome definido por aqui, implantado nos próximos meses. 
 
Mas outros modelos bem-sucedidos de relação com o torcedor e, sempre, potencial cliente, são citados por Mathias, como a WSL (Mundial de Surfe) e até mesmo o UFC. Os dois eventos esportivos são notórios na capacidade de promover seus grandes atletas como ídolos globais. Anderson Silva, Conor McGregor, Demetrius Johnson ou mesmo José Aldo são verdadeiros ícones do UFC, da mesma forma que nomes como Kelly Slater, Gabriel Medina, John John Florence e Adriano de Souza são grandes marcas do surfe e do esporte mundial.
Rodrigo Mathias chega ao comando da Stock Car com a missão de tornar a categoria parte da vida do fã (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Ao longo desta semana, o GRANDE PREMIO publica entrevista feita com Mathias durante a primeira etapa da Stock Car no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia. Rodrigo não escondeu a empolgação com o grande desafio que começa a viver. As primeiras mudanças, até mesmo na forma como a Stock Car interage com o público, já são nítidas, como o chamado ‘Ledpush’, dispositivo que acende um led verde tão logo um piloto aciona o botão de ultrapassagem. Tudo para fazer com que o fã possa entender melhor a dinâmica e a estratégia de cada competidor durante as corridas da rodada dupla.
 
“Estou muito otimista. São pouco mais de 45 dias de Vicar, e nesse período a gente conseguiu fazer um raio-X da categoria e como ela vem se desenvolvendo nos últimos anos”, afirmou o novo dirigente do automobilismo brasileiro, que chega ao comando da Stock Car disposto a melhorar ainda mais a categoria que se notabilizou pela sua competitividade e alto nível técnico no grid.
 
“Buscamos algumas mudanças, tanto nas questões de regulamento como também nas plataformas de comunicação e interação do público com o evento, então a gente está muito otimista para ter uma temporada emocionante no aspecto de engajamento de público, de autódromos bem frequentados, de proporcionar uma experiência bacana para quem frequenta os autódromos, uma experiência legal para quem está assistindo como telespectador. Estamos muito, muito otimistas. E, pessoalmente, é um grande desafio”, comentou. 
Objetivo da nova gestão da Stock Car é aproximar a categoria ainda mais do público e formar novos ídolos (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
 

Mathias tem a noção do desafio que já tem pela frente porque é bastante distinto do que já viveu em termos profissionais, sobretudo por dois aspectos: primeiro, por lidar com um esporte com muito potencial em termos de marketing, entretenimento e engajamento de público; e segundo pelo fato de ser uma categoria de âmbito nacional, com transmissão dos seus eventos tanto em TV aberta como por assinatura.
 
“Venho de uma carreira de dez anos no Grupo RBS, onde tive a oportunidade de trabalhar, sempre neste período, na plataforma de eventos, entretenimento, negócios, esportes, inclusive. Mas um evento com uma plataforma que tem a Stock Car, que é a principal categoria do automobilismo nacional, é muito relevante, algo com uma presença nacional”, contou o paulista. “Na RBS, até pelo DNA da companhia, era um alcance regional. Então é uma plataforma nacional, a maior do automobilismo brasileiro, com a oportunidade de desenvolver um trabalho novo, visando entretenimento e uma nova visão de consumo do público frente ao produto, isso eu acho fantástico. É uma grande oportunidade”, comentou Mathias.
 
Rodrigo destacou o trabalho feito pelo seu sucessor para elevar ainda mais o nível da Stock Car, sobretudo no que diz respeito a alta competitividade da categoria.
Rodrigo Mathias é oriundo da indústria do entretenimento e tem perfil diferente do seu antecessor (Foto: Fábio Davini/Vicar)
“Poder suceder um profissional [Maurício Slaviero] que tem um conhecimento muito técnico, auxiliou ao produto em termos de pista e a competição chegar a um nível técnico tão fantástico como é a Stock Car. Vejo que não há nenhuma categoria em termos de pilotos e competitividade como é a Stock Car. E estou falando das principais categorias do mundo: DTM, Nascar, F1, em termos de qualidade de pilotos e competitividade. Você tem 20 carros andando no mesmo segundo na Stock Car. Acho que isso é um diferencial muito bacana e que faz com que a gente comece a temporada sem ter nenhuma previsão sobre quem leva o título”, salientou.
 
