Stock Car
12/12/2016 05:00

Opinião GP: Campeão da Stock Car, Fraga se firma como grande nome da nova geração do automobilismo brasileiro

Jamais um piloto tão jovem conseguiu ser campeão na Stock Car. Felipe Fraga quebrou todas as barreiras, superou pilotos com renome e muita experiência no Brasil e no exterior, como Cacá Bueno, Rubens Barrichello e Thiago Camilo, e levantou a taça. Na esteira de um feito tão singular, o título de uma categoria tão parelha mostra que Fraga é, sem dúvidas, o grande nome da nova geração do automobilismo nacional
Warm Up, de Interlagos
FERNANDO SILVA, de Interlagos
 

GUARDADAS AS DEVIDAS PROPORÇÕES, O impacto causado por Max Verstappen desde sua chegada à F1 se assemelha muito à forma como Felipe Fraga mexeu com o mundo da Stock Car a partir de quando passou a fazer parte do grid da principal categoria do automobilismo brasileiro, em 2014. Com a mesma personalidade e arrojo do holandês, que hoje brilha na F1 pela Red Bull, Felipe impressionou desde a estreia, quando venceu a Corrida de Duplas ao lado de Rodrigo Sperafico. É bem verdade que desde então seu talento foi lapidado pelo seu próprio aprendizado, pelos erros e acertos nas pistas. Aprendizado que fez de Fraga um piloto muito mais completo e melhor nos dias de hoje. Não à toa, Felipe foi campeão não somente por ter o pé pesado, mas principalmente por ter sido cerebral quando precisou ser menos coração.
 
Sem se deixar levar pelo impacto que traz um título tão importante como o da Stock Car, conquistado da forma que foi, não é nenhum exagero dizer que Felipe Fraga hoje é o grande nome da nova geração de pilotos do automobilismo brasileiro. Nos dias de hoje, talvez o único piloto desta nova fornada que possa ser comparado a Felipe seja Pipo Derani, que teve um ano brilhante em 2016, chegando a vencer as 24 Horas de Daytona e também as 12 Horas de Sebring, além de correr com competência no Mundial de Endurance. Mas a maneira como Fraga se tornou campeão da Stock Car, enfrentando com êxito grandes adversários em meio a um grid tão forte e competitivo, lhe confere outro patamar.
 
Há, evidentemente, outros nomes surgindo. Além de Derani, que embora seja novo, já é um piloto consolidado no cenário internacional, dá para citar Sergio Sette Câmara, a caminho da GP2, como um nome promissor. Outros, como Pietro Fittipaldi, não empolgam tanto depois da sua experiência lá fora. Matheus Leist, dono do título da F3 Inglesa e futuro piloto da GP3, é um jovem para ficar de olho. Sobre Pedro Piquet, há a incógnita depois de um ano bem apagado na F3 Europeia. Voltando para o mundo da Stock Car, dá para citar com enorme destaque Guilherme Salas — sexto lugar na corrida do último domingo, como outro grande talento que deve ser considerado, embora ainda esteja no começo da sua trajetória na categoria.
Felipe Fraga ergue a taça de campeão da Stock Car (Foto: Fábio Davini/Vicar)
A conquista de Fraga também reflete uma nova realidade para o automobilismo nacional. Com o país cada vez mais longe de continuar com um piloto no grid da F1, os talentos que surgem hoje no kart já começam a pensar em novos destinos: como não há mais brasileiros desta geração que inspirem os jovens que começam a brotar aqui e ali, o objetivo maior de carreira de quem inicia cedo passa a ser o de virar piloto profissional um dia. E a Stock Car aparece como a categoria mais importante para quem deseja construir sua trajetória de vida nas pistas por aqui.
 
A carreira de Fraga é exatamente o reflexo desta mudança de rumos e objetivos dos jovens talentos brasileiros. Depois de brilhar no kart e se tornar pentacampeão brasileiro, Felipe cruzou o Atlântico e tentou carreira no Velho Mundo correndo na F-Renault — na divisão ALPS, mas com participações na F-Renault Europeia. Mas mesmo depois de um 2012 de muito aprendizado e crescimento, Fraga e seu staff perceberam que não valia a pena gastar tanto dinheiro para terminar em quinto, sexto, e tentar um passo à frente no ano seguinte, sem garantia de êxito.
 

Apoiado pela Red Bull, Fraga voltou ao seu país-natal e começou a trilhar um novo e desconhecido caminho ao disputar o Brasileiro de Turismo, categoria nascida para servir como acesso à Stock Car. Deu muito certo! Tanto que Felipe, aos 18 anos, cumpriu com muita competência seu trabalho: sete poles e quatro vitórias em oito corridas disputadas. 
 
Estava claro que ali havia um talento natural, mas que precisava passar pela prova de fogo e ser lapidado na Stock Car. Subir para a categoria principal no ano seguinte, tendo ao seu lado o experiente preparador Mauro Vogel  — além de contar com ninguém menos que Cacá Bueno como conselheiro  — foi vital para a carreira do paraense. A maneira como venceu na Corrida de Duplas, logo na sua estreia, correndo ao lado de Rodrigo Sperafico, foi seu cartão de visitas: o automobilismo brasileiro estava ali diante de um grande piloto. Com erros e acertos ao longo daquela temporada e também da primeira parte de 2015, antes do gravíssimo acidente sofrido em Curitiba, Fraga cresceu
 
E depois que praticamente teve a chance de nascer de novo, Felipe se mostrou um piloto ainda mais eficiente e melhor, aproveitando com maior competência as suas chances e também tirando proveito do grande trabalho da Cimed, dona daquele que hoje é o melhor carro do grid da Stock Car.
Felipe Fraga chega à glória com a conquista do título da Stock Car (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Em 2016, se tornou líder do campeonato a partir da quarta etapa, em Santa Cruz do Sul, e jamais foi superado desde então. Com uma maturidade que salta aos olhos, rara para um garoto de apenas 21 anos, que pouco comete erros e que sabe controlar bem uma corrida, como se já fosse um veterano da Stock Car, Fraga aliou o ímpeto dos mais novos à cabeça fria que diferencia os pilotos experientes. 
 
São muitos os exemplos desta mentalidade cerebral de Felipe: os duelos contra Rubens Barrichello, a forma como preferiu se poupar e somar pontos em Tarumã a se envolver em uma disputa com Max Wilson e, principalmente, na última corrida do ano, quando teve de correr com destreza para evitar um erro maior quando a pista estava ainda bem molhada em razão da chuva que deu as caras no último domingo em Interlagos com o décimo lugar. Deixar para trás um piloto do calibre de Rubens Barrichello, pilotando o fino aos 44 anos, é um grande feito para a carreira de Fraga.
 
Assim, depois do título conquistado, Fraga faz parte de um seletíssimo rol de pilotos como Ingo Hoffmann, Ângelo Giombelli, Fabio Sotto Maior, Chico Serra, Cacá Bueno, Giuliano Losacco, Paulão Gomes, Ricardo Maurício, Max Wilson e Marcos Gomes, além de Rubens Barrichello, dentre outros. Mas enquanto todos os outros — exceção feita a Losacco — alcançaram a glória na Stock Car já veteranos das pistas, o fez ainda muito jovem, de modo que o título certamente vai lhe abrir muitas portas para o futuro. Um futuro que tem tudo para ser brilhante, seja aqui no Brasil, seja lá fora. 

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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