 
Nascar, F-E, UFC e Mundial de Surfe como referências em interação com o público
 

A chegada do Liberty Media ao comando da F1 e a consequente saída de Bernie Ecclestone inaugurou uma nova era no esporte. A categoria, mesmo sendo a mais importante do automobilismo mundial, tinha uma relação muito primitiva com seu fã e chegava ao absurdo de impedir que pilotos e equipes pudessem fazer vídeos ao vivo durante um fim de semana de GP. Aos poucos, a ‘era da Liberdade’ ganha espaço na F1 e se aproxima do seu público, seja nos autódromos ao redor do mundo ou então à distância, por meio das redes sociais, cada vez mais ativas de uns tempos para cá.
 
Mas Rodrigo Mathias vai muito além sobre o que deseja implantar para a Stock Car em médio e longo prazo. A ideia do novo chefão da categoria é formar novos ídolos e fazer com que eles sejam parte da vida de um verdadeiro fã da velocidade por aqui. Por isso, a Nascar surge como grande exemplo pela paixão que vários competidores por lá despertam em seus fãs: Kyle Busch, Jimmie Johnson, Joey Logano, entre tantos outros, são artífices de relações de amor e ódio entre eles mesmos e seus fãs. Mathias sonha em ver a Stock Car chegar em tal nível em breve.
 
A F-E, também pela proximidade com seu público, por meio do já citado ‘Fanboost’, também é vista por Mathias como uma grande plataforma para elevar a relação entre esporte e seu fã.
A Nascar é vista por Mathias como grande modelo de interação entre esporte e público no automobilismo (Foto: Nascar Media)
“No automobilismo, as maiores referências que nós temos são a Nascar, em primeiro lugar, seguido por F-E, DTM e até, nesta ordem, a F1. São as principais referências. Claro que existem outras grandes categorias, como a Indy, mas em curto prazo em termos de gestão até o momento, essas são as principais categorias onde estou buscando as referências que estou encontrando, que na minha visão de consumidor, estão melhor ‘empacotadas’ para o público final”, declarou o chefão da Stock Car.
 
Com ideias mais abertas, Mathias não pensa apenas no automobilismo, mas planeja adotar modelos bem-sucedidos em outros esportes que fazem cada vez mais sucesso e cativam mais fãs.
 

“Quando a gente sai do nicho do automobilismo, eu diria que a gente tem de olhar muito forte para o WSL, o Mundial de Surfe. Eles passaram por uma revolução na sua plataforma de consumo nos últimos quatro anos. Tiveram mudanças no quadro acionista. A forma de consumo no meio digital, o marketing digital, é sem dúvidas o maior meio de marketing esportivo hoje. E aí, vendo pela forma como se trabalha o marketing da categoria, o produto, a criação de ídolos, acho que o UFC faz muito bem esse trabalho”, afirmou.
 
“Então são realmente duas plataformas que servem muito de ‘benchmark’ para nós, e estamos colhendo o melhor de cada um para podermos apresentar ao público um melhor posicionamento, uma interatividade maior, uma experiência do público muito melhor, um engajamento fantástico também”, concluiu o diretor da Vicar.
 
PADDOCK GP #73 DEBATE: VERSTAPPEN É O PILOTO MAIS IMPRESSIONANTE DA F1?


Últimas Notícias
terça-feira, 18 de abril de 2017
Warm Up
Stock Car
F1
segunda-feira, 17 de abril de 2017
F1
Endurance
Indy
F1
F1
F1
F1
F1
F1
F1
F1
F1
Galerias de Imagens
Facebook